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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 23 de outubro de 2018


Um gol de placa! Projeto social Bola no chão, livro na mão atende mais de 200 crianças no DF

Um gol de placa! Projeto social Bola no chão, livro na mão atende mais de 200 crianças no DF

O projeto se sustenta com muito amor e dedicação

Por Aline Ramos* - Correio Braziliense - 09/08/2018 - 20:13:52

O vigilante Joedson Serpa Lima, de 34 anos, iniciou em Planaltina, há pouco mais de dois anos, o projeto social Bola no chão, livro na mão. O objetivo é resgatar crianças em situação de vulnerabilidade e trazê-las de volta às escolas por meio do futebol. Ex-jogador e amante do esporte, Joedson conta com a ajuda de voluntários, e uma psicopedagoga, para acompanhar de perto o desenvolvimento social e escolar dos alunos.

 

Cerca de 170 crianças estão cadastradas no projeto atualmente e 50 novas vagas estarão abertas nos próximos meses. Os encontros para jogar bola acontecem duas vezes por semana, às segundas e quartas-feiras, em campos de futebol da própria cidade. Joedson trabalha como vigilante à noite e se divide nas duas profissões.
 

Os participantes do projeto têm entre 5 e 17 anos. Os requisitos principais são simples: gostar de futebol e manter boas notas na escola. Não é cobrada nenhuma taxa ou mensalidade dos alunos. “Eles (os alunos) precisam ter boas notas, serem bons filhos e bons alunos. Aqui, a gente tem regras, e quando eles entram no projeto, eu mostro que sou chato com isso, pois me sinto como um pai deles. Cobro horário para dormir, tem que respeitar pai e mãe e todas as coisas que o bom cidadão deve ter” destaca Joedson.

 

Reforço

 

Anderson da Silva Motta tem 15 anos e está no primeiro ano do ensino médio. O adolescente conta que há cobrança e disciplina por parte de toda a equipe. “Quando entrei no Bola no Chão, o treinador me explicou como era. Ele falou que não podia xingar, não podia brigar na rua, tinha que ter boas notas e respeito pelos professores. A nota era (média) seis e não podia ter advertências na escola. Antes, eu era bem bagunceiro, conversava muito, e depois que entrei, me acalmei, porque eu não queria ficar de fora do projeto. Eu melhorei em tudo; na escola, na conversa, e até nas notas, porque aqui tem aula de reforço para ajudar”, conta Anderson.
 

A construção do caráter e da índole dessas crianças está diariamente nas mãos do treinador e idealizador do projeto, Joedson, que, ao lado dos pais e da escola, se vê como responsável e multiplicador de boas maneiras.

 

Tempo livre

 

Os familiares dos alunos incentivam e ajudam como podem, pois a maioria não tem condição financeira sequer para arcar com os custos do uniforme, que também é cedido pelos voluntários. Eliene Rodrigues Silva, 41 anos, é empregada doméstica e mãe de Enderson Silva Barbosa, que está há dois anos no projeto. Ela conta que só tem elogios ao programa, e relata que o filho melhorou muito no comportamento, e parou de ficar na rua no seu tempo livre, o que a deixa mais segura como mãe.

“É muito disciplinar esse projeto, não pode faltar à aula para participar do projeto. Ele tem que frequentar a aula todos os dias, ir bem na escola, respeitar a todos e a família. Eu trabalho muito, fico muito tempo fora de casa, então o professor tem uma preocupação muito grande com esses meninos para eles não se perderem no mundo das drogas. Antes, o Enderson gostava muito de ficar na rua, hoje ele já não fica mais”, relata a orgulhosa mãe.
 

Mas nem todos os alunos têm o apoio dos pais, como Alessandro Elias Souza que, mesmo sozinho nos treinamentos e campeonatos, vê o projeto como sua segunda família. “Minha mãe não gosta muito de eu jogar bola. Ela não vem torcer nem curte essas coisas, não dá muito apoio” comenta. “Eu fico triste, não tenho meu pai, então o projeto, para mim, é uma família. Aqui, eu me socializo com as pessoas e tenho amigos”, conclui o adolescente de 15 anos que está no projeto desde o começo.

 

Dificuldade

 

Além do futebol, os alunos contam com o auxílio de uma psicopedagoga, que realiza o acompanhamento psicológico e escolar de todos eles. Danielle Rangel tem 41 anos, é voluntária no projeto há dois anos, e conta como é o acompanhamento dos alunos e a forma como aborda aqueles que tem alguma dificuldade. “Primeiro, a gente procura saber o motivo de uma nota ruim, porque eu acho que tudo na vida tem um porquê e, às vezes, um aluno que nunca havia tirado uma nota baixa chega em um bimestre com uma nota abaixo da média e aí a gente questiona. Meu primeiro questionamento com eles é esse porquê e o que acontece. Alguns são problemas familiares, alguns são desinteresse mesmo, outros são dificuldade de aprendizagem. Em cima dessa resposta do aluno, a gente vai ter a conversa primeiro antes da abordagem do conteúdo em si”, detalha a professora.
 

O projeto se sustenta com muito amor e dedicação. Não existe apoio financeiro ou patrocínio. Todo o dinheiro para comprar bolas, chuteiras, uniformes, e para financiar as participações em campeonatos, vem da própria comunidade. Juntos, eles realizam festas, rifas e eventos para arrecadar o dinheiro quando necessário.
 

Recentemente, o time participou de um campeonato na Bahia onde seis alunos foram aprovados para treinar em times fora de Brasília. O que é uma vitória e grande orgulho para Joedson Serpa. “Acho que a maior satisfação que o ser humano pode ter é contribuir para a vida do outro. Que ele saiba jogar ou não, ele brinca do mesmo jeito que o outro. A gente ensina e socializa todos igualmente” conclui o treinador.

 

* Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira

 

Serviço

Quem quiser acompanhar ou ajudar o projeto pode acessar através do Facebook 

na página “Projeto Bola no Chão Livro na Mão” ou no telefone (61) 9133-5039

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