×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 24 de outubro de 2021

Venezuela e Cuba têm R$ 2,3 bi em atraso com BNDES

Venezuela e Cuba têm R$ 2,3 bi em atraso com BNDESFoto: Estado

No Orçamento de 2019, feito ano passado, o governo alocou R$ 1,5 bilhão de despesas do FGE. Se confirmado, o gasto de 2019 será 26% superior ao de 2018, de R$ 1,2 bilhão, que cobriu atrasos de Venezuela e Moçambique.

Estadão Conteúdo - 04/04/2019 - 07:44:43

Venezuela, Cuba e Moçambique somam R$ 2,3 bilhões em dívidas atrasadas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo câmbio de quarta-feira. Se esses países não honrarem o pagamento, o governo brasileiro terá de cobrir o calote.

O risco de não-pagamento apenas de Venezuela e Cuba levou o banco a registrar perdas de R$ 4,4 bilhões no balanço financeiro de 2018, divulgado na semana passada. A cifra equivale a tudo que o BNDES ainda tem a receber dos dois países.

Impulsionados nos governos do PT, os financiamentos do banco de fomento para obras no exterior foram muito criticados por economistas, que viam nas operações motivações políticas ou excesso de subsídios para beneficiar as grandes construtoras, contratadas pelos governos estrangeiros para tocar os projetos. As empreiteiras acabaram alvo das investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Os financiamentos do BNDES ao exterior são cobertos pelo Tesouro, via Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que custeia o Seguro de Crédito à Exportação (SCE). Por causa dos atrasos desses três países, o banco já foi indenizado em um total de R$ 1,3 bilhão.

No Orçamento de 2019, feito ano passado, o governo alocou R$ 1,5 bilhão de despesas do FGE. Se confirmado, o gasto de 2019 será 26% superior ao de 2018, de R$ 1,2 bilhão, que cobriu atrasos de Venezuela e Moçambique.

O BNDES registrou as perdas no balanço para cumprir as regras do Banco Central (BC) para “provisão para créditos de liquidação duvidosa”. Pelas normas, quando um banco começa a registrar atrasos no pagamento de dívidas, fica obrigado a reservar valores no balanço para fazer frente ao provável calote. Isso não quer dizer que o banco perdeu o dinheiro de vez, mas o lucro é diminuído. Quando o devedor inadimplente regulariza os pagamentos, o banco pode tirar a dívida dessa “reserva”.

Para o professor Sérgio Lazzarini, do Insper, os atrasos confirmam o que já se sabia: que esses países são mais arriscados. Como os empréstimos do BNDES embutem, na visão do especialista, subsídios do Tesouro, deveriam ter passado por uma rigorosa análise, considerando custos e benefícios, antes de serem concedidos. Lazzarini não vê vantagens claras, em termos de geração de empregos, exportações e aumento da produtividade, em apoiar as empreiteiras nas obras no exterior. “No fim das contas, a sociedade está pagando essa conta”, disse Lazzarini.

Nova gestão

O presidente do BNDES, Joaquim Levy, já disse que esses empréstimos não se repetirão. Ao comentar as perdas com os atrasos de Venezuela e Cuba no balanço financeiro, Levy evitou relacionar os calotes a suspeitas de corrupção, mas disse que as operações “responderam às prioridades de governo naquela época”. Em entrevista ao Estadão/Broadcast no mês passado, Levy disse que “acabou a política de emprestar para governos estrangeiros”, já que “foram feitos empréstimos por motivação política e que hoje não estão sendo pagos”, algo que “a população nunca apoiou”.

Na visão do consultor Welber Barral, da Barral M Jorge, que foi secretário de Comércio Exterior no segundo governo Lula, o financiamento por parte de agências de fomento à exportação faz parte do jogo do comércio internacional. Tanto que diversos países, emergentes e desenvolvidos, possuem bancos ou agências do tipo. No caso das grandes obras de infraestrutura, a opção por países emergentes mais arriscados seguiu as condições de mercado, já que as construtoras brasileiras, assim como as da China, dificilmente disputam contratos nos países desenvolvidos.

Sobre os atrasos, Barral disse que fazem “parte do risco do negócio”. Ele ressaltou ainda que o FGE é abastecido por taxas de seguro, cobradas dos países que tomam os empréstimos.

Comentários para "Venezuela e Cuba têm R$ 2,3 bi em atraso com BNDES":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Saúde celebra Dia Mundial de Combate à Poliomielite

Saúde celebra Dia Mundial de Combate à Poliomielite

A prevenção à pólio, doença viral infecto contagiosa, começa ainda na infância. Último caso da doença no DF foi notificado em 1987. No Brasil, em 1988.

Combate à intolerância religiosa reforça liberdade de crenças

Combate à intolerância religiosa reforça liberdade de crenças

Dia distrital de luta será marcado pela realização do 4º Diálogos com o Comitê Distrital da Diversidade Religiosa, vinculado à Sejus

Aumenta circulação de subvariante Delta em Belém do Pará

Aumenta circulação de subvariante Delta em Belém do Pará

“Nessas análises a Sesma detectou uma uma subvariante Delta, a AY.33, circulando em Belém e que pode não ser detectada por testes rápidos e pelos protocolos padrões de RT-qPCR”, informou, em nota, a secretaria.

Chuvas em outubro se aproximam da média histórica no DF

Chuvas em outubro se aproximam da média histórica no DF

Chuvas de outubro já se aproximam da média histórica para o mês do DF

Laboratório do DF é referência nacional e auxilia no controle da raiva

Laboratório do DF é referência nacional e auxilia no controle da raiva

Laboratório foi criado em 1978, quando ocorreu o único caso de raiva humana no Distrito Federal

Gestores do turismo poderão realizar curso em turismo gastronômico

Gestores do turismo poderão realizar curso em turismo gastronômico

Formação online é resultado de parceria entre o Ministério do Turismo e o Instituto Federal de Brasília e oferecerá 300 vagas

Manaus: Os 352 anos da porta de entrada da Amazônia brasileira

Manaus: Os 352 anos da porta de entrada da Amazônia brasileira

Viaje com a gente e saiba um pouco mais sobre o rico e diversificado turismo na capital do Amazonas

Ministério do Turismo institui Fórum de Segurança Turística

Ministério do Turismo institui Fórum de Segurança Turística

Colegiado terá a missão de formular políticas e iniciativas que promovam a segurança nos destinos nacionais.

Estudantes cobram da Capes pagamento de bolsas

Estudantes cobram da Capes pagamento de bolsas

UNE protocolou um ofício cobrando uma urgente reunião com a presidência da CAPES

Com autorização da Aneel, conta de luz no DF terá reajuste de 11,6%

Com autorização da Aneel, conta de luz no DF terá reajuste de 11,6%

A tarifa residencial no DF, que ocupava o 51º lugar do ranking nacional sendo uma das mais baixas do país, passa a ocupar a 36º posição.

Biotic sedia lançamento do programa ‘Centelha’ no DF

Biotic sedia lançamento do programa ‘Centelha’ no DF

Presente à cerimônia de lançamento, o vice-governador Paco Britto assegurou que o Centelha será um programa-modelo no DF