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Subsecretário do DF investigado por desvios na Saúde completa 17 dias foragido

Subsecretário do DF investigado por desvios na Saúde completa 17 dias foragidoFoto: TV Globo/Reprodução/MPDFT

Mandado de prisão contra Iohan Struck foi expedido em 25 de agosto; defesa não quis comentar. Gestor é alvo da operação Falso Negativo, que apura suposta fraude em testes para Covid-19.

Por Brenda Ortiz E Carolina Cruz, G1 Df - 10/09/2020 - 14:23:20

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) informou, nesta quinta-feira (10), que o subsecretário afastado de Administração Geral da Secretaria de Saúde do DF, Iohan Andrade Struck, é considerado foragido e, portanto, continua sendo procurado. Há um mandado de prisão contra ele desde o dia 25 de agosto.

Ele é um dos alvos da operação Falso Negativo, que investiga o suposto desvio na compra de testes rápidos para Covid-19. Cinco gestores do primeiro escalão da SES-DF, inclusive o secretário de Saúde, Francisco Araújo, estão presos preventivamente ( relembre abaixo ).

Procurada pela reportagem, a defesa de Iohan não quis falar o caso e disse que "não estava autorizada a comentar" o motivo dele não ter se apresentado à Justiça.

O G1 questionou o Ministério Público sobre as buscas por Iohan, mas não obteve resposta sobre quando foi realizada a última busca em endereços relacionados ao alvo.

"Ele continua sendo procurado e é considerado foragido. Nós não informamos sobre as buscas", diz nota enviada pela assessoria do MP

Quando a operação foi deflagrada, em 25 de agosto, Iohan Struck não foi encontrado e a defesa dele alegou que o subsecretário estava em isolamento, com suspeita de Covid-19. No entanto, uma semana depois, no dia 2 de setembro, o resultado dos exames de Struck deram negativo para a doença e ele não se entregou à Justiça.

Ainda em agosto, os advogados de Iohan alegaram que Struck estava doente, com o "estado de saúde debilitado", e que tinha recomendações médicas para continuar em isolamento até a "completa recuperação". Iohan Struck está foragido há 17 dias.

Operação Falso Negativo

Investigados na operação Falso Negativo falam sobre compra de teste para Covid-19 no DF

A operação Falso Negativo investiga supostas irregularidades em dois contratos para compra de testes para detecção da Covid-19. A Justiça expediu mandados de prisão contra sete integrantes da cúpula da Secretaria de Saúde. São eles:

  • Francisco Araújo : secretário de Saúde do DF; permanece preso
  • Ricardo Tavares Mendes : ex-secretário adjunto de Assistência à Saúde do DF; permanece preso
  • Eduardo Hage Carmo : subsecretário de Vigilância à Saúde do DF; solto por decisão do STJ
  • Eduardo Seara Machado Pojo do Rego : secretário adjunto de Gestão em Saúde do DF; permanece preso
  • Iohan Andrade Struck : subsecretário afastado de Administração Geral da SES-DF; considerado foragido pelo MP
  • Jorge Antônio Chamon Júnior : diretor do Laboratório Central do DF; permanece preso
  • Ramon Santana Lopes Azevedo : assessor especial da Secretaria de Saúde do DF; permanece preso

Segundo o MP, eles são suspeitos de integrar uma suposta organização criminosa que direcionou e superfaturou a compra dos testes. Os investigadores afirmam que, nos dois contratos analisados, foi identificado superfaturamento. Ao todo, o prejuízo estimado é de R$ 18 milhões.

Os crimes em investigação são de fraude à licitação, lavagem de dinheiro, organização criminosa, além da prática de corrupção ativa e passiva. O caso ainda pode ser caracterizado como cartel. Os gestores negam irregularidades nos processos de compra.

Gestores da Saúde tentaram combinar defesa

O Ministério Público do Distrito Federal também analisa diálogos entre investigados na Operação Falso Negativo. Segundo os promotores, ficou constatado nas gravações interceptadas que os investigados tentaram combinar a versão de defesa.

Em uma das conversas, Iohan Struck fala sobre possíveis consequências da primeira fase da operação, na qual foi um dos alvos. Ele falava com o secretário adjunto de Gestão em Saúde, Eduardo Pojo, que demonstrou preocupação.

Em gravação, Iohan disse que estava "preocupado" com investigações

Em uma mensagem, Iohan disse que estava "preocupado" com a possibilidade das investigações atingirem sua esposa, Larissa Ferraz Struck. Ele conversou sobre o tema com Eduardo Pojo, duas semanas após as primeiras buscas e apreensões.

À época, Larissa atuava na chefia do Núcleo de Compras do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF). Ela estava à frente da aquisição de testes para coronavírus para as unidades administradas pela organização: Hospital de Base, Hospital Regional de Santa Maria e Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s).

Em outro trecho, Iohan comenta que seu receio começou após o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, responsável pelas investigações, ter acesso aos materiais das buscas na operação.

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

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