Por João Zisman - 23/07/2026 11:15:09 | Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília
Durante meses, a política do Distrito Federal viveu de hipóteses. Pesquisas apontavam tendências, dirigentes partidários alimentavam cenários, candidaturas eram anunciadas e desmentidas na mesma velocidade com que surgiam novas articulações. Era um período em que praticamente tudo parecia possível, justamente porque quase nada estava decidido.
A abertura das convenções partidárias altera esse ambiente. Não porque encerre as dúvidas da sucessão, mas porque inaugura uma etapa em que os partidos deixam de administrar expectativas para assumir compromissos. A partir de agora, candidaturas passam a existir formalmente, alianças precisam ser confirmadas e as chapas proporcionais deixam de ser um detalhe dos bastidores para se transformar em parte essencial da estratégia eleitoral.
Os acontecimentos desta quinta-feira ilustram bem essa transição. O Agir confirmou candidatura própria ao Governo do Distrito Federal e ao Senado. Na Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, as discussões continuam concentradas na composição da chapa e na definição dos espaços internos. Ao mesmo tempo, o União Brasil ainda avalia nomes para a disputa ao Senado, entre eles o do ex-secretário de Segurança Pública Sandro Avelar. São movimentos distintos, mas todos revelam a mesma realidade: os partidos começaram a definir seus caminhos.
Seria um erro, entretanto, imaginar que essas definições encerram a eleição. Elas encerram apenas a fase das especulações partidárias.
A decisão que realmente importa continua distante.
Os partidos escolhem candidatos. O eleitor ainda não escolheu, definitivamente, os seus representantes. E essa diferença explica por que pesquisas, convenções e alianças precisam ser interpretadas com cautela. Elas ajudam a organizar a oferta política, mas não antecipam o comportamento de um eleitor que, historicamente, costuma amadurecer sua decisão muito mais perto da campanha.
Esse descompasso entre o tempo dos partidos e o tempo do eleitor ajuda a compreender o momento atual do Distrito Federal. Enquanto dirigentes discutem suplências, federações, nominatas e engenharia eleitoral, a cidade continua produzindo uma agenda muito menos abstrata. As agências do trabalhador anunciam centenas de vagas. O IBGE inicia uma ampla pesquisa sobre as condições de saúde da população. O Capital Moto Week abre as portas com expectativa de movimentar o turismo e a economia local. A assistência social promove novas ações voltadas à população em situação de rua. São fatos que ocupam o cotidiano da população e que, aos poucos, formarão a percepção sobre quem governou, quem fiscalizou e quem apresentou respostas convincentes.
É justamente nesse ponto que começa a verdadeira campanha.
Não quando termina uma convenção ou quando uma pesquisa confirma a liderança de determinado candidato, mas quando as decisões tomadas pelos partidos passam a ser confrontadas com a realidade vivida pelo eleitor. A política organiza suas chapas. A cidade organiza suas prioridades. Em algum momento, essas duas agendas inevitavelmente se encontrarão.
Até lá, o Distrito Federal viverá um período curioso. As principais definições estarão acontecendo dentro dos partidos, enquanto a decisão decisiva continuará sendo construída fora deles. É por isso que o início das convenções representa mais do que uma etapa burocrática do calendário eleitoral. Marca o começo do tempo das definições, mas ainda não o fim das incertezas.


























