Intervenção inclui medidas para reduzir a umidade e a condensação interna que prejudicam os vitrais
Agência Gov | Via Iphan - 06/05/2026 10:26:08 | Foto: Oscar Liberal/Iphan
No Centro do Rio de Janeiro (RJ), os tradicionais vitrais da Igreja da Candelária passam por um momento inédito. Pela primeira vez em 127 anos desde a instalação, os painéis foram totalmente retirados para restauração. O projeto, previamente analisado e aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), conta com financiamento da Fundação Gerda Henkel, da Alemanha, e apoio do Consulado Alemão. A iniciativa é do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária (ISSC), com acompanhamento do Iphan ao longo de todo o desenvolvimento.
Ao todo, três vitrais estão passando pelo processo de restauro. O principal, na área central da igreja, retrata Nossa Senhora da Candelária com o menino Jesus, enquanto os dois laterais representam anjos anunciadores. A intervenção contou com a remoção cuidadosa de 117 painéis constituídos de vidro e chumbo, sendo 39 de cada vitral.
Para viabilizar a restauração, serão importados da Alemanha vidros coloridos especiais com as mesmas características dos utilizados nos vitrais ainda no século 19. O trabalho também inclui o uso de pigmentos esmaltados e tintas especiais à base de prata para recompor as cores originais, além da instalação de vidraças de proteção e telas metálicas, solução já adotada em países europeus para preservar esse tipo de patrimônio histórico.
Outra frente do projeto é a implantação de um novo sistema de ventilação junto aos vitrais. A medida deve reduzir a umidade na face interna dos painéis, causada pela condensação, altamente prejudicial aos vidros pintados. A conclusão do restauro está prevista para o segundo semestre de 2026.
Realizada na sede da Irmandade de Nossa Senhora da Candelária, também no Centro, a restauração inclui uma etapa de formação. Um curso sobre técnicas de restauro em vitrais foi oferecido a profissionais atuantes na conservação do patrimônio cultural, ampliando o alcance da iniciativa para além da preservação física das obras.
“Além de acompanhar de perto cada etapa dessa restauração, o Iphan também está representado no curso, o que reforça a troca de conhecimentos e a importância da formação contínua para a preservação qualificada do patrimônio cultural”, destaca a superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Patricia Corrêa.
Os vitrais da decoração monumental da igreja foram concebidos por João Zeferino da Costa, com colaboração de Henrique Bernardelli, e executados em 1898 pelo Real Estabelecimento de Vidraças Artísticas de F. X. Zettler , em Munique, sendo instalados em 1899. O artista também deixou desenhos originais com anotações que hoje orientam o trabalho de restauração.
Para a restauradora e técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Cláudia Nunes, a intervenção é essencial para garantir a longevidade das peças.
“O restauro é essencial porque, ao longo de mais de um século, os vitrais sofreram com intempéries, poluição e até atos de vandalismo. Agora, com a remoção das peças, foi possível identificar esses danos com mais precisão e adotar medidas de proteção. A restauração garante a preservação e amplia a durabilidade desses vitrais”, ressalta Nunes.
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