Por João Zisman - 13/05/2026 10:41:48 | Foto: © VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL
Brasília passou esta quarta-feira tentando administrar simultaneamente política, pressão econômica, disputa simbólica e um ambiente pré-eleitoral que já começa a aparecer de maneira cada vez menos disfarçada. O curioso é que quase todos os temas do dia, mesmo os aparentemente administrativos, acabaram convergindo para a mesma sensação: o sistema político do Distrito Federal entrou definitivamente em modo de reorganização para 2026.
A imagem mais forte do dia talvez tenha vindo da posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. O discurso em defesa das urnas eletrônicas e o alerta sobre o uso da inteligência artificial nas campanhas recolocaram Brasília imediatamente no centro da ansiedade política nacional. E isso acontece justamente quando a capital continua vivendo os efeitos permanentes do pós-8 de Janeiro, das disputas em torno do STF e da antecipação silenciosa da próxima corrida eleitoral.
Não por acaso, repercutiu fortemente nos bastidores e nos blogs políticos a chegada da governadora Celina Leão à posse acompanhada de Damares Alves e de Michelle Bolsonaro. O gesto foi lido politicamente como demonstração pública de aproximação entre o núcleo conservador bolsonarista e o grupo hoje instalado no Buriti. Em Brasília, imagem também faz política. E às vezes fala mais do que discursos.
Ao mesmo tempo, o caso envolvendo o Banco de Brasília continua produzindo tensão subterrânea dentro do ambiente político local. A audiência de Celina Leão com o ministro Cristiano Zanin, do STF, para tratar da suspensão da lei que autoriza o uso de imóveis públicos como mecanismo de reforço financeiro do banco, mostrou que o tema continua absolutamente vivo dentro do Supremo e do governo.
O detalhe importante do dia foi justamente a necessidade de o próprio governo esclarecer publicamente que a conversa com Zanin não tinha qualquer relação com os processos envolvendo o ex-governador Arruda, como passaram a espalhar blogs de especulação política. O esclarecimento revela um ambiente tomado por boatos, versões e tentativas constantes de misturar fatos reais com narrativas eleitorais antecipadas.
Essa atmosfera ficou ainda mais evidente com a circulação de rumores sobre uma suposta delação premiada do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Sem qualquer confirmação oficial, blogs passaram o dia espalhando versões sobre distritais que teriam viajado em aeronaves ligadas ao empresário Daniel Vorcaro. Nenhuma dessas informações foi comprovada até aqui, mas o simples fato de elas circularem já foi suficiente para aumentar a insegurança no ambiente parlamentar da Câmara Legislativa.
Enquanto a política produz ruído, a cidade tenta seguir funcionando. O DF avançou em temas concretos importantes nesta quarta-feira. A Secretaria de Saúde lançou a Farmácia Digital para pacientes de medicamentos de alto custo. A CLDF aprovou a chamada Tabela SUS Candanga para ampliar a remuneração complementar de serviços privados ligados ao sistema público de saúde. A Polícia Civil devolveu centenas de celulares recuperados e o governo segue investindo fortemente na pauta de infraestrutura urbana em regiões administrativas.
Mas até nesses temas administrativos a política aparece. O Sindicado dos Bancários realizou ato em defesa do BRB em frente ao Buriti. O Sinpro voltou à mesa de negociação cobrando regularização de pagamentos de professores temporários. E a própria aprovação do novo modelo de coleta seletiva do lixo no DF carrega um componente político importante num momento em que sustentabilidade, urbanização e expansão territorial começam a ganhar peso crescente no debate da capital.
No fundo, Brasília parece viver uma espécie de antecipação emocional de 2026. O sistema político ainda tenta manter aparência de normalidade administrativa, mas os movimentos já começaram. As alianças começam a se insinuar nas imagens, os boatos começam a circular com mais intensidade, o STF volta ao centro do jogo político e os grupos tentam se posicionar antes que a campanha exista oficialmente.
E talvez seja exatamente esse o traço mais verdadeiro do ambiente político do Distrito Federal hoje: a eleição ainda não começou no calendário, mas claramente já começou na cabeça de Brasília.

























