Por João Zisman: Izalci é preterido e espremido pelas donas do PL do Distrito Federal
Por João Zisman: Izalci é preterido e espremido pelas donas do PL do Distrito Federal

Por João Zisman - 28/04/2026 18:37:40 | Foto:

O noticiário das últimas 24 horas no Distrito Federal não trouxe avalanche de fatos, mas deixou algumas coisas mais claras do que estavam. De um lado, o PL resolveu parar de disfarçar uma disputa interna que já existia. De outro, o governo segue mexendo nas peças do caso BRB, tentando ajustar o que ainda não fechou direito.

Izalci Lucas decidiu se lançar pré-candidato ao Governo do DF. Foi um movimento dele. Não do partido. E isso apareceu rápido. Bia Kicis, que comanda o PL no DF, foi direta ao dizer que não houve decisão partidária alguma nesse sentido. Michelle Bolsonaro foi na mesma linha e reafirmou o apoio a Celina Leão.

Desde o começo, Izalci “arrudiou”. Saiu do trilho do próprio partido e tentou construir um caminho próprio. O problema é que o PL já tinha escolhido o seu. E não era ele. Esse desalinhamento não é detalhe. É o tipo de coisa que fecha porta antes mesmo de a campanha começar.

A situação dele fica apertada. Izalci não foi só deixado de lado. Foi preterido e espremido. Tentou ocupar um espaço que já estava sendo organizado por outras lideranças dentro do partido. E, ao fazer isso sem combinar o jogo, acabou ficando sem o respaldo que precisaria para sustentar a candidatura.

E aí o cenário fica mais curto. A reeleição ao Senado, que seria o caminho natural, já não parece tão disponível dentro do próprio partido. Sobram alternativas menos confortáveis. Tentar uma vaga na Câmara Federal, talvez na distrital, para continuar com mandato. Ou recuar, sair da disputa majoritária e atuar como cabo eleitoral de outro projeto. Em caso de vitória desse grupo, pode até aparecer espaço em governo. Mas isso tudo é hipótese. Depende de muita coisa dar certo ao mesmo tempo.

Esse episódio não muda o quadro eleitoral do DF de imediato. Mas muda o clima dentro do PL. O que antes ficava restrito a bastidor agora está exposto. E com recado claro de quem manda e de quem ficou sem espaço.

Enquanto isso, o governo segue lidando com outro tipo de problema. O GDF pediu à Câmara Legislativa para retirar dois imóveis da lei que sustenta a capitalização do BRB. A justificativa é técnica, envolve restrições de uso e questões jurídicas. Na prática, mostra que a operação continua sendo ajustada no meio do caminho.

A decisão do STF que manteve a possibilidade de usar bens públicos continua valendo e segura a estrutura do plano. Mas isso não elimina o desgaste nem a necessidade de correção. O tema segue sensível e qualquer movimento ainda é acompanhado de perto.

O BRB continua sendo o problema mais pesado na mesa. Mas, neste momento, o que mais chama atenção é outra coisa. Um partido importante da base resolveu expor suas próprias limitações. E, no meio disso, um senador descobriu que vontade individual não garante lugar no jogo.