André Richter - Repórter Da Agência Brasil - 21/08/2026 18:25:18 | Foto: Divulgação Portal Brasil 247
JOSÉ MARQUES E LUÍSA MARTINS-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal diz ter encontrado suspeitas sobre mais diretores do BRB (Banco de Brasília) no inquérito que investiga a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e pediu mais 60 dias ao STF (Supremo Tribunal Federal) para concluir a investigação.
A tendência é que o ministro André Mendonça, relator do caso, conceda a prorrogação. No documento enviado ao Supremo nesta quinta-feira (20), a PF diz que será necessário colher depoimentos de integrantes da Diretoria Colegiada do BRB que aprovaram operações financeiras do Master. A informação sobre o envio do relatório foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela reportagem. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é um dos investigados neste inquérito e está preso desde o dia 16 de abril. O relatório da PF foi enviado ao ministro do Supremo junto com laudos periciais que levantam suspeitas sobre as decisões tomadas por diretores do banco. Costa é investigado por seu papel na tentativa de compra do Master pelo BRB e na compra de carteiras oferecidas pelo banco de Vorcaro, além das operações em que o banqueiro e seus associados se tornaram acionistas do Banco de Brasília. Costa esteve à frente do BRB de 2019 a novembro de 2025 por indicação do então governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB). Antes de assumir o comando do BRB, trabalhou por quase duas décadas na Caixa, onde foi vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital. O executivo era alvo de investigações desde a primeira fase da operação, deflagrada em 18 de novembro de 2025. Na ocasião, o Ministério Público Federal chegou a pedir a prisão do executivo, mas a medida foi negada pela Justiça Federal, que determinou apenas seu afastamento do comando do banco. Ele foi afastado do cargo por 60 dias por determinação judicial e demitido no dia seguinte pelo então governador. Foi substituído por Nelson Souza, ex-presidente da Caixa. No início de abril, o BRB entregou à PF o relatório final de uma auditoria independente sobre seus negócios com o Master. O material consolidou suspeitas que já vinham sendo apuradas desde a primeira fase da operação. A auditoria aponta que as operações de compra de carteiras do Master eram tratadas internamente como "negócio do presidente" e conduzidas sob pressão e urgência. Ao todo, o BRB comprou R$ 21,9 bilhões em carteiras do banco de Vorcaro. Parte relevante desses ativos, cerca de R$ 12,3 bilhões, apresenta indícios de ausência de lastro, inconsistências estruturais e vícios documentais.Audiência no Supremo Tribunal Federal sobre empréstimo ao BRB termina sem avanços
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), realizou nesta quinta-feira (13) uma audiência de mediação para tentar destravar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões que o Banco de Brasília (BRB) busca junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir parte do rombo provocado pela compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master.
A audiência terminou sem avanços, e as partes envolvidas no caso decidiram que as negociações vão continuar.
Em maio deste ano, Fux chancelou o acordo no qual o FGC, entidade privada que reúne bancos públicos e privados, avaliaria a concessão do empréstimo ao BRB, sem aval financeiro do governo federal. O fundo receberia como garantia as verbas federais que são destinadas ao governo do Distrito Federal (GDF) por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Contudo, as negociações não prosperaram, e o GDF entrou com uma petição no STF para informar que o acordo não foi colocado em prática.
O impasse envolve as regras para eventual calote por parte do governo distrital. Os bancos que fazem parte do FGC querem garantias de que vão conseguir acessar os recursos do FPE e FPM, que são recursos públicos, em caso de inadimplência.
Os bancos também têm dúvidas sobre a viabilidade do plano de negócios do BRB para os próximos anos.
Durante a audiência de hoje, o Governo do DF ressaltou que o empréstimo será concedido ao GDF, controlador do BRB, e não ao banco. O governo é o controlador da instituição.
O GDF reconheceu que o BRB não divulgou seu balanço financeiro após o surgimento da investigação do caso Master, mas ponderou que todas as informações financeiras foram enviadas ao FGC.
Segundo a governo da Capital, o balanço só será publicado após a concessão do empréstimo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também participou da audiência e reforçou que a União não será avalista do empréstimo.
Durigan disse que o BRB é um banco sólido, mas teve um "problema grave", que não foi gerado pela União.
Apesar disso, o ministro afirmou que o governo federal foi proativo e sugeriu soluções ao participar da mediação.
"A União não tem nada que ver com essa história. É um problema gerado pelo governo do DF, com o BRB, que tem que ser tratado pelos responsáveis", completou.
O empréstimo é uma exigência do Banco Central (BC) para recompor as contas do banco após as fraudes apontadas pelas investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Em setembro do ano passado, o BC rejeitou a compra do Master pelo BRB ao encontrar diversas fraudes, entre elas, ativos financeiros sem lastro financeiro.
Edição:
Aline Leal



















