Agência Gov | Via Secom-pr - 10/01/2026 08:53:22 | Foto: MCTI
A ciência brasileira consolidou, ao final de 2025, o seu maior ciclo de investimentos da história recente, impulsionado pela liberação integral dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal instrumento de financiamento público da ciência, tecnologia e inovação no Brasil.
Com uma execução orçamentária que atingiu média anual de R$ 10 bilhões no triênio 2023/2024/2025, o Governo do Brasil reposicionou a soberania tecnológica como motor do desenvolvimento. Essa estratégia não apenas reverteu o desmonte institucional anterior, mas injetou aproximadamente R$ 30 bilhões em três anos para financiar infraestrutura de ponta, pesquisas estratégicas e a formação de capital humano qualificado.
Em 2025, os investimentos bateram mais uma marca histórica. A liberação de recursos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e principal operadora do fundo, atingiu um recorde: com orçamento aprovado em R$ 14,66 bilhões, investiu, até o 2º trimestre do ano, R$ 8,39 bilhões.
NOVA INDÚSTRIA BRASIL — Nesse contexto, 64% dos recursos do FNDCT passaram a ser destinados às missões da Nova Indústria Brasil e ao Novo PAC. Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei nº 847/2025 , que aprimora a destinação dos recursos do Fundo e autoriza o uso do superávit financeiro para a concessão de empréstimos.
A medida permite a liberação de cerca de R$ 22 bilhões do FNDCT para financiar pesquisa, inovação e a transição para uma economia mais verde, digital e competitiva.
“2025 foi o ano em que consolidamos a volta da ciência ao centro do projeto de desenvolvimento nacional. Não estamos fazendo ciência apenas para publicar artigos, mas para garantir a soberania do Brasil e melhorar a vida das pessoas. Com o maior PAC da Ciência da história e o lançamento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê mais de R$ 23 bilhões em investimentos, estamos equipando o país para não ser mero consumidor de tecnologia estrangeira, mas produtor de soluções”, declarou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
INOVAÇÃO — A liberação dos recursos do FNDCT impulsiona diretamente a inovação nas seis missões da Nova Indústria Brasil e nas Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs). A política prioriza a integração entre pesquisa, setor produtivo e desenvolvimento regional, com foco na interiorização da ciência, na redução das desigualdades territoriais e no fortalecimento de ecossistemas locais de inovação.
Na prática, os investimentos ampliam a infraestrutura científica, fortalecem redes de pesquisa e criam oportunidades em todas as regiões do país. O resultado é a geração de empregos qualificados em pesquisa e desenvolvimento, com maior inserção de doutoras e doutores em empresas, parques tecnológicos, universidades e startups, aproximando a produção científica das demandas da sociedade e da indústria nacional.
A recuperação da infraestrutura de pesquisa é garantida pelo Pró-Infra. Em 2025, o programa registrou o maior investimento de sua história: R$ 1,5 bilhão. Os recursos estão sendo aplicados diretamente na recuperação de 75 projetos em 42 instituições de ciência, tecnologia e inovação (ICTs). O objetivo é a conclusão de obras civis e a compra de grandes equipamentos, um legado direto para a capacidade de pesquisa nacional.
Os avanços já se traduzem em soluções concretas. O Brasil avançou no desenvolvimento e na fabricação de ônibus elétrico 100% nacional, com tecnologia limpa e inovadora. Projetos como o coquetel enzimático, que amplia a produção de etanol a partir de resíduos agrícolas, e o barco voador para a Amazônia — com capacidade para até 10 passageiros ou uma tonelada de carga, velocidade estimada de 150 km/h e alcance de 450 km — demonstram como a ciência aplicada melhora a logística, reduz impactos ambientais e contribui para o desenvolvimento sustentável da região.
QUALIDADE DE VIDA — “O Governo do Brasil está do lado da ciência e da comunidade científica. O investimento público em pesquisa retorna para o povo brasileiro em forma de saúde, segurança, geração de empregos e qualidade de vida. É por meio da ciência que produzimos vacinas e medicamentos, criamos tecnologias para a indústria, geramos produtividade no campo, monitoramos desastres naturais e garantimos resiliência das cidades”, declarou o presidente Lula, durante a 6ª reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), em dezembro.
Já o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, relacionou as políticas de ciência e tecnologia com os bons resultados da economia brasileira. “Para ver os bons frutos de todo esse trabalho da ciência e tecnologia, no ano passado o PIB brasileiro cresceu 3,4%, impulsionado pela indústria de transformação, que cresceu 3,8%. E, quando a gente abre a indústria de transformação, a indústria de alta tecnologia cresceu mais de 6%”, declarou.
SAÚDE — Na área da saúde, os investimentos em ciência e tecnologia fortalecem a autonomia nacional e elevam a qualidade do cuidado oferecido à população. Um dos destaques é o desenvolvimento de um teste molecular nacional para predição de recorrência do câncer de mama, que combina genômica e inteligência artificial.
A inovação permite identificar pacientes com menor risco de recidiva da doença, contribuindo para reduzir o uso desnecessário de quimioterapia, minimizar efeitos colaterais e tornar o tratamento mais eficiente e personalizado. Ao mesmo tempo, a tecnologia fortalece a capacidade do país de desenvolver soluções próprias em diagnóstico e medicina de precisão, alinhadas às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
INFRAESTRUTURA CIENTÍFICA — Na infraestrutura científica, o Governo do Brasil ampliou os investimentos do Novo PAC para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, totalizando R$ 12,1 bilhões.
Mais da metade desse valor será aplicada em grandes empreendimentos estruturantes, como o acelerador de partículas Sirius – que produz luz síncrotron para investigar a composição e a estrutura da matéria –, o novo supercomputador voltado à inteligência artificial e o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), que juntos somam cerca de R$ 6,5 bilhões.
O RMB representa um avanço estratégico para a ciência e a tecnologia nuclear no Brasil. Ele fortalece a infraestrutura do setor e amplia a capacidade de pesquisa e inovação, com aplicações em áreas como saúde, indústria, agricultura e meio ambiente, e será um grande centro de pesquisa científica que utiliza tecnologia nuclear para fins pacíficos e em benefício da sociedade.
SUPERCOMPUTADOR JACI — Em 2025, o Brasil inaugurou o supercomputador Jaci , que abre um novo ciclo de supercomputação científica no país. O equipamento amplia de forma significativa a capacidade nacional de realizar previsões meteorológicas mais rápidas e detalhadas, aprimorar a modelagem climática e fortalecer o monitoramento ambiental e os alertas de desastres naturais.
C om maior poder de processamento, o Jaci viabiliza a operação plena do Monan, modelo brasileiro de previsão climática e oceânica, elevando a precisão das análises sobre as condições ambientais da América do Sul e apoiando áreas estratégicas como agricultura, defesa civil e planejamento territorial.
CONECTIVIDADE ACADÊMICA — Outro destaque é a conectividade acadêmica. O país alcançou um recorde histórico por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), com a expansão de redes de fibra óptica equivalente a uma volta ao mundo. Pela primeira vez, redes de 100 gigabits por segundo chegaram ao interior das regiões Norte e Nordeste. O impacto é direto: 1,7 mil unidades de ensino e pesquisa atendidas, 180 mil pesquisadores, 3,8 mil programas de pós-graduação e 16 ambientes de inovação fortalecidos.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL — A inteligência artificial passou a ser tratada como política pública estruturante. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) orienta as ações do país entre 2024 e 2028. Das 54 ações previstas, 25 já foram entregues e 16 estão em andamento. Entre 2025 e 2028, serão investidos R$ 92,8 milhões em oito Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), superando a meta inicial de cinco.
Com investimento total previsto de R$ 23 bilhões em quatro anos, o PBIA busca transformar o Brasil em referência mundial no uso da inteligência artificial, especialmente no setor público, com foco em geração de empregos e melhoria de serviços à população.
GOVERNO DIGITAL — A agenda de governo digital, desenvolvida em parceria com o MGI e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), reforça a ideia de um governo voltado para cada cidadão. Iniciativas como a SoberanIA , modelo de linguagem treinado em português, fortalecem a soberania digital, a segurança dos dados e o apoio a políticas públicas em áreas como saúde e educação.
A formação e a capacitação acompanham esse movimento. O Governo do Brasil ampliou investimentos em bolsas de iniciação científica à pós-graduação e fortaleceu a ligação com empresas. As Residências em TICs receberam investimento de R$ 277 milhões, com a formação de 40 mil estudantes de graduação. A Residência em Hardware conta com R$ 88 milhões desde 2024 e prevê capacitar até 7,5 mil estudantes de engenharia.
O programa Hackers do Bem já capacitou 35 mil alunos e profissionais de TI em segurança cibernética, com investimento de R$ 34 milhões, oferecendo formação gratuita e on-line.
FUTURO DIGITAL — A Bolsa Futuro Digital investe R$ 54 milhões para criar 10 mil vagas em dois anos, com apoio financeiro aos estudantes durante nove meses de formação em desenvolvimento front-end ou back-end. Os alunos com melhor desempenho poderão participar de residências tecnológicas em empresas parceiras. A iniciativa busca ampliar a inclusão digital e social, democratizar o acesso à tecnologia e fortalecer a soberania nacional.
REPATRIAÇÃO DE TALENTOS — O programa de repatriação e fixação de talentos investe mais de R$ 200 milhões por ano, somando R$ 1 bilhão em cinco anos. Mais de 2,5 mil pesquisadores demonstraram interesse, com 599 aprovados. Desses, 248 estão disponíveis para convocação e 251 têm retorno em fase de planejamento. Do total de projetos de formação de redes, 34% envolvem instituições das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
EDUCAÇÃO — A ciência também chegou com mais força às escolas e à sociedade. Houve recuperação de acervos científicos, investimento de R$ 60 milhões em feiras de ciências e olimpíadas científicas e ampliação do programa Mais Ciência na Escola, que alcança 2 mil instituições, 20 mil estudantes e 2 mil professores.
A iniciativa, realizada pelo MCTI e pelo Ministério da Educação (MEC), tem como objetivo promover o letramento digital e a educação científica através da implantação de laboratórios maker, que são espaços montados dentro de escolas públicas do país onde os estudantes podem colocar em prática ideias e criações inovadoras.
A Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024–2034, sob o lema “CT&I para um Brasil Justo, Desenvolvido e Soberano”, organiza essas ações em quatro eixos: expansão do sistema nacional de CT&I; inovação empresarial alinhada à Nova Indústria Brasil; projetos estratégicos em áreas críticas como semicondutores, minerais estratégicos e tecnologias digitais; e CT&I voltada ao desenvolvimento social e à popularização da ciência.
OLIMPÍADAS — O incentivo à ciência começa cedo. A Olimpíada Nacional de Ciências 2025 recebeu mais de 5 milhões de inscritos, de 99% dos municípios brasileiros, do ensino fundamental ao ensino médio. Com o tema Oceano, a edição promoveu a reflexão sobre a importância dos mares para o equilíbrio do planeta.
“Achei muito legal o tema oceano, gostei de participar, e não esperava ficar entre os melhores, mas estou feliz de estar aqui recebendo este prêmio”, disse o estudante Gustavo Chaves, de 12 anos, medalhista na categoria de Nível A, que acolhe alunos do 6º e 7º ano.
Incentivo reforçado nesta quinta-feira, 8 de janeiro, com a publicação da Lei nº 15.331 no Diário Oficial da União . Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a nova lei institui o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento, a ser celebrado, anualmente, no mês de julho. Com a oficialização, o Governo do Brasil espera valorizar e incentivar ainda mais a participação de estudantes, reconhecendo essas competições como instrumentos de estímulo ao aprendizado, à identificação de talentos e à promoção da ciência, da inovação e da cultura do conhecimento no país.
LABORATÓRIO A CÉU ABERTO — A popularização da ciência também ganhou escala nacional. A 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia reuniu cerca de 100 mil visitantes ao longo de seis dias, com 65 horas de programação, transformando a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em um grande espaço de experimentação, aprendizado e diálogo com a sociedade. Com atividades interativas, participação internacional e estandes temáticos voltados à cultura científica, o evento consolidou-se como uma das maiores ações de aproximação entre ciência e cidadania no país.
Entre as vozes da nova geração, a aluna Maria Clara Rabelo, de 15 anos, do primeiro ano, sintetizou o espírito do evento: “Eu nunca tinha pensado que a ciência podia ser tão próxima. Aqui eu vi que ela tá em tudo, até nas coisas simples que a gente gosta e quer entender melhor”, contou.
As ações de popularização da ciência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação impactaram mais de 20 milhões de pessoas em todo o país em 2025, por meio de eventos, projetos e iniciativas que aproximam o conhecimento científico da sociedade. A pasta investiu cerca de R$ 550 milhões em parcerias e atividades, como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, olimpíadas científicas e feiras de ciências.
BOLSAS — O fortalecimento do sistema de bolsas do CNPq reforça esse balanço positivo. Em 2025, foram 97,2 mil bolsas ocupadas, frente a 78,9 mil em 2022, 92,5 mil em 2023 e 91,3 mil em 2024. No ano passado, foram pagos R$ 2,32 bilhões, com 53,41% das bolsas ocupadas por mulheres. Pessoas negras ocuparam 33,40% das bolsas, ampliando a inclusão no sistema científico.
PREVENÇÃO DE DESASTRES — O fortalecimento da infraestrutura científica também amplia a capacidade do país de prevenir e responder a desastres naturais. Na área de monitoramento e alerta, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) acompanha atualmente 1.133 municípios com risco de eventos hidrológicos e deslizamentos de terra.
O sistema opera cerca de 3,7 mil equipamentos de coleta de dados ambientais e conta com cobertura de radar meteorológico em mais de 1,5 mil municípios, ampliando significativamente a proteção da população. Esses investimentos, integrados ao Novo PAC, permitem respostas mais rápidas, previsões mais precisas e ações coordenadas de defesa civil, contribuindo para a redução de perdas humanas, sociais e econômicas.
A ampliação da cobertura de monitoramento e alerta já protege cerca de 73% da população brasileira, reforçando o papel da ciência como ferramenta estratégica para a resiliência das cidades e a adaptação às mudanças climáticas.



















