Por dayane Santos - Portal Brasil 247 - 12/10/2026 17:15:41 | Foto: RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL
Análise de mensagens não identificou publicações com as acusações apontadas pela campanha do candidato do PL
André Richter – Repórter da Agência Brasil – Um relatório produzido pela equipe técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou publicações falsas no canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp para postagens de apoio ao candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No domingo (11), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cuêva, derrubou decisão do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, e determinou a reativação do canal, que foi criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
O setor de combate à desinformação do TSE avaliou os textos de mensagens e os vídeos, a pedido de Nunes Marques, após as decisões conflitantes sobre a liberação do canal.
“Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos”, afirmou a área técnica.
O relatório também apresentou ressalvas sobre os conteúdos postados por Janones. Conforme as conclusões da perícia, foi observada “atuação coordenada” para disseminação de conteúdo.
“Registra-se, ainda, nas mensagens examinadas, o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito”, completou.
41 minutos
Antes da decisão de Kassio, a legalidade do canal “Exército do Lula” já estava judicializada no TSE.
A campanha de Flávio ajuizou uma ação para cassar o mandato de Janones, além de solicitar a suspensão do canal. No sábado (10), o ministro Vilas Bôas Cuêva, relator do processo, pediu que o presidenciável apresentasse informações complementares, mas não determinou a suspensão do canal.
Ao permitir a reativação do canal, no domingo, Vilas Bôas Cuêva informou que o pedido da campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) para derrubar sua decisão foi protocolado na presidência do TSE em apenas 41 minutos.
Ministros do TSE e do STF acusam Nunes Marques de atropelar decisões no segundo turno
As decisões do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, no segundo turno das eleições tem provocado críticas de integrantes da própria corte e do Supremo Tribunal Federal (STF). Ministros ouvidos pelo jornal O Globo avaliam que o magistrado abandonou a tentativa de manter uma atuação equilibrada e passou a tomar decisões que, na avaliação desses integrantes do Judiciário, desrespeitam as prerrogativas de outros juízes e a autoridade do plenário do tribunal.
Segundo a coluna de Bela Megale, quatro integrantes do TSE relacionaram a mudança de comportamento ao resultado do primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro terminou pouco menos de dois pontos percentuais à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação desses magistrados, a vantagem do candidato do PL teria levado Nunes Marques a apostar em uma atuação mais incisiva na disputa eleitoral.
“Ele ligou o trator e está vindo com tudo. Inclusive contra as prerrogativas dos juízes do próprio tribunal e contra o plenário do TSE”, resumiu um ministro da corte eleitoral, conforme relato publicado pelo jornal.
Entre os episódios que alimentaram o desconforto estão decisões tomadas pelo presidente do TSE após derrotas da campanha de Flávio Bolsonaro em julgamentos virtuais. Na sexta-feira, 9 de outubro, Nunes Marques suspendeu a análise de três processos nos quais já havia maioria favorável à campanha de Lula.
A iniciativa foi interpretada por integrantes da Justiça Eleitoral como uma intervenção no andamento de casos que caminhavam para um resultado contrário aos interesses do candidato do PL. Segundo os ministros ouvidos pela coluna, a sequência de decisões desfavoráveis a Flávio teria contribuído para que o presidente do tribunal passasse a atuar diretamente em questões centrais da disputa.
A avaliação relatada pelo O Globo é que Nunes Marques teria interpretado o resultado do primeiro turno como um sinal de que os demais integrantes da corte estariam dispostos a fazer movimentos favoráveis ao candidato bolsonarista. Essa percepção teria sido reforçada pela decisão que anulou os votos de Anthony Garotinho e assegurou a vitória, ainda no primeiro turno, de Douglas Ruas (PL), aliado de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.
Entretanto, decisões posteriores do plenário virtual contrariaram os interesses da campanha do senador, levando, na avaliação dos ministros citados pela reportagem, a uma mudança na atuação do presidente do TSE.
Outro episódio que ampliou as críticas ocorreu no domingo, 11 de outubro, quando Nunes Marques determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A medida foi tomada após solicitação da campanha de Flávio Bolsonaro.
A decisão também provocou questionamentos sobre os limites dos poderes administrativos do presidente do TSE. De acordo com integrantes da corte eleitoral e do STF ouvidos pela coluna, o magistrado teria utilizado de forma inadequada o poder de polícia atribuído ao cargo ao determinar a retirada do canal de apoio ao presidente Lula.
Na avaliação desses ministros, essa prerrogativa não autorizaria o presidente do tribunal a suspender, por iniciativa administrativa, a divulgação de conteúdos eleitorais em situações como essa. Conforme o entendimento relatado pela reportagem, o instrumento se destina a situações específicas relacionadas à proteção da própria Justiça Eleitoral, como a circulação de notícias falsas contra o TSE e ataques ao sistema eletrônico de votação.
O caso expôs uma divergência sobre os limites da atuação individual do presidente da corte em decisões que afetam diretamente a disputa eleitoral. As críticas mencionadas pelo jornal partem de integrantes do Judiciário ouvidos sob reserva e não representam, necessariamente, uma posição institucional formal do TSE ou do STF.
Por Dayane Santos - Portal Brasil 247

























