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Brasil fecha 2018 como segundo maior mercado pet do mundo

Brasil fecha 2018 como segundo maior mercado pet do mundoFoto: Divulgação

Setor faturou R$ 20 bilhões em 2018 e deve continuar crescendo em 2019. Pulverizado, é um bom mercado para pequenos empreendedores também

Gazetadopovo - 05/04/2019 - 19:30:02

O mercado brasileiro de produtos para animais de estimação continua mostrando seu fôlego, mesmo frente à crise financeira do país nos últimos anos.

Em 2018, o setor movimentou mais de R$ 20 bilhões, 9,8% a mais que em 2017. Com isso, o Brasil se tornou o segundo maior mercado global de produtos pet, com 6,4% de participação, ultrapassando o Reino Unido (6,1%) pela primeira vez.

Em primeiro lugar estão os Estados Unidos, com 50%.


Segundo relatório da Euromonitor, a mudança no estilo de vida da sociedade tem impacto direto nestes resultados. Com o aumento no número de lares com uma só pessoa, taxas de natalidade em queda e famílias tendo filhos cada vez mais tarde, os pets se tornaram uma opção de companhia. “O tratamento do animal como membro da família impulsiona o crescimento do mercado em volume e, de forma mais acelerada, em faturamento à medida que os consumidores elegem produtos premium e investem mais na saúde e bem-estar do animal”, explica Caroline Kurzwell, analista da Euromonitor.

A consolidação do setor se deu, em especial, nos últimos três anos, com o crescimento do interesse de fundos de investimentos e também de investidores individuais. “No Brasil, existem setores que são sempre campeões, pouco afetados por crises, como o de cosméticos e o de saúde. A nova aposta foi o mercado pet”, conta Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores que há três anos é palestrante da Pets South America, feira que reúne empreendedores do ramo e aponta tendências para o setor.

A aposta não foi em vão. Segundo Tozzi, antes da crise, quando houve uma explosão de consumo no país, o setor deu os primeiros sinais de que era promissor.

A crise veio e a análise foi de que ele não sofreria os mesmos impactos de outras frentes de varejo, pois havia espaço para crescer graças a uma demanda ainda reprimida por produtos diferenciados.


A Petz está entre as empresas que receberam investimentos neste período. Em 2013, o fundo Warburg Pincus comprou 55% de sua operação, abrindo os caminhos da empresa para expansão. Hoje, a Petz é a segunda maior varejista pet do Brasil, com faturamento de R$ 920 milhões em 2018 e 82 lojas que comercializam mais de 20 mil itens, nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Para 2019, a Petz planeja abrir 34 novas unidades e chegar a R$ 1 bilhão em faturamento.

Já a líder Cobasi, que preferiu ficar de fora do radar dos investidores, faturou seu primeiro R$ 1 bilhão em 2018. Na visão de seus fundadores, os irmãos da família Nassar, a gestão mais tradicional, centrada na família, permite mais controle de sua cadeia. Hoje com 76 lojas próprias em sete estados, a companhia não aposta no modelo de franquia por acreditar que, para ele funcionar, é preciso deter domínio total de seu produto, da produção à distribuição, à exemplo do que acontece em empresas como O Boticário.

“Mais importante do que nos mantermos líderes, é que nossas lojas sejam rentáveis. Para isso, temos estratégias de marketing, desenvolvemos conteúdos para os clientes e estamos buscando oferecer a melhor experiência de compra possível”, diz Daniela Bochi, gerente de marketing da Cobasi.

A experiência do cliente parece ser a ordem da vez. Em setembro de 2018, a Petz inaugurou uma loja modelo na Avenida Ricardo Jafet, em São Paulo, que possui um Pet Play, local de socialização onde os tutores podem levar seus bichinhos para brincar e também para adestramento. A mesma unidade também passou a oferecer o serviço de Day Care, espécie de creche para animais, e de Hotel, que recebe os pets quando os tutores precisam viajar.

Uma parte da loja também foi cedida à ONG paulistana Adote um Gatinho, promovendo campanhas de adoção de animais abandonados. “É a nossa principal loja em termos de conceito e experiência. Estamos testando ali e estudando em quais lojas da nossa rede ele pode ser replicado”, explica Claudia Montini, gerente de Marketing da Petz.

Ainda na mesma unidade, funciona o centro veterinário Seres, que atende de casos mais simples aos de alta complexidade. Os profissionais que ali atuam são todos contratados pela empresa, e o espaço também pode ser usado por veterinários e clínicas. “Muitas vezes estes profissionais não possuem o espaço necessário para realizar procedimentos de maior complexidade.

Nós temos os equipamentos e a tecnologia necessária para isso, e podemos compartilhar com eles”, explica Montini.

A Cobasi também possui a Spet, que subloca espaços para clínicas veterinárias e empresas de banho e tosa. Segundo Bochi, é um serviço que já existe há mais de 20 anos e hoje está em 62 das lojas da rede. “Os clientes querem a praticidade de encontrarem tudo em local só, então oferecer estes serviços é essencial”, afirma a gerente.

A busca pela experiência é uma megatendência chamada pela Euromonitor de Experience More, e está impulsionando as vendas em determinados canais. “A ideia é oferecer um espaço de socialização entre pessoas que compartilhem os mesmos interesses e valores, aumentando o tráfego nas lojas e, consequentemente, as vendas, além de consolidar ainda mais estes canais como uma válida alternativa de compra para o brasileiro”, diz Kurzwell.


Mercado pulverizado significa oportunidade para os pequenos


O aumento no faturamento foi protagonizado pelas superstores como Cobasi e Petz, mas o mercado ainda é bastante pulverizado, com 44% das vendas sendo feitas por pequenos e médios pet shops. Isso acontece principalmente em regiões onde essas megalojas ainda não chegaram, ou estão pouco presentes, como a Região Nordeste. O que também significa oportunidades para os pequenos empreendedores.


A Cobasi inaugurou sua primeira loja na região em setembro de 2018, em um shopping center no Recife (PE). Ainda no primeiro semestre, deve ser inaugurada a loja de Fortaleza (CE). “Estamos focados na expansão nesta região, mas existem dificuldades tributárias e logísticas”, explica Bochi.

Já a Petz se prepara para chegar ao Nordeste em 2019, com lojas em Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE), Natal (RN) e João Pessoa (PB).


O processo de expansão mais vagaroso nesta região, segundo Montini, acontece por desafios na logística, dada a distância maior do Centro de Distribuição da empresa, que fica em Embu das Artes (SP). O CD está passando por readequações, e não se descarta a abertura de um espaço mais próximo à região. “Além disso, temos equipes voltadas para entender os hábitos das pessoas, conversando com moradores. Não queremos chegar a impor nosso modelo, mas entender o que melhor funciona ali”, diz Montini.

Oferta de produtos e serviços diferentes, que falem direto com a clientela, são a chave do sucesso.


Mas e o que acontecerá aos pequenos e médios, com a chegada dos grandes players nas regiões em que eles dominam? Para Adriana Góes, da Valor Pet, consultoria especializada neste tipo de mercado, há espaço para todos, mas saber identificar qual o diferencial do seu negócio é a chave. “Uma das vantagens deles em relação ao grande é a proximidade do cliente final, o atendimento individualizado.


Esta atenção ajuda a desenvolver a confiança, sentimento primordial neste tipo de ramo”, diz.

Segundo Góes, os principais desafios para os donos de pet shops estão na administração, dificultada por serem empresas mistas que oferecem serviços e produtos, mas com equipes bem mais enxutas que das grandes lojas. “Os donos geralmente são ‘faz-tudo’, e se envolvem com todos os processos. Não são empresas setorizadas. Por isso, as vezes a parte estratégica fica mais capenga”, relata.

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