Helena Schuster-pelotas, Rs (folhapress) - 10/07/2026 21:55:20 | Foto: Divulgação/Itaú / Investidor
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirmou que considera "de extrema gravidade" a descoberta da Polícia Federal sobre dossiês encomendados pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, contra o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, e a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (10), a entidade reforçou seu apoio ao Banco Central na adoção de medidas para preservar o sistema financeiro nacional e afirmou que qualquer conduta que ameaçe a integridade do sistema deve ser apurada e, quando comprovada, ter seus responsáveis punidos.
"Mais do que atingir indivíduos específicos, essas investidas, voltadas à intimidação de executivos, jornalistas, especialistas e lideranças de instituições, representam uma tentativa de enfraquecer o ambiente de confiança, transparência e segurança no setor financeiro", diz a manifestação.
Segundo a PF, Vorcaro encomendou ao publicitário Thiago Miranda, alvo de operação policial nesta quinta-feira (9), o dossiê sobre o executivo do Itaú por ele estar "causando muito problema", segundo troca de mensagens entre eles.
A investigação aponta que, dentre os materiais compartilhados pelos dois interlocutores, "destaca-se um documento contendo informações pessoais e patrimoniais de Milton Maluhy Filho e de Camila Moretti Maluhy".
Diálogos entre o ex-banqueiro e Miranda entre março e abril de 2025 também mostraram que os dois queriam "frear" o trabalho da jornalista Malu Gaspar, realizando uma busca por seus dados privados.
A defesa de Thiago Miranda afirmou, em nota de quinta-feira (9), que o publicitário "refuta de forma categórica" a prática de qualquer ilegalidade e sustenta que sua atuação profissional sempre foi pautada pela legalidade, transparência, respeito às instituições e à liberdade de expressão.
Segundo os advogados, ele não praticou qualquer ato criminoso nem participou de condutas destinadas a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros.
A PF apreendeu celulares e demais equipamentos eletrônicos utilizados pelo publicitário em sua residência. Segundo as autoridades, a ação apura a atuação coordenada em redes sociais voltada, em tese, a comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil.
As investigações apuram, ainda, a atuação de possível organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades públicas, à obtenção indevida de informações sigilosas e à adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais.
Segundo a PF, os fatos investigados podem, em tese, configurar crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos correlatos, incluindo possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.
Para a Febraban, esses fatos "geram indignação" por ocorrerem em contexto em que "autoridades, associações setoriais e agentes do mercado atuaram, com firmeza, para proteger a estabilidade do sistema financeiro, incluindo medidas relacionadas à governança e ao funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)".



















