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Você sabe quais são os países menos visitados de cada continente?

Você sabe quais são os países menos visitados de cada continente?Foto: Estadão conteúdo

Embora pouco conhecidos, acredite: pode haver bons motivos para conhecê-los

Estadão Conteúdo - 01/03/2020 - 09:46:37

Aproveitar o paraíso dos vinhos, conhecer a ilha perfumada, visitar o Recife do Champagne são atividades que você fazer em… Moldávia, Comores e Dominica. É possível que você nem sequer já tenha ouvido falar em qualquer um desses países, mas eles são os menos visitados de seus respectivos continentes - o que não quer dizer que eles não tenham seu charme e valor turístico.

A Organização Mundial do Turismo (OMT) produz um relatório anual sobre o turismo no mundo, o UNWTO International Tourism Highlights (Panorama do Turismo Internacional da OMT), que mostra dados relativos aos anos entre 187 territórios do globo. O relatório de 2019 cobre os dados entre 2010 e 2017, com números provisórios para 2018 de países e territórios não reconhecidos como países pela ONU. Dados sobre 29 outras regiões não estão disponíveis.

Dominica
Victoria Falls em Dominica, no Caribe Foto: Discover Dominica Authority

Nossa lista levou em conta apenas países entre os 193 reconhecidos pelas Nações Unidas. Confira os menos visitados de cada continente:

Europa - Moldávia

Quando se pensa em vinho e Europa, a associação comum é para Portugal, Itália, França. Mas na Moldávia - país localizado no leste europeu e vizinho da Romênia e Ucrânia - se tem até feriado nacional para a bebida. O Dia Nacional do Vinho é celebrado em 5 e 6 de outubro.

Durante o dia, 68 produtores deixam seus vinhos para consumo e revelam novos produtos. Há festas com música na capital do país, Chișinău; é possível experimentar as comidas tradicionais moldávias na área próxima ao Arco do Triunfo (sim, aqui também tem um); há uma área de relaxamento em que dá para apreciar quartetos de cordas. Há também aulas especiais com sommeliers oferecidas pela Escola do Vinho.

Se você acha que dois dias dedicados à bebida não são os suficientes, a visita à adega subterrânea do Mileștii Mici é obrigatória. O lugar, que fica 85 metros abaixo da terra, está no Livro dos Recordes por guardar mais de duas milhões garrafas de vinho - alguns deles datam de 1968. As galerias têm mais de 200km de comprimento. A visita básica custa 11 euros em períodos regulares e 16 euros quando feita à noite e nos fins de semana. Outra opção é a Cricova, com túneis subterrâneos um pouco menores em comprimento: 120km.

E se você gosta de lugares diferentes, a Transnístria é indispensável. Situada ao norte do país, na fronteira com a Ucrânia, a região declarou independência da Moldávia em 1990, mas nenhum país da Organização das Nações Unidas a reconhece. A Transnístria possui congresso, exército, moeda e passaporte (ainda que não seja de muito valor) próprios. O lugar ainda guarda muito da herança soviética - como a cor vermelha e a foice e o martelo característicos da União Soviética, presentes até hoje na bandeira.

Há opção de tour pelo país e há um ônibus que liga a capital da Moldávia, Chișinău, até a capital da Transnístria, Tiraspol.

A Moldávia ainda está fora do radar para quem visita a Europa, mas o turismo cresce. Em 2017, 145 mil pessoas visitaram a Moldávia, um aumento de aproximadamente 225% em relação aos números de 2010.

Como chegar: Não há voos diretos entre Brasil e Moldávia, sendo necessário fazer escala na Alemanha ou França.

Visto: até 90 dias, não é necessário.

Onde ficar: Lenin Street Hostel & Tours, Hotel Russia, Tiraspol, Radisson Blu Leogrand Hotel, City Park Hotel

Ásia - Timor-Leste

Não dá para pensar em outro país que lembre mais o Brasil no continente asiático que Timor-Leste. É uma das duas nações do Sudeste Asiático que tem maioria cristã (a outra são as Filipinas) e tem o português como língua oficial.

O nome não é lá dos mais criativos: “Timor” vem do malaio e quer dizer “leste”. O Leste, obviamente, vem do português. Pleonasmo bilíngue: a tradução para Timor Leste seria “Leste-Leste”.

O mais novo país do século 21 (declarou independência da Indonésia em 2002) foi território português por séculos (passou por domínio indonésio após a saída dos portugueses) e herdou, além do idioma e religião, a arquitetura portuguesa, que pode remeter a alguns lugares do Brasil.

Um dos casos compartilhados com o país sul-americano é um dos principais pontos turísticos: o Cristo Rei - uma estátua de 27 metros de altura que representa Jesus. Cristo foi colocado sobre o globo terrestre observando o oceano. A estátua se encontra bem próxima da cidade de Díli, capital do país, na península de Fatucama. Ela foi projetada por Mochamad Syalillilahn e inaugurada em 1996, sendo um presente do governo da Indonésia ao povo timorense.

Um dos grandes segredos do país é a paradisíaca Ilha de Jaco, uma ilha inabitada que só pode ser visitada apenas ao dia. Lá você poderá ver praias de areia branca, aves como o pombo-cuco-pardo e o assoviador-de-peito-creme e uma grande biodiversidade nas águas do mar próximas, que são repletas de corais.

Em Díli, não dá para perder a chance de conhecer a bela praia de Metinaro. Ainda dá para visitar o Museu da Resistência Timorense, que conta a história do seu povo e a luta pela independência. Algumas igrejas na capital também resgatam a arquitetura portuguesa. Em Baucau, a 122 km da capital, dá para conhecer o Mercado Municipal, construção lusitana do começo do século 20.

Em 2017, apenas 74 mil pessoas visitaram o jovem país, que completa 18 anos de independência em maio deste ano.

Como chegar: Não há voos diretos entre Brasil e Timor-Leste, sendo necessário fazer escala na Austrália, Singapura ou Indonésia.

Visto: Para entrar no país é necessário passaporte de viagem e um visto de turista que será retirado no aeroporto de Díli, sendo válido por 30 dias renováveis.

Onde ficar: Balibo Fort Hotel, Beachside Hotel Dili, Discovery Inn

África - Comores

Outro país jovem, Comores é um arquipélago de quatro grandes ilhas nascidas de atividade vulcânica: Gran Comore, onde fica a capital Moroni, Anjouan, Mohéli e Mayotte, região que nega ser parte de Comores e reivindica ser departamento ultramarino francês.

O país africano declarou independência da França em 1974 e amargou anos de instabilidade política - foram mais de 20 golpes de Estado desde a separação com os franceses até hoje. Esse é um dos motivos que podem ter colaborado Comores a não ter recebido a atenção dos turistas, que costuma se direcionar para as ilhas vizinhas de Madagáscar, Maurício e Seychelles.

Comores produz 80% de toda a produção mundial de Ylang-Ylang, flor que é matéria-prima para o Chanel Nº 5, um dos perfumes mais caros do mundo. Por lá, há uma grande concentração de temperos aromáticos, sobretudo cravo e baunilha - o que lhe rendeu apelido de Ilhas Perfumadas.

Além do tour para conhecer os aromas e sabores do arquipélago, vale a pena conhecer a fauna do país, cheia de espécies endêmicas. É o caso do morcego frugívoro de Livingstone - sua asa pode alcançar a envergadura de um metro e meio - ou dos peixes celacantos, que eram acreditados de terem entrado em extinção até serem redescobertos na metade do século 20. No Parque Nacional de Mohéli, fundado em 2001, é possível conhecer alguns dos espécimes, além de tubarões e baleias.

Na ilha de Gran Comore é possível visitar o monte Karthala, principal vulcão ativo do país. Já em Anjouan é possível conhecer praias espetaculares com areia branca e água azul-turquesa. A circulação entre cada uma das ilhas é feita em voos curtos, que podem levar 25 minutos de duração.

O país possui uma grande diversidade de etnias já que foi uma rota importante de comércio antes da fundação do canal de Suez. Por lá passaram - e ficaram - comerciantes árabes, malaios e povos africanos. Em 2017, 28 mil pessoas visitaram Comores.

Como chegar: Não há voos diretos entre Brasil e Comores, sendo necessário fazer escala na Tanzânia, Etiópia, Madagascar, Qatar, Moçambique ou Quênia.

Visto: Passaporte e tíquete de ida e volta são requeridos. Todos os viajantes a Comores ganhar um visto gratuito de 24 horas na chegada. No dia seguinte, os visitantes devem ir ao escritório de imigração em Moroni para mudar o status do visto. Uma taxa é cobrada, de acordo com a duração da estadia.

Onde ficar: Hotel Retaj Moroni, Moifaka Studio Hotel, Mohéli Laka Lodge,

Américas - Dominica

Conhecida como Ilhas da Natureza, Dominica é o ponto perfeito no Caribe para o ecoturismo. A maior parte de seu território é coberto por florestas tropicais e fauna única. Os apreciadores de aves lá podem conhecer o colorido papagaio-imperial - presente na bandeira do país - que pode ser visto no Parque Nacional de Morne Trois Pitons, principal dos parques de Dominica, tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1997.

Um dos vários atrativos é o Lago Fervente, uma fumarola alagada localizada no Vale da Desolação. A difícil escalada no monte é recompensadora: o lago tem 60 metros de diâmetro e é de profundidade desconhecida. De cima do monte é possível ver as praias de Dominica e a ilha de Martinica.

Se escalada não é a sua preferência, a dica é conhecer o Recife de Champagne, assim chamado por causa das bolhas que podem ser vistas ao submergir no local - consequência da atividade vulcânica embaixo da área. O recife garante uma vastidão de cores, e, se você tiver sorte, pode encontrar restos de um navio espanhol naufragado no século 17.

Se isso não é o suficiente, há spas naturais, inúmeras trilhas pelas vastas florestas, cachoeiras e tantas outras possibilidades num local que foi visitado por apenas 71 mil pessoas em 2017.

Como chegar: Não há voos diretos entre Brasil e Dominica, sendo necessário fazer escala nos Estados Unidos e depois em Antígua e Barbuda, Barbados, Martinica, São Martinho, Porto Rico, Guadalupe ou Santa Lúcia.

Visto: Há a dispensa de visto por até 90 dias.

Onde ficar: Hotel The Champs, La Flamboyant Hotel, Jungle Bay Hotel

Oceania - Tuvalu

Entre os países mencionados na lista, Tuvalu é o menos visitado. Somente duas mil pessoas visitaram o país em 2017, o que, curiosamente, corresponde a aproximadamente 20% da população do país (11.192 pessoas, de acordo com o censo de 2017). Um dos lugares mais remotos do mundo, Tuvalu é um conjunto de três e ilhas e seis atóis. Em um dos atóis está a capital Funafuti.

Uma das principais fontes de renda para Tuvalu vem da internet. O país é dono do domínio .tv e comercializa os direitos de uso para que sites de streaming como a Twitch.tv. De acordo com o jornal The Washington Post, o país recebe cerca de 5 milhões de dólares por ano da empresa americana Verisign para que ela administre o domínio no mundo inteiro. O acordo foi feito em 2011 e tem fim previsto para 2021.

Tuvalu é um dos países mais ameaçados com o aumento do nível do mar causado pelo aquecimento global. A situação desesperadora levou o país a estabelecer um acordo com a vizinha Nova Zelândia para que os moradores da pequena nação possam emigrar para lá.

E caso você deseja visitar a nação, não se assuste com o barulho de sirenes: o único aeroporto de Tuvalu, em Funafuti, usa do recurso para avisar moradores a sair da pista de pouso, já que o pequeno lugar é costumeiramente usado para outras atividades.

Em Tuvalu dá para aproveitar a beleza das praias, com a beleza típica das ilhas da Oceania, e conhecer mais da cultura e do povo, que, estima-se, chegou ao há dois mil anos. Como é pouco visitado, não há lugares para comprar souvenirs, mas uma boa opção é visitar o Centro de Artesanato Feminino.

Tuvalu tem várias iniciativas de conscientização da população sobre as consequências do aquecimento global para não acabar por ver toda a história do lugar ser inundada pelo próprio mar.

Como chegar: Não há voos diretos entre Brasil e Tuvalu, sendo necessário fazer escala em Fiji ou Kiribati.

Visto: Há a dispensa de visto por até 90 dias.

Onde ficar: Afelita Island Resort , Fakasagi Lodge

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