Azul aumenta frota cargueira e aposta em cliente do agronegócio para crescer

A decisão de participar tem o objetivo de se aproximar do mercado do agro, muito forte no interior paulista e no Centro-Oeste brasileiro

Azul aumenta frota cargueira e aposta em cliente do agronegócio para crescer
Azul aumenta frota cargueira e aposta em cliente do agronegócio para crescer

Marcelo Toledo Ribeirão Preto, Sp (folhapress) - 29/04/2026 06:41:06 | Foto: Divulgação – Azul Linhas Aéreas

A Azul vai ampliar de duas para seis o número de aeronaves cargueiras e decidiu ampliar a rede de lojas do braço turístico da empresa com foco em atender o mercado consumidor do agronegócio. A afirmação foi feita à reportagem pelo CEO da companhia aérea, John Rodgerson, na Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo).

A aérea estreou neste ano na principal feira agrícola do país, que tem 800 marcas participantes, das quais cem são novas.

A decisão de participar tem o objetivo de se aproximar do mercado do agro, muito forte no interior paulista e no Centro-Oeste brasileiro.

Máquinas e equipamentos agrícolas, carne bovina, flores, sementes e pescados representam mais de 70% dos produtos movimentados pela aérea no transporte doméstico na Azul Cargo, segundo a empresa.

"Nós temos 180 aeronaves no país, e nós temos dois cargueiros específicos, que vão virar seis no ano que vem", afirmou.

Para o exterior, são enviados produtos como frutas (manga e mamão), tilápia, lagosta, bexiga de peixe e gengibre, principalmente para Estados Unidos e Europa.

"Eu falei que nós temos que estar mais perto do agro, isso é o Brasil. É inacreditável o tamanho do agro do Brasil e eu acho que o Brasil se vende mal. O Brasil tem uma potência muito, muito grande, eu vi isso semana passada em Cuiabá, vi o tamanho do agro lá, o tamanho do interior de São Paulo e eu brinco que cada vez que alguém come uma manga no sul da França, ela veio do Brasil", disse.

Ribeirão tem sete voos diários de ponte aérea, como define o CEO, para Viracopos e Confins, dois importantes hubs da Azul. A empresa também mira locais como Sorriso e Sinop (MT), Barreiras (BA), Goiânia, Cuiabá, Campo Grande, Imperatriz (MA), Londrina e Maringá (PR), e Uberlândia (MG).

Isso se deve à procura gerada pela cidade e região, polo do setor sucroenergético no país. Só a Agrishow deve gerar uma movimentação econômica de R$ 500 milhões no entorno, especialmente com os setores hoteleiro, de combustíveis e de bares e restaurantes.

Segundo ele, além de buscar os clientes do agro, a participação da Azul na maior feira agrícola do país inclui a presença da Azul Viagens, braço turístico da aérea, a Azul Conecta, que atua com aeronaves de menor porte, e os serviços de manutenção de aeronaves Cessna Grand Caravan, largamente usadas no meio rural.

"Em Ribeirão nós temos a ponte aérea para Campinas, para Confins, todo dia. Mas, no fim de semana, o que nós fazemos aqui é Pernambuco, é Porto Seguro, é Natal, Maceió, porque o cara do agro do interior de São Paulo tem dinheiro, trabalha para caramba e no fim de semana quer conhecer as belezas do Brasil", afirmou.

Ele afirmou que, quando a Azul surgiu, uma possibilidade era ter seu principal hub no Rio, não em Campinas, mas o fato de não ter dado certo acabou sendo um acerto, dado o avanço do agro desde então. "Quando viemos montar a Azul, Campinas tinha apenas seis voos por dia, agora tem 200, 195 da Azul."
Ele afirmou que a aérea deu certo por ter vários tipos de aeronaves, que conectam cidades de tamanhos variados, e citou o ATR, que comporta até 72 passageiros, como exemplo de boa conexão entre Ribeirão e Campinas.

"O Brasil está crescendo no interior de São Paulo, de Minas Gerais, do Centro-Oeste, e do interior de Pernambuco, por exemplo. A gente está crescendo muito nessas áreas."
Para Rodgerson, os anos de crise da Azul ficaram para trás e "o brilho está voltando". A Azul Viagens, agência de turismo da Azul, abrirá 120 lojas até o fim do ano, conta o executivo, a maioria delas no interior de São Paulo.

As demais serão em Minas Gerais. A abertura, que significa dobrar o total existente hoje, segue a lógica de priorizar grandes centros que estão em pleno desenvolvimento econômico.

A empresa vende pacotes, voos exclusivos, estadias em hotéis, experiências e serviços voltados para o turismo, a exemplo das viagens para destinos turísticos no Nordeste citados por Rodgerson.

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