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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 15 de dezembro de 2018


Volta às aulas e o choro... dos pais

Volta às aulas e o choro... dos pais

Adultos também têm que se adaptar e confiar, para deixar as crianças na escola sem lágrimas

Redação com agências - 15/02/2018 - 22:36:11

Lauriene e Alice: começo foi difícil, mas hoje em dia só sorrisos

A primeira semana de aula da Alice, de 1 ano e 4 meses, foi inesquecível... para a mãe dela, a vendedora Lauriene Fernandes, de 29 anos. No primeiro dia de aula, ela ficou o tempo todo com a Alice na sala. Até aí, tudo bem. Mas, no segundo dia, foi aquela choradeira. E das duas. Enquanto Alice não conseguia ficar sem a mãe, e esticava os bracinhos para ser levada embora dali, a mãe teve dificuldade para deixar a filha na escola, e chorava pelos corredores, até chegar ao carro, para ir embora aos prantos.

"Foi terrível escutar o choro dela, parecia que eu estava abandonando minha filha, que ela estava sofrendo, e me sentia culpada. Questionei-me se aquele era realmente o melhor momento de colocá-la na escola. Quase voltei atrás dessa decisão", conta Lauriene.

Foram duas semanas de choro, com a pequena Alice na sala de aula e a mãe no corredor. Filha única, primeira escola da menina e primeira experiência da mãe com a educação da criança. Como se adaptar àquela novidade na rotina das duas? Paciência, muita paciência, foi a recomendação da pedagoga Carmen Oliveira, da Escola21. Ela pôs em prática o plano de ação da instituição para casos como de Lauriene.

“No primeiro dia de aula deixamos os pais ficarem dentro da sala, junto com os filhos. No segundo, eles ficam na escola, porém fora da sala. E também não ficam visíveis para a criança, e só são acionados se houver necessidade. Outra estratégia, se necessário, é deixar que a criança vá até o pai ou a mãe, e nunca o contrário. De outra forma, pode fazer com que o aluno desenvolva o hábito de chorar sempre que quiser a presença de um dos pais”, explica.

Caso a situação aperte, e os pais “chorem” mais que os filhos, também tem uma metodologia pronta. "Aí a gente explica que permanecer na escola pode ser prejudicial para o comportamento da criança”, complementa Carmen.

Assim como tantas outras mulheres, Lauriene colocou Alice na escola para voltar ao mercado de trabalho. O choro começou em janeiro, e um mês depois as lágrimas deram lugar aos sorrisos, das duas, inclusive. "Por orientação da Carmen, não fiquei mais na porta da sala, apenas no corredor, e assim ela foi acostumando. Eu ainda chorava porque a ouvia chorar dentro da sala. Mas quando percebi que ela já estava se adaptando à escola, às professoras e aos coleguinhas, tudo ficou melhor. Hoje, quando a deixo na escola, ela me dá 'tchau' com as mãozinhas", diverte-se Lauriene.

"O vínculo da criança com a escola deve ser sempre fortalecido, pois é aqui que ela passa boa parte do dia. O segredo está na confiança nos profissionais e no serviço prestado. A família deve conhecer bem o ambiente e as pessoas que lidam com os alunos. Esse é o segredo para que ninguém tenha que sofrer”, diz Carmen.

A mãe ex-chorona agora incentiva outros pais a tomarem coragem e também passarem por essa experiência. "Pais que têm dúvidas sobre a hora certa de colocar os filhos pela primeira vez na escola, principalmente por terem medo, devem buscar superar esse temor. É um momento delicado, realmente, mas essa adaptação leva um tempo. É bem sofrido no início ouvir o choro do filho achando que está sendo abandonado, mas depois tudo fica bem", tranquiliza Lauriene.

Dicas para controlar o medo e a ansiedade ao deixar os filhos pela primeira vez na escola

  • Quem trabalha fora pode, e deve, se dedicar ao trabalho. As mães que não têm uma ocupação devem procurar fazer um curso, academia, qualquer coisa para controlar a ansiedade. No começo, o momento de deixar o pequeno pode ser realmente difícil.
  • Estreitar o vínculo com a escola com uma ligação para saber como o filho está também é 'permitido'. Mas a regra vale somente para esse período de adaptação.
  • Conversar com outras mães ajuda bastante, pois não ser a única a estar passando por isso é confortante, e, mais importante, saber que essa fase vai passar.
  • Converse com a criança sobre a escola e o lado positivo, como fazer novos amigos, crescer, aprender coisas novas, legais e importantes.

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