Por João Zisman - 11/06/2026 11:21:05 | Foto: Museu Nacional da República durante a itinerância da 35ª Bienal de São Paulo - © Thiago Sabino / Fundação Bienal de São Paulo
O BRB ficou para trás, sem que ninguém declarasse oficialmente o encerramento, como costuma acontecer com os episódios institucionais quando esgotam sua energia. E a capital vai sendo ocupada por outras coisas.
No Conic, Múcio Botelho lança sua pré-candidatura à Câmara Legislativa do Distrito Federal. O evento reúne produtores culturais, lideranças comunitárias, sindicalistas e representantes da economia criativa. O discurso gira em torno de cultura, mobilidade e moradia. O que importa politicamente não é ainda o nome, mas o gesto: a pré-campanha de 2026 começa a ocupar os espaços públicos. Devagar, sem alarde, mas de forma deliberada. Quem conhece o calendário eleitoral brasileiro sabe que esse é exatamente o momento em que as apostas começam a ser feitas, muito antes de qualquer urna.
A governadora Celina Leão escolheu o caminho da gestão territorial. Reuniu lideranças da Vila Planalto, do Noroeste e de outras áreas do Plano Piloto para discutir a próxima edição do GDF na Sua Porta, programa de entregas concentradas de serviços públicos que tem sido um dos instrumentos preferidos da atual administração para mostrar presença fora do eixo institucional. Em paralelo, avança a preparação para a ocupação do CAD-DF, em Taguatinga, que deverá transferir milhares de servidores para fora do centro da capital nos próximos meses. São decisões que afetam o cotidiano muito mais do que a maioria dos episódios que dominam o noticiário político.
A fotografia mais reveladora do dia, porém, ainda está por vir. À noite, no Ginásio Nilson Nelson, a seleção brasileira masculina de vôlei estreia na Liga das Nações diante do Irã. No Parque Hípico de Brasília, tem início o Candangão 2026. Nas escolas, paróquias e centros comunitários de Águas Claras, da Asa Norte, da Asa Sul e do Paranoá, as festas juninas começam a montar seus palcos. A cidade vai encher de gente em lugares que não são o Palácio do Buriti nem o plenário da CLDF.
Dias assim costumam passar despercebidos na cobertura política. Mas são eles que mostram, com mais precisão do que qualquer votação, como uma cidade respira fora dos momentos de crise.
























