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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 12 de agosto de 2022

Um pet diferente

Um pet diferente

Foto: Correio Braziliense

Animais exóticos conquistam moradores da capital e se tornam bichos de estimação inseparáveis. Antes de optar por criar um desses, no entanto, é preciso ficar atento às características e necessidades dele

Por Juliana Andrade-correio Braziliense - 27/05/2019 - 09:57:02

"São como filhas", diz Bernardo Pietro sobre as aves que cria


Um porco brincando com os cachorros, um tucano passeando pela casa e cobras divertindo as crianças. Em meio a cães e gatos, os bichos exóticos têm ganhado cada vez mais espaço no mundo dos pets. Quem optou por um deles garante que são companheiros, como qualquer outro animal de estimação.


Há quem se assuste com os pets do contador Fernando Evaristo Regal, 47 anos. Ubaldo, Saramago e Capitu são as três jiboias de estimação do contador. A primeira chegou há quatro anos e a família se apaixonou pela espécie. “Eu sempre gostei de animais exóticos, principalmente répteis. As cobras são fáceis de criar e, aqui em Brasília, os criadouros melhoraram muito”, comenta.


Fernando afirma que, apesar de ser um animal diferente, as cobras não dão muito trabalho. Elas ficam em um terráqueo em casa e se alimentam, a cada 15 dias, de ratos que o contador compra em um biotério. O tutor frisa que, além da alimentação, a principal preocupação é com a temperatura e a umidade do ambiente.


Antes de adquirir os animais, Fernando fez ampla pesquisa para se certificar de que teria condições de criar as serpentes. O veterinário Matheus Rabello, da clínica Exotic Life, especializada em animais exóticos, ressalta que esse é o primeiro passo. “As pessoas precisam entender as características do animal e se elas terão condições de atender as necessidades dele”, alerta.


Segundo o veterinário, um dos principais pontos a serem pesquisados é a alimentação do bicho. “Uma serpente, por exemplo, precisa de roedores. Verifique se há um viveiro adequado para fornecer esse alimento ou se você vai precisar criar ratos para oferecer à cobra. É importante saber se você tem condições emocionais de oferecer um ratinho para a serpente”, orienta Matheus.

Olívia, a porquinha da nutricionista Bruna Timponi, vive em harmonia com os outros pets da casa (Minervino Júnior/CB/DA.Press)
Olívia, a porquinha da nutricionista Bruna Timponi, vive em harmonia com os outros pets da casa


Fernando Evaristo Regal cria três jiboias em casa: Ubaldo, Saramago e Capitu (Minervino Júnior/CB/DA.Press)
Fernando Evaristo Regal cria três jiboias em casa: Ubaldo, Saramago e Capitu


Queridos por todos


Outro exemplo de animal diferente que tem conquistado o mundo pet são os porcos. Se antes eles só eram encontrados em fazendas e sítios, hoje é possível esbarrar com um passeando pela rua. Olívia, a miniporca da nutricionista Bruna Timponi, 31, é a prova disso. O animal veio de avião para Brasília e chegou à casa da dona com apenas 2 meses de idade. “Sempre tive vontade de ter um bicho diferente. Escolhi o miniporco pela inteligência dele”, comenta.


Além da nova casa, o animal ganhou outros companheiros: os cachorros e o gato de Bruna. A nutricionista conta que se surpreendeu com o carinho da porca com os cães. “A Olívia se apegou muito a eles. Ela dorme junto, grudada com os cachorros”, diz.


Para o veterinário Matheus, assim como um cão e um gato conseguem viver em harmonia, um cachorro e um animal exótico também podem ser amigos. Ele alerta apenas que é preciso prestar atenção nas características fisiológicas dos bichos, para garantir que eles não se machuquem.


Não há dúvidas de que uma porquinha passeando pela rua com os donos chama atenção. Bruna relata que a miniporca vira atração por onde passa. “A gente não consegue andar durante um minuto que já ouvimos as pessoas falando dela. As crianças ficam malucas, querendo fazer carinho”, relata.


Na casa da estudante Luiza Valladares Coe, 20, não é diferente, mas por outra razão. Guru veio para a casa da família há cerca de dois anos, vendido como um miniporco. Ela só não imaginava que o animal não seria tão pequeno assim. Ele cresceu mais do que o esperado e virou a atração da casa. “Os fornecedores avisaram que ele era maior, mas ele começou a crescer muito. Quando ficou maior que o buldogue, comecei a ficar preocupada”, lembra a estudante.


O porco cresceu, mas o amor não diminuiu. Devido ao tamanho, o pet não é criado mais dentro de casa e atualmente fica na parte externa, com os cachorros. Assim como a porquinha de Bruna, Guru é esperto e teimoso, além de muito carinhoso, garante a dona. “Ele está sempre por perto. Quando a gente chega em casa, ele grita e pede carinho”, enfatiza.


Responsabilidade


Para criar um animal, seja ele exótico ou não, é preciso ter responsabilidade. Quando falamos de pets diferentes, a questão da legalidade é sempre um ponto de alerta. Essa foi uma das grandes preocupações do Bernardo Pietro, 35. O empresário sempre teve um gosto exótico para pets. Seu primeiro animal de estimação foi um jabuti, mas, aos quatro anos, ele ganhou um papagaio que despertou a paixão por aves.


Bernardo optou por aves silvestres e, hoje, quem o visita se depara com a tucana Felipa, a cacatua Duda e a arara Pietra. Ele conta que a paixão veio cercada de responsabilidades. Antes de adquirir os bichos, o empresário tomou o cuidado de procurar um criadouro credenciado. Mas os deveres não pararam por aí. Apesar de as aves demandarem menos custos com petshop, faz questão de um atendimento personalizado quando se trata de clínica veterinária.


“É muito difícil elas terem problema de saúde, mas, quando precisa, eu sempre procuro profissionais especializados nesse tipo de animal”, garante. Bernardo ainda acrescenta que, assim como muitos tutores tratam os cachorros e gatos como filhos, as aves dele também fazem parte da família. “Elas são como filhas. Eu converso, dou bom dia, elas deitam no meu colo”, diz.


Para saber mais

Regras de aquisição

Quem opta por animais silvestres precisa ficar atento à legislação. Segundo o diretor de Fauna do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), João Bosco Sampaio, os animais só podem ser adquiridos em viveiros credenciados para esse fim. No site (www.ibram.df.gov.br), a instituição disponibiliza uma lista com os comércios autorizado e contatos, assim como as espécies que cada um pode vender. “É preciso lembrar que as pessoas que adquirirem os animais não podem reproduzi-los nem colocá-los em exposição”, afirma o diretor.

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