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A responsabilidade com o plástico e os clientes de delivery

A responsabilidade com o plástico e os clientes de deliveryFoto: Ilustração da matéria PNUMA pede que iFood e UberEats se comprometam com entregas sem plástico descartável, do site da ONU.

Todos os privilegiados que puderam ficar em casa durante a pandemia já devem ter usado ao menos uma vez os serviços de entregas de comida.

Por João Lara Mesquita - Mar Sem Fim - 14/04/2021 - 13:24:21

A mortal pandemia tem nos ensinado muito. Para começar, temos que mudar nossa relação com o meio ambiente que nos cerca e permite a vida no planeta. Vida ceifada aos milhões pela covid-19, uma zoonose que nos atacou em razão de maus tratos ambientais . A pandemia mudou nossas vidas. Mas, passado o primeiro choque, agora começam a surgir novidades que aprendemos com ela. Uma delas foi a percepção dos aplicativos de comida, depois de uma chamada do PNUMA em dezembro de 2020. Em março de 2021, a iFood lançou um projeto para reduzir o uso de plástico, que pretende zerar até 2025. Hoje, comentamos a responsabilidade com o plástico e os clientes de delivery

Todos os privilegiados que puderam ficar em casa durante a pandemia já devem ter usado ao menos uma vez os serviços de entregas de comida. E aqueles mais atentos às questões ambientais perceberam a quantidade de plástico de uso único que vem a cada refeição. São talheres, copos, embalagens, canudinhos, uma série de itens que são descartados, e acabam poluindo o meio ambiente.

Em dezembro de 2020, o site do PNUMA publicou um chamamento PNUMA pede que iFood e UberEats se comprometam com entregas sem plástico descartável , uma vez que a pandemia fez crescer enormemente o uso do material pelos aplicativos de entrega.

O site explicou: “A pandemia de COVID-19 gerou um aumento dos pedidos de comida por delivery no Brasil. Segundo uma pesquisa da startup Mobills Labs, os gastos com aplicativos de comida cresceram 103% no primeiro semestre de 2020. O aumento das entregas fez crescer também o consumo de plásticos descartáveis.”

Brasil é o 4º maior produtor de plásticos do mundo

O site da ONU diz que ‘o Brasil é o 4º produtor de plásticos do mundo e só recicla 1,28% do total produzido, segundo dados da ONG WWF e do Banco Mundial. Além disso, estima-se que cada pessoa ingere por semana 5g de microplásticos, que invadem a cadeia alimentar’.

Ao mesmo tempo, em 2017, o PNUMA lançou a campanha #MaresLimpos do PNUMA, com o objetivo de reduzir os impactos dos plásticos descartados nos oceanos.

‘Nesse cenário, os aplicativos de entrega de comida podem ser grandes aliados, diz o site, que prossegue: ‘O PNUMA enviou comunicação aos principais aplicativos de entrega de comida, convidando-os a se comprometerem com a mudança para um serviço sem plásticos descartáveis’.

O que pensam os consumidores de delivery

Vamos recordar que a pandemia aumentou a produção de itens de plástico, um dos maiores inimigos do meio ambiente. Recentemente, mostramos a quantidade de máscaras descartáveis nos mares do planeta em 2020: inacreditáveis 1,56 bilhão .

Um ano depois, a pandemia ainda está longe de ser controlada. Isto quer dizer que em 2021 podemos esperar nova infestação de máscaras, mas não apenas. É preciso vacinar. E o instrumento para isso são as seringas. Bilhões de seringas de plástico terão de ser produzidas. Ao fim da imunização mundial, onde irão parar?

Estas questões inesperadas que a pandemia nos trouxe tornam ainda mais importante movimentos como o do iFood, e a percepção de muitos consumidores.

Consumidores de delivery estão antenados

Em 11 de abril de 2021, André Borges publicou no O Estado de S. Paulo a matéria ‘72% rejeitaram itens de plástico dos apps de refeições’. O texto comenta pesquisa do PNUMA sobre a percepção dos clientes e das empresas ao seu chamamento. E, vamos aplaudir, o resultado é excepcional.

‘Para a maioria dos consumidores (86%)’, diz Borges, ‘as empresas de aplicativos têm tanta ou mais responsabilidade que os restaurantes’. E mais, ‘entre os entrevistados 15% declararam que já deixaram de pedir o serviço pelo incômodo da quantidade de plástico’.

Por fim, ‘de cada cem entrevistados 88 disseram que não gostariam de receber nenhum item de plástico’. O bom disso, é que o iFood foi sensível a esta realidade, e propôs não só mudar, como se tornar neutra em carbono até 2025.

O custo das embalagens também influiu

O jornal O Globo , em matéria de 25 de março, reforça que o aumento de custos das embalagens também influiu para a decisão. “Depois que as entregas cresceram na pandemia, muitas vezes, sendo a única opção de estabelecimentos, o peso do custo da embalagem na conta final passou a ser significativa’.

E prossegue: ‘A ideia de achar uma solução mais sustentável em conta do iFood, que cresce exponencialmente na carona do delivery, vem em um momento em que as indústrias de plástico e papel sofrem com o encarecimento do custo de produção e falta de matéria-prima’.

Não importam os motivos, importante é a posição dos consumidores que mostra amadurecimento, e a resposta da empresa. Como todas as empresas antenadas, o iFood sabe que o mote hoje é a sustentabilidade. Mais uma vez, a pandemia e suas terríveis consequências nos mostrou que este é o único caminho para um futuro saudável.

Imagem de entrega iFood com bicicleta
Imagem, iFood.

A matéria de O Globo confirma: ‘Dentro do plano do iFood está o transporte sem poluição. Eles já testaram 30 motos elétricas e 500 bicicletas elétricas com seus entregadores em São Paulo’. Segundo o jornal, as bikes foram expandidas para o Rio de Janeiro e mais três cidades. ‘A expectativa é chegar a mais de 10 mil motos nos próximos 12 meses’.

Os pontos positivos desta história

Pelo menos parte dos consumidores demonstra vontade de mudar, de fazer sua parte. A responsabilidade com o plástico cresceu. E pelo lado da empresa é mais um exemplo da irreversível procura da sustentabilidade. Quando se fala em ‘novo normal’, entenda-se também como a procura da sustentabilidade por parte de cada um de nós.

Exemplos bons merecem ser divulgados, seguidos, replicados. André Borges informa, ao final de seu texto, que ‘após tomar conhecimento da reportagem, o Uber Eats informou ter lançado, em fevereiro de 2019, um recurso que permite aos usuários dispensar o recebimento de talhares descartáveis, guardanapos e canudos’.

“O recurso chegou primeiro ao Brasil e ao Chile e, após experiência bem-sucedida, com 93,7% dos restaurantes participantes extremamente satisfeitos, a iniciativa foi estendida a todos os empreendimentos cadastrados na plataforma, em todo o mundo, declarou a empresa.”

E você, está fazendo sua parte?

Imagem de abertura : PNUMA

Fontes : 72% rejeitam itens de plástico dos apps de refeições, em O Estado de S. Paulo; https://oglobo.globo.com/economia/ifood-lanca-projeto-para-reduzir-uso-de-plastico-em-meio-aumento-de-custo-das-embalagens-24941060#:~:text=RIO%20%2D%20Em%20meio%20aos%20problemas,emiss%C3%A3o%20de%20carbono%20at%C3%A9%202025; https://brasil.un.org/pt-br/104098-pnuma-pede-que-ifood-e-ubereats-se-compromentam-com-entregas-sem-plastico-descartavel.

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