A opinião pessoal do colunista politico João Zisman: A paz que ainda não chegou
A opinião pessoal do colunista politico João Zisman: A paz que ainda não chegou

Por João Zisman - 23/06/2026 10:21:20 | Foto: Divulgação João Zisman

A primeira era bastante animadora. Estados Unidos e Irã avançavam em entendimentos importantes, diminuía o temor de interrupções no Estreito de Ormuz e os mercados reagiam positivamente. O petróleo recuou, as bolsas subiram e voltou a circular a expectativa de que o Oriente Médio pudesse atravessar um período de menor tensão.

A segunda história era bem menos otimista.

Enquanto diplomatas falavam em avanços, continuavam surgindo declarações agressivas, movimentações militares e sinais de que os principais atores da região ainda observam uns aos outros com enorme cautela. Israel manteve operações ligadas ao cenário libanês, o Hezbollah seguiu ativo e o governo iraniano alternou manifestações de disposição para o diálogo com alertas que rapidamente voltavam a preocupar os mercados.

O resultado foi uma semana marcada por uma aparente contradição: as notícias melhoraram, mas a sensação de insegurança não desapareceu.

Talvez por isso os investidores tenham reagido de forma tão moderada. Houve alívio, mas não entusiasmo. Houve valorização dos mercados, mas sem a euforia normalmente associada ao fim de uma grande crise. Era como se todos reconhecessem que a situação melhorou, mas poucos estivessem dispostos a afirmar que ela está resolvida.

A explicação talvez seja mais simples do que parece.

Conflitos internacionais raramente terminam quando um acordo é anunciado. Eles começam a terminar quando os envolvidos passam a acreditar que os compromissos assumidos serão efetivamente cumpridos. E isso leva tempo.

Basta olhar para os próprios acontecimentos da semana. Cada avanço diplomático foi acompanhado por alguma declaração ou movimento que alimentava novas dúvidas. Nenhum desses episódios foi suficiente para desmontar as negociações, mas todos serviram para lembrar que a estabilidade da região continua sendo uma construção em andamento e não uma realidade consolidada.

O comportamento dos mercados captou exatamente essa nuance. Os investidores não ignoraram as boas notícias, mas também não ignoraram os riscos que continuam presentes. Compraram a melhora do cenário, mas ainda não compraram a ideia de que a crise ficou para trás.

É por isso que, ao final desta semana, talvez seja precipitado falar em paz. O que existe são sinais positivos, canais de diálogo funcionando e uma redução importante das tensões observadas semanas atrás. Tudo isso tem valor e não deve ser minimizado.

Mas a distância entre o início de uma negociação e a consolidação de uma paz duradoura costuma ser grande. Os acontecimentos dos últimos dias mostram que o Oriente Médio avançou alguns passos nesse caminho. A questão que permanece em aberto é quantos ainda faltam.