Agência Brasília* | Edição: Chico Neto - 30/03/2026 09:53:56 | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF
Todos os anos, a campanha Março Azul conscientiza a população sobre o câncer de intestino — também denominado câncer colorretal — , uma doença prevenível, mas que demanda bastante atenção. Em 2026, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença deve acometer mais de 53 mil pessoas no Brasil.
Arte: Agência Saúde-DF
“É importante fazer consultas médicas regularmente, em especial após os 45 anos”
Gustavo Ribas, chefe da Assessoria de Política de Prevenção e Controle do Câncer da SES-DF
Trata-se do terceiro tipo de neoplasia (tumor) mais frequente e a segunda maior causa de mortes por câncer no mundo. Uma das razões por que a doença é tão perigosa está no fato de ela, em seu início, não apresentar sintomas.
No entanto, podem ocorrer sinais como presença de sangue nas fezes, cólica e desconforto abdominal, dores ao evacuar, alteração do hábito intestinal (alternância entre diarreia e prisão de ventre), falta de apetite, anemia e perda de peso sem uma causa aparente.
Gustavo Ribas, chefe da Assessoria de Política de Prevenção e Controle do Câncer (Asccan) da Secretaria de Saúde (SES-DF), lembra que a adoção de hábitos saudáveis tende a diminuir substancialmente o risco de morte pela doença.
“A prevenção é especialmente relevante em campanhas como o Março Azul”, afirma o gestor. “São ações simples, como ter uma dieta saudável, com alimentação balanceada e rica em fibras, manter o controle do peso, realizar atividades físicas, evitar o consumo de carnes processadas e álcool, evitar o tabagismo. Também é importante fazer consultas médicas regularmente, em especial após os 45 anos.”
Ribas reforça que a porta de entrada preferencial para os serviços da SES-DF são as unidades básicas de saúde (UBSs). A partir da primeira consulta, é solicitado o exame de sangue oculto nas fezes, e, em caso positivo, o paciente é encaminhado para o serviço especializado dentro da rede de atenção para uma investigação mais aprofundada, por meio da colonoscopia.
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Em 2025, no âmbito da saúde pública do DF, foram registrados 4.414 exames de sangue oculto. O montante equivale a um aumento de quase 20% em relação a 2024 e de mais de 286% em relação a 2023, quando foram feitos 3.695 e 1.141 exames, respectivamente.
Grupos suscetíveis
Alguns dos principais fatores de risco são idade acima de 45 anos, sedentarismo, excesso de gordura corporal (sobrepeso e obesidade), abuso de álcool, tabagismo e maus hábitos alimentares — como o baixo consumo de fibras (verduras, leguminosas e frutas) e uma alta ingestão de carnes processadas, comumente conhecidas como embutidos (salsicha, bacon, presunto, peito de peru etc.). Comer carne vermelha em excesso — mais de 500 gramas por semana — é outro motivo atribuído a maiores chances de desenvolver o câncer colorretal.
A probabilidade é mais alta também em pacientes com histórico familiar de câncer na região. São mais suscetíveis, ainda, pessoas com síndromes inflamatórias do intestino (como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn) há mais de dez anos, ou que tenham certas doenças hereditárias, tais como a polipose adenomatosa familiar (FAP) e o câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC).
Outro fator de risco consiste na exposição ocupacional à radiação ionizante (como raios-X e gama). Isso envolve principalmente profissionais da radiologia médica, forense e industrial, que devem ter cuidados redobrados ao exercer suas atividades e realizar exames de rotina com mais frequência.
* Com informações da Secretaria de Saúde



















