A opinião pessoal de João Zisman sobre politica nacional: Licença, pressão e voto
A opinião pessoal de João Zisman sobre politica nacional: Licença, pressão e voto

Por João Zisman - 13/04/2026 16:52:28 | Foto: Diogo Lima/Agência CLDF

O Ministério Público Federal entrou na Justiça para suspender o projeto da chamada Cidade Urbitá, em Sobradinho, questionando diretamente o uso de um licenciamento antigo para viabilizar um empreendimento com densidade projetada acima de 400 habitantes por hectare. O ponto central não é urbanístico, é jurídico: o MPF sustenta que o modelo adotado evitou estudos ambientais mais rigorosos numa área sensível para recarga de aquíferos. Isso desloca o tema do Ibram e do GDF para o campo de responsabilização.

Na Câmara Legislativa, o assunto aparece de forma lateral, sem relatoria política. Não há deputado puxando a pauta nem tentando enquadrar o governo. A crítica existe, mas dispersa. O mesmo padrão se repete em outros temas sensíveis: o caso do BRB é citado, a modelagem das operações é questionada, mas não há iniciativa organizada para transformar isso em agenda legislativa. O banco convocou assembleias e negocia venda de carteira bilionária enquanto o Fundo Garantidor condiciona apoio, e ainda assim o tema não virou eixo político dentro da Casa. Isso diz mais sobre o momento da CLDF do que sobre o banco.

No Judiciário, o dia começa com o julgamento da chacina de Planaltina, com cinco réus podendo somar penas superiores a 300 anos. O caso volta com força não pelo desfecho, mas pelo que mobiliza: violência extrema, disputa fundiária e atuação policial. É um tipo de processo que recoloca o Estado em avaliação pública, ainda que não produza efeito político imediato.

No plano econômico e institucional, o GDF mantém agenda de execução e entrega, enquanto tenta resolver os próprios passivos sem ampliar exposição. A presença da vice-governadora em eventos e agendas públicas continua, mas sem mudança de discurso ou anúncio de movimento novo.

Fora do DF, mas com efeito direto sobre o ambiente político, a indicação de Jorge Messias ao Supremo entra em fase final com apoio explícito de Gilmar Mendes e articulação já construída com mais de 40 senadores. A sabatina está marcada e não há sinal concreto de resistência capaz de alterar o resultado.

O que aparece na abertura do dia não é um tema dominante, mas uma sequência de decisões relevantes sendo tomadas ao mesmo tempo, cada uma em seu campo, sem que nenhuma tenha sido politicamente organizada.