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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 13 de agosto de 2022

Turismo no Brasil. Empresários do setor apontam prioridades para investimentos

Turismo no Brasil. Empresários do setor apontam prioridades para investimentos

Foto: Fabíola Sinimbú-Agência Brasil

Taxas de juros, linhas de crédito e financiamento

Por Fabíola Sinimbú - Agência Brasil Brasília - 13/06/2019 - 09:00:10

Uma pesquisa divulgada pelo Ministério do Turismo nesta semana mostra que o número de visitantes estrangeiros no Brasil se manteve praticamente o mesmo nos últimos três anos. Para movimentar o setor e incentivar a vinda de investidores internacionais, o empresariado aponta algumas prioridades. Mais investimento em segurança pública, em infraestrutura e no combate à corrupção foram citados pelos empresários ouvidos pela Agência Brasil, durante o Encontro de Líderes do Turismo, realizado em Foz do Iguaçu (PR).

O diretor comercial do Grupo Recanto Cataratas, Edilson Andrade, que atua no mercado de hotelaria em Foz do Iguaçu (PR), afirma que a iniciativa privada acredita no desenvolvimento do potencial do turismo e, por isso, nunca deixou de investir. Segundo Andrade, no entanto, o setor mais ações estruturantes por parte do governo. “Um exemplo é a experiência de viajar de forma rodoviária, falta infraestrutura. As vias não estão na mesma categoria de quando o turista visita a Europa, os Estados Unidos, que ele volta falando maravilhas do quanto se sentiu seguro em viajar de carro com a família”, diz.

O Brasil tem atualmente uma malha rodoviária com pouco mais de 1,7 milhão de quilômetros em extensão, no entanto, de acordo com o Anuário CNT do Transporte 2018, apenas 12,4% das rodovias são pavimentadas. A qualidade da pavimentação influencia na segurança durante o transporte dos turistas, mas a circulação nas cidades também pode representar um risco sob outro aspecto de segurança: a violência.

Influência da segurança

No ranking criado pelo aplicativo gratuito Safe Around, que compila dados de sites governamentais para orientar os turistas quanto à segurança, o Brasil aparece classificado como um país de médio risco para viajar e ocupa a 81ª colocação, entre os 162 países avaliados.

A ferramenta utiliza oito critérios de avaliação e o Brasil foi classificado como médio risco nos quesitos risco geral, golpes, transportes, desastres naturais e segurança para mulheres. O terrorismo é o único quesito em que o país é avaliado como de baixo risco. Já quando o assunto é furto e assaltos a mão armada, o Brasil é classificado como de alto risco.

Mesmo com todas essas limitações, o grupo em que Edilson Andrade atua vê com otimismo a expectativa apontada pelo Plano Nacional de Turismo, de dobrar o número de visitantes internacionais e atingir a meta de 12 mil visitantes estrangeiros ao ano, até 2022. “De dois anos para cá, nós saímos de uma infraestrutura de 300 unidades, 300 apartamentos, de um resort importante e conhecido, para, simplesmente, 1.000 unidades. Então, a gente mais que triplicou a oferta”, diz.

Outra empresária de Foz do Iguaçu que tem boa expectativa para o setor é a diretora-geral CEO do Parque das Aves, Carmel Croukamp, que atua à frente do empreendimento há 10 anos. O empreendimento cresceu e atualmente recebe 830 mil visitantes ao ano. No período, o grupo mudou o foco de atuação e a comunicação com os visitantes. A decisão foi motivada pela extinção de uma espécie de ave da região, o pararu-espelho, que fez com que o parque passasse a concentrar esforços na conservação de 120 espécies e subespécies de Mata Atlântica.

Para Carmel, casos de consolidação de marca, como a mudança em seu empreendimento, ou ainda exemplos de países como Canadá, Austrália e Dubai podem servir de modelos na criação de marcas para os destinos no Brasil e favorecer a promoção e comercialização dos serviços e produtos turísticos brasileiros no mercado internacional.

Embratur

A atividade é atribuição do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, tem reforçado a ideia de fortalecer a Embratur tornando-a uma agência de promoção do turismo.

Essa é uma das mudanças propostas nos projetos de lei 2.724/2015 e 7.425/17, que criam uma nova fonte de recursos a partir de um percentual de 1,7% da arrecadação bruta dos concursos e das loterias federais, que seria deduzido dos 20% da taxa de administração atualmente paga à Caixa Econômica Federal.

A nova fonte serviria para tornar a Embratur sustentável nas ações de promoção e divulgação dos destinos brasileiros em outros países e também criaria novas atribuições para a instituição. Segundo o presidente da Comissão Permanente de Turismo na Câmara dos Deputados, Newton Cardoso Jr. (MDB-MG), a agência funcionaria no formato de serviço social autônomo como as entidades pertencentes ao Sistema “S”.

O deputado afirma que a mudança tornaria viável a possibilidade de a Embratur financiar projetos para o desenvolvimento do turismo, além de fomentar a capacitação de mão de obra especializada para o setor. “Determinadas regiões do país não têm oferta de mão de obra qualificada. Se você vai trazer de fora o projeto fica muito caro, e pode até se inviabilizar, então, investir em qualificação, treinamento, preparação de pessoas no turismo é fundamental para gerar emprego, inclusive”, diz.

Projetos em debate

De acordo com o deputado, a pauta do governo federal para o setor é convergente com a da Comissão Permanente de Turismo na Câmara dos Deputados. Mesmo assim, segundo ele, alguns pontos vistos como prioridades enfrentam resistência no Congresso Nacional. Um exemplo é a proposta que torna legais empreendimentos como cassinos e outros relacionados a jogos de azar.

O projeto de lei 442/1991 que trata desse tema tramita na Câmara dos Deputados. O texto já recebeu várias emendas e, atualmente, inclui diferentes formas de jogos, inclusive, os mais modernos, como as apostas online. Para o deputado Newton Cardoso Jr, a abrangência pode ser um fator que dificulta a aprovação da matéria. Por isso, ele já trabalha em uma proposição que pretende focar na liberação de cassinos nas chamadas áreas especiais para desenvolvimento turístico.

Segundo ele, pesquisas indicam que a atividade, caso seja liberada, tem potencial de gerar mais 600 mil empregos no país e poderia injetar R$ 30 bilhões em arrecadação de tributos. Com a proibição dos cassinos no Brasil desde 1946, “esse tipo de jogo migrou para a marginalidade e o país tem perdido a oportunidade de investimento, negócios e geração de emprego”, diz.

Existem dois debates acerca do assunto dentro do Congresso Nacional. Um seria a ideia de liberar os cassinos apenas em grandes resorts, de forma integrada. A outra proposta é a defendida pelo presidente da Comissão de Turismo. Segundo ele, a ideia de instalar os cassinos nas áreas especiais para desenvolvimento turístico “promoverá a pulverização e regionalização do turismo, distante dos grandes centros urbanos”.

A ideia é criar as áreas especiais com delimitação geográfica de regiões com diferentes vocações para turismo e facilitar de forma administrativa, com isenção de tributos, celeridade para instalação de equipamentos turísticos e nas concessões de licenças. Os cassinos seriam um dos equipamentos previstos nessas áreas diferenciadas, com delimitação de número desse tipo de estabelecimento, de acordo com a população de cada área.

Taxas de juros, linhas de crédito e financiamento

Além das matérias já em debate no Congresso, o deputado diz que a comissão também tem buscado se aproximar do “trade turístico”, ou seja, dos diferentes setores econômicos envolvidos no negócio do turismo. Um dos setores que faz parte do trade é o do empreendedor, que, embora tenha o Programa de Desenvolvimento e Estruturação do Turismo (Prodetur+Turismo), criado pelo governo para facilitar obtenção de financiamento com juros diferenciados, pede mais atenção para o pequeno empreendedor. A proprietária do Concept Design Hostel e Suítes, Cyntia Braga, atua no setor hoteleiro há cinco anos e diz que a maior dificuldade enfrentada é empreender a juros baixos quando se é pequeno.

A empresária conta que criou o negócio com muita pesquisa e planejamento, mas os resultados foram surpreendentes e a demanda cresceu rapidamente, com isso veio a necessidade de expansão. “Eu já tenho a minha demanda, eu já vislumbrei um crescimento interessante para a gente, já fiz a minha lição de casa, já estou com muitas coisas engatilhadas, premiações, altas pontuações em canais de vendas, já comprei um terreno ao lado, que está esperando o dinheiro para a ampliação, que até agora não chegou”, diz.

Cyntia criou um modelo de negócios entre o hostel e o hotel três estrelas, com uma tarifa diferenciada. A demanda cresceu criando uma necessidade de duplicar o atendimento para os quartos privativos. Para isso, ela precisa investir na construção de um novo bloco, mas não encontra crédito no mercado para o perfil de negócio.

Segundo a empresária, os modelos financiados pelo Fundo Geral de Turismo (Fungetur) e ofertados por meio do Prodetur+Turismo atingem grandes projetos, ou prefeituras e estados, e excluem o pequeno empreendedor que precisa recorrer aos juros comuns ofertados pelos bancos. “Você se endividar com juros de mais de 1% ao ano não dá, não tem como. É uma bola de neve”, diz.

Ações voltadas para turistas

Outra aposta do governo para atrair turistas é o decreto que libera a exigência de vistos de entrada no Brasil para turistas dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão. A medida entra em vigor na segunda-feira (17).

Os turistas desses países já eram beneficiados com o visto eletrônico e, de acordo com o governo, o total de visitantes dessas quatro nacionalidades cresceu 15,73% em 2018. Os canadenses foram os que mais aproveitaram a iniciativa, com um salto de 45,3%, seguidos dos australianos (24,7%), norte-americanos (13,3%) e japoneses (5,5%).

“Os números mostram que estamos no caminho certo para alavancar o turismo brasileiro e posicioná-lo entre os grandes destinos internacionais. Temos a expectativa de que, com a isenção de visto para esses quatro países, os próximos resultados sejam ainda mais expressivos”, destaca o ministro Marcelo Álvaro Antônio.

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Edição: Narjara Carvalho e Juliana Andrade

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