Interligação digital: Riscos de ataques cibernéticos reforçam necessidade de resiliência digital
Interligação digital: Riscos de ataques cibernéticos reforçam necessidade de resiliência digital

Agência Onu News - 07/05/2026 09:14:50 | Foto: Unsplash/Philipp Katzenberger

Atualmente, cerca de 70% da população mundial depende da internet para serviços essenciais. A intensa interligação digital que une setores críticos das sociedades enfrenta uma “epidemia global do crime cibernético”, cujos custos anuais de bilhões de dólares afetam infraestruturas civis e humanitárias.

A declaração é do diretor do Instituto das Nações Unidas para Pesquisa sobre Desarmamento, Unidir, Robin Geiss.

Resposta conjunta e coordenada
O reconhecimento da crescente sofisticação e frequência dos ataques cibernéticos impulsionou uma mudança conceptual na resposta às ameaças digitais contemporâneas.

Já não se trata apenas de promover a cibersegurança nas redes individuais.

Agora, é necessário garantir que sistemas e sociedades consigam responder de forma conjunta e coordenada antes, no decorrer e após um ataque bem-sucedido.

Nos últimos anos, os ciberataques tornaram-se mais frequentes e sofisticados, com impactos sobre um leque diversificado de atores e setores governamentais e da sociedade civil, constituindo uma ameaça à paz e à segurança internacional.

Ataque por mais de 150 países
Se, em 2017, o incidente “NotPetya” se traduziu numa perda de 10 mil milhões de dólares para empresas de todo o mundo, no mesmo ano, o ataque cibernético com o software “WannaCry” comprometeu o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, espalhando-se por mais de 150 países.

Já em 2022, um outro ataque cibernético contra o Comité Internacional da Cruz Vermelha (Cicv) expôs os dados sensíveis de mais de meio milhão de pessoas.

Por sua vez, a fragmentação do domínio digital atual – impulsionada pelos rápidos desenvolvimentos tecnológicos, pelas abordagens políticas e regulatórias distintas, bem como pelas assimetrias na capacidade organizacional de Estados e organizações – compromete a adoção de uma abordagem global e intersetorial na proteção contra as ameaças cibernéticas comuns.

Resiliência cibernética
Este conjunto de lacunas estruturais dificulta a cooperação internacional e incapacita empresas, organizações e Estados de gerirem de forma autônoma os riscos cibernéticos.

Ao mesmo tempo, a fragmentação digital veio reforçar a necessidade de promoção de abordagens coletivas e multilaterais, ao abrigo do conceito emergente de resiliência cibernética.

As Nações Unidas têm promovido várias iniciativas que visam a implementação de uma base comum para a arquitetura de resiliência cibernética e a cooperação no domínio cibernético entre Estados, organizações e sociedade civil no mundo.

Na sequência da reafirmação, em 2021, das “11 normas voluntárias e não vinculativas de comportamento responsável dos Estados no ciberespaço”, aprovadas pela Assembleia Geral da ONU em 2015, será também lançado, nos próximos meses, o Mecanismo Global das Nações Unidas para a Segurança das Tecnologias de Informação e Comunicação, TIC.

Parceria estratégica
Este novo mecanismo constitui um canal que proporcionará uma ação coordenada e integrada entre as entidades governamentais, na construção da ciberresiliência e na proteção das infraestruturas críticas assentes nos sistemas digitais.

É o caso dos sistemas de saúde, mercados financeiros e outros serviços públicos essenciais no dia a dia da população mundial.

Já através da parceria estratégica entre os setores da indústria, da sociedade civil e do meio académico, plataformas inclusivas como a Conferência sobre Estabilidade Cibernética do Unidir ou a Geneva Cyber Week 2026, atualmente em curso, visam promover a capacitação, a partilha de conhecimentos e a cooperação eficaz na segurança do ciberespaço.

No seu conjunto, estas iniciativas de resiliência digital reforçam uma abordagem cooperativa e multilateral, unindo os vários setores governamentais, sociais e empresariais numa resposta coletiva, informada e coordenada no combate ao cibercrime.