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Aumento no nível médio do mar, o que temos a perder?

Aumento no nível médio do mar, o que temos a perder?Foto: Balneario Camboriu, Santa Catarina. Imagem, exame.com.

Segundo o relatório especial do IPCC, O Oceano e a Criosfera em um Clima em Mudança, o aumento do nível médio global do mar nas últimas décadas acelera conforme a perda de gelo dos mantos de gelo da Groenlândia e da Antártida

Por João Lara Mesquita - Mar Sem Fim - 29/03/2021 - 14:15:48

Atrelado principalmente ao aquecimento global, já existem evidências científicas de que o aumento do nível médio do mar é uma realidade batendo em nossa porta, mas o que nós brasileiros temos a perder? Segundo o relatório especial do IPCC , O Oceano e a Criosfera em um Clima em Mudança , o aumento do nível médio global do mar nas últimas décadas acelera conforme a perda de gelo dos mantos de gelo da Groenlândia e da Antártida, bem como a perda contínua de massa das geleiras e expansão térmica do oceano. Isso afeta sociedade e natureza de diferentes formas. O artigo Aumento no nível médio do mar, o que temos a perder? é um colaboração da Universidade Federal do Paraná .

Aumento no nível médio do mar e consequências sociais

Riscos como a erosão costeira são a preocupação imediata quando levamos em conta que entre os 17 municípios brasileiros com mais de 1 milhão de habitantes, oito estão diretamente ligados ao oceano ou estão no interior de baías. Além de consequências óbvias como o êxodo litorâneo, também haveria a perda de infraestrutura nas regiões diretamente afetadas, possível desabrigo de milhões de pessoas, entre outros .

Aumento no nível médio do mar e consequências econômicas

Em 2019, os portos representavam cerca de 95% da corrente de comércio exterior do Brasil – 14,2% do PIB . Com base nos diferentes cenários de emissão de carbono para atmosfera do IPCC , modelos matemáticos são capazes de gerar projeções de onde estaria o nível do mar no futuro.

O afogamento de regiões em estão instalados portos estratégicos como o de Paranaguá, 2º maior porto público do Brasil , traria danos econômicos substanciais .

Imagem de mapa da baía de Paranaguá
Ilustração, Maps & Tools | Surging Seas: Sea level rise analysis by Climate Central.

Aumento no nível médio do mar e consequências ambientais

O aumento do nível do mar poderá resultar em inundações de regiões costeiras causadas pela infiltração da água do mar no lençol freático que acabariam “empurrando” a água doce armazenada para a superfície.

Como consequências: disponibilização de contaminantes enterrados; ainda, um solo mais salgado poderia comprometer plantações e causar danos aos ecossistemas costeiros como restingas, manguezais e a maior parte do remanescente da mata atlântica entre outros, podendo estressar e provocar migrações da fauna silvestre.

Imagem de mapa do Brasil
Ilustração, http://grandereservamataatlantica.com.br/natureza/mata-atlantica/.

Além do continente

Atualmente o Brasil possui seis Parques Nacionais Marinhos que protegem o bioma marinho e todos eles correm riscos com o aumento do nível médio do mar.

Alguns, como Parque Nacional da ilha dos Currais e o Parque Nacional de Abrolhos , são importantes pontos de nidificação de aves marinhas no Brasil e no Atlântico Sul, por exemplo. Além de servirem de pontos turísticos para mergulho, observação de fauna e pesquisas científicas.

Imagem, https://www.icmbio.gov.br.

Os cenários

As projeções são formadas pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), órgão da ONU responsável por compilar dados gerados por cientistas e transformá-los em cenários.

Os cenários de emissão do IPCC , identificados pela sigla RCP, levam em consideração diferentes fatores, desde séries temporais de emissões e concentrações do conjunto completo de gases de efeito estufa (GEEs), aerossóis e gases quimicamente ativos, bem como uso e cobertura da terra. O IPCC produziu quatro RCPs referentes à parte da via de concentração de GEEs que se estende até 2100.

De maneira geral, podemos enxergar esses cenários como caminhos, escolhidos de forma coletiva, que pretendemos seguir a partir de agora: o caminho da sustentabilidade (RCP2.6), se agirmos agora diminuindo drasticamente as emissões de GEEs; o caminho do meio termo (RCP4.5 e RCP6.0), e o pior cenário (RCP8.5), se não agirmos e continuarmos nossos padrões de consumo.

Infográfico mostra Aumento no nível médio do mar
Ilustração, IPCC.

Uma Nova Esperança?

A reentrada dos EUA no Acordo de Paris, com o presidente Biden prometendo zerar as emissões norte-americanas até 2050 , pode levar mais países a aderirem ao acordo e traçarem uma meta de redução de emissões o mais breve possível. A cooperação internacional e a ação rápida dos tomadores de decisão são as nossas melhores chances de minimizarmos o efeito aumento do nível médio global do mar, mas as atitudes individuais cotidianas também têm grande impacto na mitigação dessas consequências.

Bio autores

Samuel Francisco Alves Gonçalves : Graduando de Oceanografia pela Universidade Federal do Paraná no Centro de Estudos do Mar. Membro da Maris, Empresa Junior de Oceanografia da universidade, atuando como assessor Administrativo/Financeiro.

Rafael Gazola Ghedini : Biólogo formado pela Universidade do Sagrado Coração e graduando de oceanografia pelo Centro de Estudos do Mar da UFPR. Pesquisa as variações na produção primária marinha da Bacia de Santos ao longo do Holoceno com base em foraminíferos.

Prof.ª Renata Hanae Nagai : Oceanógrafa, Mestre e Doutora em Oceanografia pela Universidade de São Paulo. Desde 2015 atua como docente do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná, coordenando o Laboratório de Paleoceanografia e Paleoclimatologia.

Imagem de abertura : Dave, Creative Commons BY 2.0

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