Assembleia Geral cria Dia Internacional contra Casamento Infantil

Órgão da ONU adotou resolução, copatrocinada por Brasil e Serra Leoa, declarando 27 de novembro como data para combater uniões precoces e forçadas; para a organização, casamento infantil ocorre quando um dos parceiros tem menos de 18 anos

Assembleia Geral cria Dia Internacional contra Casamento Infantil
Assembleia Geral cria Dia Internacional contra Casamento Infantil

Agência Onu News - 16/09/2026 07:30:45 | Foto: © Unicef/Madhok

Neste 27 de novembro, a ONU vai marcar o primeiro Dia Internacional para a Eliminação do Casamento Infantil, Precoce e Forçado. A decisão foi tomada pela Assembleia Geral em uma resolução no início deste mês.*

Em alinhamento com o quinto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, ODS, de igualdade de gênero, a resolução visa promover a autonomia de mulheres e meninas e ampliar a conscientização global para erradicar a prática até 2030.

Desafio invisível no Brasil
A ONU considera casamento infantil qualquer união formal ou informal na qual uma das partes tenha menos de 18 anos. A resolução foi copatrocinada por Brasil e Serra Leoa.

Dados do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, apontam que o Brasil lidera o ranking absoluto de uniões precoces na América Latina e ocupa o sexto lugar no mundo.

Uma em cada quatro brasileiras, entre 20 e 24, anos iniciou a vida conjugal antes de completar a maioridade.

No entanto, diferente de outras regiões onde há ritos tradicionais, as uniões no país são majoritariamente informais, a prática de "morar junto". O censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Ibge, indica que 87% das uniões de crianças entre 10 e 14 anos no país ocorrem dessa maneira e são frequentemente naturalizadas pelas próprias comunidades e famílias.

Liderança africana
A proposta foi liderada por Serra Leoa e apresentada na sede da ONU pela primeira-dama do país e presidente da Organização das Primeiras-Damas Africanas para o Desenvolvimento, Fatima Maada Bio.

Maada Bio apelou para a construção de um mundo onde uma menina pudesse sonhar sem medo se ficaria na escola crescendo para a vida adulta com dignidade, onde o casamento fosse uma escolha e não uma sentença. A primeira darma compartilhou sua própria trajetória: aos 13 anos, foi prometida em casamento a um homem de mais de 30 anos, mas conseguiu escapar da união.

A liderança no tema é reflexo de avanços legislativos no país. Em 2024, Serra Leoa criminalizou o casamento infantil, prevendo penas de até 15 anos de prisão para quem se casar com menores ou facilitar o ato, e mais de 10 anos para quem celebrar a cerimônia.

Durante a sessão, a primeira-dama da Serra Leoa ressaltou que a lei precisa ser acompanhada pelo fortalecimento de instituições, investimentos em educação e real engajamento comunitário.

Criação de políticas públicas
As meninas são as mais impactadas, limitando o acesso à educação, elevando as taxas de gravidez precoce e aumentando a exposição à violência e à dependência econômica.

A representante do Unfpa no Brasil, Florbela Fernandes, destacou a importância de transformar a visibilidade da data em políticas públicas.

Para a primeira edição, a agência lançou a campanha Casamento é coisa de adulto para alertar a sociedade sobre a informalidade das uniões, que trazem os mesmos prejuízos ao desenvolvimento das jovens, privando-as da continuidade escolar e da autonomia.

*Com informações da ONU Brasil e Unic-Rio.

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