Especialistas apontam excesso de intensidade, falta de preparo e influência das redes sociais como fatores de risco entre praticantes amadores
Redação Com Informações De Assessoria - 02/05/2026 08:17:34 | Foto: Freepik
A busca por uma vida mais ativa nunca esteve tão em alta, mas o movimento tem um efeito colateral crescente: o aumento de lesões entre os chamados “atletas de fim de semana”. A combinação de rotina sedentária ao longo da semana com treinos intensos concentrados em poucos dias já se reflete na maior procura por atendimento médico ligado a práticas esportivas.
Dados atualizados e reforçados em 2025 pela Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 1,8 bilhão de adultos no mundo ainda não atingem os níveis mínimos de atividade física recomendados. Esse padrão irregular, alternando inatividade com picos de esforço, é um dos principais fatores associados ao aumento do risco de lesões.
“O ‘atleta de fim de semana’ é aquele que passa boa parte dos dias com baixa atividade física e tenta compensar com treinos intensos em um ou dois dias. Esse perfil cresceu muito com a popularização de modalidades como corrida, funcional e beach tennis”, explica Daniella Khouri, médica do esporte na Clínica Aloe, em Brasília.
Pressa por resultado e influência digital elevam o risco
A pressa por evolução é um dos principais erros. “Muita gente sai do sedentarismo direto para cargas altas, sem respeitar o tempo de adaptação do corpo. Também é comum negligenciar fortalecimento muscular, mobilidade e descanso”, afirma a especialista.
A influência das redes sociais intensifica esse comportamento. “As redes reforçam uma cultura de alta performance e resultados rápidos, o que leva muitas pessoas a ultrapassarem seus limites sem preparo adequado”, diz Daniella. Estudos publicados em 2025 no British Journal of Sports Medicine mostram que lesões por sobrecarga representam a maioria dos casos entre corredores recreativos em um levantamento com mais de 5 mil praticantes, cerca de 35% relataram lesões, sendo 72% associadas ao excesso de carga.
Do incômodo ao afastamento: quando o corpo dá sinais
Na prática clínica, os efeitos já são evidentes. O médico do esporte e metabologista Dr. Franz Burini, do Hospital Santa Lúcia, também na capital federal, afirma que os casos vão além de dores leves. “Temos desde estiramentos musculares e entorses, principalmente de tornozelo, até quadros mais graves, como a rabdomiólise”, explica. A condição é uma lesão muscular severa causada por esforço excessivo, que pode sobrecarregar os rins.
“Muitos pacientes ainda demoram a buscar atendimento e recorrem à automedicação, o que pode agravar o quadro”, afirma o médico. Segundo ele, as lesões seguem padrões: membros inferiores em corrida e funcional, e membros superiores em esportes de raquete, como beach tennis, com maior incidência em ombro, cotovelo e punho.
“Dor persistente, perda de função e piora progressiva são sinais claros de alerta. A abordagem nas primeiras 24 horas pode fazer diferença no desfecho”, destaca. Daniella complementa: “Fadiga persistente, queda de rendimento e dores que não melhoram não devem ser ignoradas. Nem toda dor é normal, especialmente quando é intensa ou duradoura.”
Apesar do alerta, especialistas são unânimes: é possível treinar com segurança. “Risco zero não existe, mas é possível reduzir muito com progressão adequada, fortalecimento e acompanhamento profissional”, afirma Daniella. No fim, mais importante do que intensidade é consistência e respeitar os limites do corpo é o que garante evolução sem interrupções.
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