Brasil mobiliza cerca de US$ 100 bilhões para financiar sua transição ecológica
Rio De Janeiro, 3 Jul Agência Xinhua Brasil - 08/07/2026 07:00:17 | Foto: DIVULGAÇÃO/INB - Brasil 247
O Brasil começou a redefinir o papel do urânio em sua transição energética e estratégia de desenvolvimento industrial, deixando de considerá-lo meramente uma matéria-prima para abastecer seu programa nuclear e elevando-o ao status de ativo estratégico, explicou nesta sexta-feira Alessandro Facure, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN).
Em coletiva de imprensa com correspondentes estrangeiros, incluindo a Xinhua, organizada pela Associação de Imprensa Estrangeira (AIE), Facure afirmou que o novo contexto é marcado pela busca por segurança energética, a descarbonização da economia e o crescente interesse global pela energia nuclear.
Refletindo essa mudança, o governo criou um grupo de trabalho para avaliar o potencial de produção de urânio do país, analisar projetos em andamento e elaborar cenários de expansão. "O urânio está sendo visto como um ativo estratégico com muito mais intensidade", declarou Facure, que relacionou essa tendência aos compromissos internacionais de redução de emissões e à necessidade de garantir o fornecimento de energia.
O presidente da ANSN destacou que o Brasil ocupa atualmente entre o sétimo e oitavo lugar no mundo em reservas conhecidas de urânio, embora apenas cerca de 30% do seu território tenha sido prospectado. "Após a prospecção de todo o nosso território, certamente sairemos dessa sétima ou oitava posição", afirmou.
Facure também citou a China como exemplo da renovada proeminência da energia nuclear. "A China é um grande exemplo do papel central da energia nuclear nesse processo", afirmou, enfatizando sua contribuição para a descarbonização e a segurança energética.
O presidente da ANSN ressaltou que a missão do órgão regulador não é promover a energia nuclear, mas garantir que qualquer expansão do setor ocorra sob rigorosos critérios de segurança e em conformidade com as normas internacionais. "O papel da autoridade é garantir que o desenvolvimento ocorra de forma segura, previsível e sustentável", observou.
Por sua vez, Roberto Garibe, Secretário Especial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), argumentou que o Brasil deve alavancar suas vantagens comparativas para fortalecer sua segurança energética e promover a industrialização. "Nossa vantagem nos permite observar esse mercado e direcionar nossas decisões para garantir segurança energética, industrialização e empregos de qualidade", afirmou.
Um dos principais pilares dessa estratégia é o projeto minerador e industrial Santa Quitéria, no estado do Ceará, desenvolvido pela Indústrias Nucleares Brasileiras (INB) e pela empresa Galvani. A iniciativa produzirá urânio e fosfato simultaneamente, abastecendo tanto o setor nuclear quanto a agricultura.
O gerente do projeto, Cristiano Brandão, explicou que Santa Quitéria terá capacidade para fornecer urânio suficiente para abastecer as usinas nucleares de Angra 1 e 2, bem como a de Angra 3, caso entre em operação, além de suprir aproximadamente 25% da demanda por fertilizantes fosfatados no norte e nordeste do Brasil.
Brandão observou que o Brasil importa cerca de 87% dos fertilizantes que consome, apesar de ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo. "O Brasil não pode ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo e depender da importação de fertilizantes de países com situações geopolíticas complexas", declarou.
Ele acrescentou que o projeto também reduzirá a dependência do Brasil das importações de urânio e o posicionará como um potencial exportador desse mineral, cuja demanda está crescendo entre os países comprometidos com a descarbonização.
Os participantes concordaram que a energia nuclear deve complementar o crescimento das fontes renováveis, proporcionando estabilidade à rede elétrica. Nesse contexto, o Brasil pretende alavancar suas vastas reservas de urânio, fortalecer sua indústria nuclear e consolidar o mineral como pilar de sua transição energética e estratégia de desenvolvimento tecnológico.
Brasil mobiliza cerca de US$ 100 bilhões para financiar sua transição ecológica
Rio de Janeiro, 3 jul (Xinhua) -- O governo brasileiro anunciou nesta sexta-feira que o Plano de Transformação Ecológica mobilizou mais de 500 bilhões de reais (US$ 96,7 bilhões) em recursos públicos e privados desde seu lançamento em 2023 para expandir o financiamento sustentável e impulsionar a transição para uma economia de baixa emissão.
O relatório foi divulgado pelo Ministério da Fazenda, que destacou que a iniciativa permitiu a expansão das fontes de financiamento público e atraiu investimentos privados.
"Foram lançadas as bases para um novo padrão de crescimento econômico, com inovação, sustentabilidade e justiça social", disse Rafael Dubeux, assessor especial do Ministério da Fazenda.
Entre as principais medidas, o governo destacou a captação de US$ 5,5 bilhões por meio da emissão de títulos verdes, cuja receita foi destinada ao Fundo do Clima, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para financiar projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Segundo o ministério, o Fundo do Clima aumentou seus recursos disponíveis em 316 vezes desde 2020 e atualmente conta com 27 bilhões de reais (US$ 5,22 bilhões) para financiar iniciativas relacionadas à transição energética, indústria verde, desenvolvimento sustentável, florestas, recursos hídricos e mobilidade e logística sustentáveis.
O governo também destacou a liberação de recursos para fundos de ciência, tecnologia e inovação, cujos compromissos de investimento neste ano atingiram 30,7 bilhões de reais (US$ 5,94 bilhões), destinados a projetos tecnológicos de alto risco.
Na área de investimento privado, o mecanismo Eco Invest mobilizou 140 bilhões de reais (US$ 27,08 bilhões), utilizando recursos públicos para reduzir o custo do crédito e mitigar a volatilidade cambial. Quatro leilões com o objetivo de viabilizar projetos estratégicos foram realizados até 2025.
Da mesma forma, a Plataforma Brasileira de Investimentos em Clima (PBIC), criada para conectar investidores a projetos sustentáveis, já trabalha com 22 iniciativas e espera canalizar mais de US$ 26 bilhões em investimentos.
O ministério também informou que, entre 2023 e 2026, empresas emitiram debêntures lastreadas em incentivos no valor de 396 bilhões de reais (US$ 76,6 bilhões) para financiar projetos sustentáveis.
Em questões regulatórias, o governo destacou a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), o desenvolvimento de uma Taxonomia Brasileira de Sustentabilidade e a aprovação do marco legal para o hidrogênio de baixa emissão, a Lei do Combustível do Futuro e a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
A subsecretária executiva do Ministério da Fazenda, Ursula Peres, afirmou que o fortalecimento do marco regulatório é essencial para proporcionar segurança jurídica e gerar confiança tanto para investimentos públicos quanto privados.
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