Obama, Mandela, Malala e Madre Teresa: veja lista completa dos vencedores do Nobel da Paz desde 1901
Obama, Mandela, Malala e Madre Teresa: veja lista completa dos vencedores do Nobel da Paz desde 1901

São Paulo, Sp (folhapress) - 10/10/2026 10:08:32 | Foto: Observatório Nacional

De ativistas à presidentes, o Instituto Nobel premia aqueles que mais fizeram pelo benefício da humanidade no ano anterior ao anúncio do prêmio. Os vencedores recebem uma medalha de ouro de 18 quilates e uma quantia de cerca de 12 milhões de coroas suecas (R$ 6 milhões).

Nesse ano, 287 pessoas e organizações foram indicadas a receber o prêmio.

Entregue apenas a pessoas vivas, a honraria nasceu em nome do químico e inventor Alfred Nobel (1833-1896). Em vida, o sueco ficou famoso por inventar a dinamite.

Curiosamente, no testamento que escreveu pouco antes de morrer por uma hemorragia cerebral aos 63 anos, Nobel pediu que 94% de sua fortuna fosse destinada à criação de um fundo que premiasse iniciativas que ajudem a humanidade. Esse pedido foi cumprido e segue vivo desde 1901.

Até o meio do século 20, somente "políticos ativos que procuravam promover a paz internacional, a estabilidade e a justiça por meio da diplomacia e de acordos internacionais" poderiam vencer a categoria paz da premiação.

Após a Segunda Guerra Mundial, as regras foram se tornando mais flexíveis, passando a reconhecer organizações e pessoas que lutam por democracia, direitos humanos e no combate a mudanças climáticas.

VEJA A LISTA COM TODOS OS VENCEDORES ANTERIORES DO NOBEL DA PAZ
Segundo a justificativa oficial para o prêmio
2025: A última vencedora foi María Corina Machado, líder opositora ao regime chavista na Venezuela, por seu trabalho em busca da liberdade e eleições no país.

2024: A organização japonesa Nihon Hidankyo, que atua pela abolição das armas nucleares e reúne sobreviventes das bombas de Hiroshima e de Nagasaki
2023: A ativista iraniana Narges Mohammadi, pela luta contra a opressão das mulheres e por promover os direitos humanos e a liberdade para todos
2022: O ativista da Belarus Ales Bialiatski, o´Memorial, grupo de direitos humanos da Rússia, e o Centro para Liberdades Civis da Ucrânia, por demonstrarem a importância da sociedade civil para a paz e a democracia
2021: Os jornalistas Maria Ressa (filipina) e Dmitri Muratov (russo), pela defesa que fazem da liberdade de expressão, pré-requisito para a democracia e a paz duradoura
2020: Programa Mundial de Alimentos (PMA), por atuar como uma força motriz nos esforços para prevenir o uso da fome como arma de guerra e conflito
2019: O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, que assinou acordo de paz que pôs fim a duas décadas de hostilidades com a Eritreia
2018: O congolês Denis Mukwege e a iraquiana Nadia Murad, que denunciaram o uso da violência sexual como arma de guerra
2017: Campanha Internacional para Abolir Armas Nucleares (Ican), por chamar a atenção para o risco desses artefatos
2016: Juan Manuel Santos, então presidente da Colômbia, pelo acordo de paz assinado com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)
2015: Quarteto para o Diálogo Nacional da Tunísia, pela contribuição decisiva na construção de uma sociedade plural no país
2014: A paquistanesa Malala Yousafzai e o indiano Kailash Satyarthi, premiados pela defesa dos direitos das crianças e à educação
2013: Organização para a Proibição de Armas Químicas, sediada na Holanda, por sua defesa da proibição de armas químicas
2012: A União Europeia, por mais de seis décadas promovendo os direitos humanos e a paz na Europa
2011: As liberianas Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee e a iemenita Tawakkol Karman, pela luta não violenta por segurança das mulheres e por seu direito de participação plena em processos de paz
2010: Liu Xiaobo, ativista chinês, premiado por sua luta longa e não violenta pelos direitos humanos em seu país
2009: Barack Obama, então presidente dos EUA, reconhecido por reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre as pessoas
2008: Martti Ahtisaari, diplomata e ex-presidente da Finlândia, por seu trabalho na resolução de conflitos em vários continentes
2007: Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA, e o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), pelo trabalho para disseminar informações sobre os problemas ambientais
2006: O bengali Muhammad Yunus e o Grameen Bank, pelo trabalho para aumentar o desenvolvimento econômico para pessoas pobres na Índia e em Bangladesh
2005: Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o egípcio Mohamed El Baradei, por seus esforços para evitar que a energia nuclear seja usada para fins militares e para garantir que a energia nuclear para fins pacíficos seja usada da maneira mais segura possível
2004: Wangari Maathai, ativista do Quênia, pela contribuição ao desenvolvimento sustentável, à democracia e à paz
2003: Shrin Ebadi, primeira juíza do Irã, por sua defesa dos direitos de mulheres e crianças
2002: O ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, por suas décadas de esforços para encontrar soluções pacíficas para conflitos internacionais
2001: A ONU e seu então secretário-geral, o ganês Kofi Annan, pela busca de um mundo mais pacífico
2000: Kim Dae-Jung, presidente da Coreia do Sul, por seu esforço para buscar a paz com a Coreia do Norte
1999: Médicos sem Fronteiras, pelo trabalho humanitário pioneiro
1998: Os norte-irlandeses John Hume e David Trimble, pelo esforço para conseguir a paz entre as Irlandas
1997: A ativista americana Jody Williams e a ICBL (Campanha Internacional para Banir Minas Terrrestres), por seu trabalho contra esse tipo de armadilha
1996: O bispo Carlos Ximenes e o político José Ramos-Horta, por seus trabalhos para o acordo de paz no Timor Leste
1995: Joseph Rotblat, físico britânico, por seu esforço para eliminar as armas nucleares no mundo
1994: Yasser Arafat, então líder palestino, Shimon Peres, então ministro das Relações Exteriores de Israel, e o então premiê israelense Yitzhak Rabin, pelos esforços em busca da paz no Oriente Médio
1993: Nelson Mandela e Frederik Willem de Klerk, pelo trabalho para o fim do Apartheid na África do Sul
1992: A guatemalteca Rigoberta Menchú Tum, por sua luta pela justiça social e a reconciliação etno-cultural a partir do respeito aos direitos dos povos indígenas
1991: A política birmanesa Aung San Suu Kyi, por sua luta não violenta pela democracia e pelos direitos humanos
1990: O político russo Mikhail Gorbachov, pelo papel de liderança que desempenhou nas mudanças radicais nas relações Leste-Oeste
1989: O 14º dalai-lama, o tibetano Tenzin Gyatso, por defender soluções pacíficas baseadas na tolerância e no respeito mútuo, a fim de preservar o patrimônio histórico e cultural de seu povo
1988: As Forças de Manutenção da Paz das Nações Unidas, por prevenir confrontos armados e criar condições para negociações
1987: O presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sánchez, por seu trabalho pela paz duradoura na América Central
1986: O autor da Romênia, Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto, por ser um mensageiro para a humanidade em prol da paz, da expiação e da dignidade
1985: Médicos Internacionais para a Prevenção da Guerra Nuclear, por divulgar informações confiáveis e por criar consciência das consequências catastróficas da guerra nuclear
1984: O bispo anglicano Desmond Mpilo Tutu, por seu papel como líder unificador na campanha não violenta para resolver o problema do apartheid na África do Sul
1983: O político Lech Walesa, pela luta não violenta, pelos sindicatos livres e pelos direitos humanos na Polônia
1982: A parlamentar sueca, Alva Myrdal, e o diplomata do México, Alfonso García Robles, pelo trabalho em prol do desarmamento e das zonas nucleares e livres de armas
1981: O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), pela promoção dos direitos fundamentais dos refugiados
1980: O ativista da Argentina, Adolfo Pérez Esquivel, por ser fonte de inspiração para as pessoas reprimidas, especialmente na América Latina
1979: A religiosa da Macedônia, Madre Teresa, por seu trabalho para ajudar a humanidade sofredora
1978: Os políticos Mohamed Anwar al-Sadat, presidente do Egito, e Menachem Begin, premiê de Israel, por terem negociado a paz conjuntamente entre os dois países
1977: Anistia Internacional, devido a sua luta pelos direitos humanos
1976: As ativistas Betty Williams e Mairead Corrigan, pelos esforços em fundar um movimento para pôr fim ao violento conflito na Irlanda do Norte
1975: O físico Andrei Dmitrievich Sakharov, por sua luta pelos direitos humanos na União Soviética, pelo desarmamento e pela cooperação entre as nações
1974: O francês Seán MacBride, cofundador da Anisita Internacional, por seus esforços para garantir e desenvolver os direitos humanos em todo o mundo; e o premiê japonês Eisaku Sato, por sua contribuição para estabilizar as condições na área do Pacífico e pela assinatura do Tratado de Não-Proliferação Nuclear
1973: O secretário de Estado americano Henry A. Kissinger e o vietnamita Le Duc Tho, por terem negociado em conjunto um cessar-fogo no Vietnã; o segundo declinou do prêmio
1971: O primeiro-ministro alemão Willy Brandt, por abrir o caminho para um diálogo significativo entre o Oriente e o Ocidente
1970: O engenheiro agrônomo americano Norman E. Borlaug, por ter contribuído para a "revolução verde"
1969: Organização Internacional do Trabalho, pela criação de legislação internacional que assegure certas normas para as condições de trabalho em todos os países
1968: O jurista francês René Cassin, por sua luta para garantir os direitos do homem conforme estipulado na Declaração da ONU
1965: Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), pelos seus esforços para aumentar a solidariedade entre as nações
1964: O pastor e ativista americano Martin Luther King Jr., por sua luta não violenta pelos direitos civis da população afro-americana
1963: Comitê Internacional da Cruz Vermelha e Liga das Sociedades da Cruz Vermelha, por promoverem os princípios da Convenção de Genebra e a cooperação com a ONU
1962: O cientista americano Linus Carl Pauling, por sua luta contra a corrida armamentista nuclear entre o Oriente e o Ocidente
1961: O sueco Dag Hammarskjöld, secretário-geral da ONU, por fazer das Nações Unidas uma organização internacional eficaz e construtiva
1960: O ativista e político de Zimbábue, Albert John Lutuli, por sua luta não violenta contra o apartheid na África do Sul
1959: O diplomata britânico Philip J. Noel-Baker, por sua contribuição para o desarmamento e paz
1958: O religioso da Bélgica, Georges Pire, por seus esforços para ajudar os refugiados a retornar a uma vida de liberdade e dignidade
1957: O primeiro-ministro do Canadá, Lester Bowles Pearson, por sua contribuição crucial para o desdobramento de uma Força de Emergência das Nações Unidas após a Crise de Suez
1954: Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), por fornecer ajuda e proteção aos refugiados em todo o mundo
1953: O secretário da Defesa dos EUA, George Catlett Marshall, por propor e supervisionar o plano de recuperação econômica da Europa
1952: O filósofo de origem alemã Albert Schweitzer, por seu altruísmo, reverência pela vida e trabalho humanitário
1951: O líder sindicalista e diplomata francês Léon Jouhaux, por ter dedicado sua vida à luta contra a guerra por meio da promoção da justiça social
1950: O diplomata americano Ralph Bunche, por seu trabalho como mediador na Palestina em 1948-1949
1949: O biólogo e político escocês Lord John Boyd Orr de Brechin por seu esforço ao longo da vida para vencer a fome
1947: Comitê de Serviço de Amigos (Quaker), por seu trabalho pioneiro no movimento internacional pela paz
1946: A socióloga e pacifista americana Emily Greene Balch, por seu trabalho pela paz, e o religioso americano John Raleigh Mott, por contribuir para uma fraternidade religiosa promotora da paz
1945: O secretário de Estado americano Cordell Hull, por seu papel fundamental no estabelecimento das Nações Unidas
1944: Cruz Vermelha, pelo trabalho que realizou durante a guerra em nome da humanidade
1938: Escritório Internacional de Nansen para Refugiados, pelo trabalho em benefício dos refugiados de toda a Europa
1937: O político de diplomata britânico Robert Cecil, por seu apoio à Liga das Nações
1936: O chanceler argentino Carlos Saavedra Lamas, por seu papel como pai do Pacto Antiguerra argentino de 1933, que também foi usado como meio de mediar a paz entre o Paraguai e a Bolívia em 1935
1935: O escritor e jornalista alemão Carl von Ossietzky, por seu amor pela liberdade de pensamento e expressão
1934: O político e diplomata britânico Arthur Henderson, por seus esforços como Presidente da Conferência de Desarmamento da Liga das Nações
1933: O escritor britânico Ralph Lane, por fazer um apelo convincente pela paz e cooperação internacional
1931: A ativista Jane Addams e o pedagogo e político Nicholas Murray Butler, ambos americanos, por seus esforços para reviver o ideal de paz
1930: O bispo sueco Nathan Söderblom, por promover a unidade cristã
1929: O secretário de Estado americano Frank Billings Kellogg, por seu papel na concretização do Pacto Briand-Kellogg
1927: Os acadêmicos e políticos Ferdinand Buisson (francês) e Ludwig Quidde (alemão), pela contribuição para o surgimento em seus países de uma opinião pública que favorece a cooperação internacional pacífica
1926: Os chanceleres Aristide Briand (francês) e Gustav Stresemann (alemão), pelos papéis na concretização do Tratado de Locarno
1925: O político britânico sir Austen Chamberlain, por seu papel em concretizar o Tratado de Locarno, e o vice-presidente dos EUA Charles Gates Dawes, pela direção do Plano Dawes
1922: O cientista e político norueguês Fridtjof Nansen, pelo papel de líder na repatriação de prisioneiros de guerra
1921: Os políticos Karl Hjalmar Branting (sueco) e Christian Lous Lange (norueguês), por suas contribuições para o "internacionalismo organizado"
1920: O primeiro-ministro francês Léon Victor Auguste Bourgeois, por seu papel no estabelecimento da Liga das Nações
1919: O presidente dos EUA Thomas Woodrow Wilson, por seu papel como fundador da Liga das Nações
1917: Cruz Vermelha, por cuidar dos soldados feridos, além de prisioneiros de guerra e suas famílias
1913: O jurista belga Henri La Fontaine, por sua contribuição pelo internacionalismo pacífico
1912: O secretário de Estado americano Elihu Root, por trazer um melhor entendimento entre os países da América do Norte e do Sul
1911: O jurista holandês Tobias Michael Carel Asser, pelo pioneirismo nas relações jurídicas internacionais, e o escritor austríaco Alfred Hermann Fried, por combater a anarquia nas relações internacionais
1910: Bureau Permanente da Paz Internacional, por atuar como um elo entre as sociedades de paz dos vários países
1909: O primeiro-ministro belga Auguste Beernaert e o político e diplomata francês Paul de Constant, por suas posições no movimento internacional pela paz
1908: Os políticos Klas Pontus Arnoldson (sueco) e Fredrik Bajer (dinamarquês), por serem líderes na luta pela paz
1907: O jornalista italiano Ernesto Teodoro Moneta, por seu trabalho para um entendimento entre a França e a Itália, e o acadêmico francês Louis Renault pela sua influência na condução das Conferências de Haia e Genebra
1906: O presidente dos EUA Theodore Roosevelt, por seu papel em pôr fim à sangrenta guerra travada entre o Japão e a Rússia
1905: A escritora tcheca Bertha von Suttner, por sua coragem em se opor aos horrores da guerra
1904: Instituto de Direito Internacional, por tornar as leis de guerra mais humanas
1903: O político britânico William Randal Cremer, pelo esforço em favor das ideias de paz
1902: O jornalista e diplomata Élie Ducommun, pela direção do Bureau da Paz, e o advogado Charles Albert Gobat, também suíço, pela administração da União Interparlamentar
1901: O filantropo suíço Jean Henry Dunant, por seus esforços humanitários para ajudar soldados feridos ao cofundar a Cruz Vermelha, e o político francês Frédéric Passy, pela defesa da diplomacia
* Não houve premiação em 19 ocasiões: 1972, 1967, 1966, 1956, 1955, 1948, 1943, 1942, 1941, 1940, 1939, 1932, 1928, 1924, 1923, 1918, 1916, 1915, 1914

Entenda como funciona e quem são os favoritos para ganhar o Nobel da Paz

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Nobel da Paz será anunciado na Noruega nesta sexta-feira (9) às 6h (horário de Brasília). O prêmio é concedido para indivíduos e organizações que atuaram em benefício da humanidade e da harmonia entre nações no ano anterior à nomeação.

Diferentemente das outras premiações Nobel, que acontecem na Suécia, o Nobel da Paz é decidido pelo Comitê Norueguês, formado por cinco integrantes eleitos pelo Parlamento do país.

Várias pessoas podem submeter campanhas próprias para disputar a laureação, sem a necessidade de um convite prévio. Nesse grupo, há parlamentares, ministros, chefes de governo, juízes de cortes internacionais, professores universitários e até mesmo antigos vencedores do prêmio.

As indicações acabam em 31 de janeiro, quando o Comitê faz uma triagem e cria uma lista reduzida de nomes. Nos meses seguintes, avaliadores fazem relatórios detalhados sobre cada pré-selecionado.

A lista oficial e as análises do Comitê permanecem sob sigilo absoluto por 50 anos, sendo guardadas dentro de um cofre em Oslo. A votação final ocorre entre agosto e setembro e, no início de outubro, o anúncio oficial do escolhido é feito.

Não é proibido que os nomes sejam divulgados antes do prazo de 50 anos, desde que apareçam em declarações voluntárias dos avaliadores.

Por fim, o laureado recebe um diploma, uma medalha de ouro de 18 quilates e uma quantia de cerca de 12 milhões de coroas suecas (R$ 6 milhões).

Na edição deste ano, 287 indicações foram registradas. Embora as nomeações sejam secretas, o diretor do Instituto de Pesquisa para a Paz de Oslo, Haakon Gjerlow, aponta os seguintes candidatos como favoritos:
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VEJA QUEM SÃO OS FAVORITOS AO NOBEL DA PAZ

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL (TPI) E CORTE INTERNACIONAL DE JUSTIÇA (CIJ)
A nomeação das instituições de justiça se dá pela defesa do direito internacional em um momento de pressões políticas e desmanche do multilateralismo.

A CIJ atua desde 1945 na solução de controvérsias jurídicas entre nações e emite pareceres na ONU, tendo um mecanismo aceito mundialmente. Por outro lado, o TPI responsabiliza indivíduos por crimes de guerra e genocídio, e seu esforço de levar justiça busca contribuir para a paz global.

EMERGENCY RESPONSE ROOMS (SALAS DE RESPOSTA A EMERGÊNCIAS)
A rede de grupos de voluntários atua na ajuda mútua de comunidades no Sudão, prestando assistência em meio à crise humanitária causada por uma guerra civil que, desde 2023, deixou dezenas de milhares de mortos e mais de 14 milhões de sudaneses forçados a deixarem suas casas.

O projeto foi criado devido à redução do apoio internacional em operações de ajuda no país, agravado pelos cortes no financiamento da Usaid, a agência de ajuda externa dos Estados Unidos.

MIKOLA KULEBA E A ORGANIZAÇÃO SAVE THE CHILDREN
Kuleba é fundador da Save Ukraine, organização que lidera esforços para resgatar crianças ucranianas sequestradas pela Rússia durante a guerra na Ucrânia.

Já a Save the Children se dedica ao enfrentamento de violações graves contra crianças em zonas de conflito reconhecidas pela ONU. A organização trabalha em mais de 120 países com projetos voltados à saúde básica, alimentação e educação de jovens que enfrentam situações de emergência.

ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
A estação na órbita da Terra é considerada um dos maiores projetos de pesquisa e cooperação entre nações da história da humanidade. Nela, cientistas realizam experimentos de biologia e física que promovem o apoio mútuo dos países.

O local já abrigou astronautas de 26 nacionalidades diferentes, mostrando que rivais na geopolítica podem se ajudar em torno de um projeto pacífico.

COMITÊ PARA A PROTEÇÃO DOS JORNALISTAS (CPJ)
O CPJ é uma organização de monitoramento sediada nos Estados Unidos que age na defesa dos profissionais de imprensa. A mensagem do grupo é que a paz e a democracia são ameaçadas quando jornalistas são impedidos de manter o mundo informado.

O órgão reúne estatísticas sobre repórteres atacados em locais de crise, como a Faixa de Gaza, que se tornou a zona de guerra mais mortal para jornalistas em toda a história.

CORREM POR FORA
Entre os que não foram diretamente citados na lista de Gjerlow, porém são frequentemente cotados estão o papa Leão 14, Iulia Navalnaia (viúva do líder da oposição russa morto na prisão, Alexei Navalni) e a organização Médicos Sem Fronteiras.

Desde que voltou à Casa Branca para seu segundo mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, também afirma que está apto a ganhar o Nobel da Paz. Nesta quarta-feira (7), disse: "Não sei qual será a decisão deles. Eles têm a reputação de talvez não o concederem a pessoas como eu."
"Fiquei muito honrado em recebê-lo indiretamente da última vez pela própria homenageada, que disse que ninguém na história o merece mais do que o presidente Trump.", disse ele a repórteres na Casa Branca, relembrando quando María Corina Machado lhe deu sua medalha um ano após vencer o prêmio.

Na ocasião, o Instituto Nobel deixou claro que o prêmio não pode ser transferido.

Saga pelo Nobel da Paz de María Corina começou com viagem clandestina e terminou em mimo a Trump

DOUGLAS GAVRAS-BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Uma viagem clandestina, a incerteza de sua presença na cerimônia e a polêmica doação da medalha ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcaram a saga pelo Nobel da Paz da venezuelana María Corina Machado, ganhadora de 2025.

A escolha da opositora foi anunciada em 10 de outubro do ano passado, em Oslo. Ela foi laureada pelo comitê, que apontou sua "incansável" defesa da democracia diante do regime de Nicolás Maduro.

María Corina estava escondida havia mais de um ano para evitar sua prisão após a reeleição de Maduro para um terceiro mandato, que ela denunciou como fraudulenta, bem como grande parte da comunidade internacional.

A conquista do Nobel se somava a outros dois importantes prêmios internacionais recebidos por ela -o Sakharov e o Václav Havel. "Este imenso reconhecimento da luta de todos os venezuelanos é um impulso para completar a nossa tarefa: conquistar a liberdade", disse no X a engenheira, casada e mãe de três filhos. "A Venezuela será livre!"
O Nobel da Paz foi recebido pela filha dela, Ana Corina Sosa. A política estava proibida de deixar a Venezuela desde 2014 pelo chavismo. Ela saiu da clandestinidade em dezembro, quando viajou para receber o prêmio na Noruega.

Em Oslo, fez sua primeira aparição em público após meses escondida. A líder da oposição venezuelana cumprimentou apoiadores horas depois de ter perdido a cerimônia que lhe concedeu o Nobel e cantou o hino da Venezuela com a multidão.

O clima que ronda o anúncio do prêmio não podia ser mais quente. A Casa Branca cercava o chavismo e passou a coordenar ataques a embarcações no mar do Caribe. A justificativa alegada era o combate contra grupos narcotraficantes que operavam sob a asa do governo Maduro -algo que o venezuelano sempre negou.

Trump mudou os rumos da Venezuela em 3 de janeiro, com a captura e a deposição forçada de Maduro. Dias depois, em um ato que surpreendeu a comunidade internacional, María Corina entregou sua medalha do Nobel da Paz a Trump, que ambicionava ganhar a distinção e considerou o gesto da venezuelana "maravilhoso".

A entrega ocorreu durante um almoço privado na Casa Branca, onde a opositora se ofereceu para ajudar a encerrar o regime chavista. "Apresentei ao presidente dos Estados Unidos a medalha do Prêmio Nobel da Paz", declarou em frente ao Capitólio em Washington, após sua reunião com o americano. "Contamos com o presidente Trump para a liberdade da Venezuela", acrescentou.

O gesto foi apenas simbólico. O Instituto Nobel Norueguês se apressou em explicar que o prêmio não pode ser transferido, compartilhado ou revogado e que a decisão do comitê é final e permanente. A organização também observou que não comenta ações ou declarações dos laureados após a escolha.

Os EUA deixaram de reconhecer Maduro em 2019, quando ele tomou posse após uma eleição realizada em 2018 que, segundo o governo americano, foi fraudada. Também classificaram como fraudulenta sua reeleição em 2024.

A queda do herdeiro de Hugo Chávez foi amplamente comemorada pelos opositores, mas a Casa Branca rapidamente frustrou qualquer expectativa de um fim do regime chavista.

Sem resistência dos chavistas após a prisão de Maduro, Trump decidiu apostar na liderança atual em Caracas. Por diversas vezes, ele expressou satisfação com a interina Delcy Rodríguez, enquanto María Corina ficou à margem das manobras de Washington.

No mês passado, o republicano teve uma reunião com Delcy à margem da Assembleia Geral da ONU -o primeiro encontro dos dois desde que a ex-vice de Maduro assumiu o poder.

A Venezuela hoje é governada sob as diretrizes de Washington, e Trump chegou a comemorar na ONU o amplo acesso dos EUA ao petróleo do país vizinho desde a queda de Maduro, que segue preso em Nova York com sua esposa, Cilia Flores -agora também sob acusação de tortura.

Na mesma Nova York, Delcy classificou o encontro com Trump como "histórico". Enquanto a adversária participava da Assembleia Geral da ONU, Corina tentou voltar à Venezuela, sem sucesso. Segundo reportagens do jornal espanhol ABC e do canal colombiano NTN24, a tentativa de retorno falhou por uma combinação de problemas logísticos, cancelamentos de última hora e restrições do espaço aéreo.

Analistas não descartam que exista um veto dos Estados Unidos ao retorno da opositora.

A Venezuela organizou rodadas de negociações entre uma parte da oposição e o chavismo. María Corina não participou dos encontros, mas disse que não se opunha ao diálogo desde que tivesse resultados concretos.

Após a saga da premiação da venezuelana e da campanha de Trump em favor de sua candidatura ao Nobel, o comitê norueguês tentou se distanciar da pressão sem precedentes vista no ano passado.

Enquanto permanece o questionamento de por quanto tempo o nome do presidente americano continuará rondando o prêmio, a comunidade internacional sabe que a Casa Branca estará atenta à escolha deste ano.