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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 19 de agosto de 2022

Brasília enfrenta a pior epidemia de dengue da história. Doença mata 26 em 5 meses

Brasília enfrenta a pior epidemia de dengue da história.  Doença mata 26 em 5 meses

Foto: Correio Braziliense

Pior situação da doença na história do Distrito Federal resulta, até 1º de junho, em 24 mil pessoas infectadas pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. GDF atribui situação a condições climáticas e ao tipo de micro-organismo em circulação

Por Bruna Lima E Sarah Peres - Correio Braziliense - 12/06/2019 - 07:39:46

O Distrito Federal passa pela pior epidemia de dengue da história. Os casos notificados da doença na capital do país chegaram a quase 27,7 mil (veja Sob risco), com mais de 24 mil pacientes classificados como prováveis infectados pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Os dados da Secretaria de Saúde vão até 1º de junho, quando foram registradas 26 mortes.


O levantamento mais recente mostra um acréscimo de 12% em relação ao boletim epidemiológico anterior, de 25 de maio, quando o número de pacientes prováveis era de 21,4 mil. Também houve aumento de cinco mortes pelo vírus: em maio, o governo confirmou 21 casos fatais, o que representa um crescimento de 23,8%. Trata-se do segundo maior número de óbitos por dengue nos últimos cinco anos, conforme apuração do Correio. O recorde do período era de 2015, com 28 mortes. No entanto, o número pode ser superado, pois a Secretaria de Saúde investiga o óbito de nove pessoas.


Dentro de estruturas como a do Itapoã, as pessoas passam por hidratação para evitar desequilíbrio no sangue (Minervino Júnior/CB/DA.Press - 28/5/19)
Dentro de estruturas como a do Itapoã, as pessoas passam por hidratação para evitar desequilíbrio no sangue

Fila diante da tenda montada em Ceilândia para receber especialmente os pacientes com suspeita de dengue (Ana Rayssa/CB/D.A Press - 8/6/19)
Fila diante da tenda montada em Ceilândia para receber especialmente os pacientes com suspeita de dengue


A servente Karen Figueiredo, 38 anos, perdeu o sogro, Francisco José Roque de Almeida, 64, para a doença. “A gente sabe que dengue mata, mas nunca imagina que será alguém tão próximo. O meu sogro, mesmo sendo um homem forte e saudável, foi para o hospital e não resistiu. Essa poderia ter sido a minha realidade e de outras oito pessoas da nossa família que também contraíram a doença”, alerta.


A família de Francisco mora no Setor de Chácaras do Guará, área com muita vegetação e pouca atuação do Estado, segundo Karen. “Foi um absurdo o número de moradores da região que ficaram doentes. O filho da vizinha, de 9 anos, teve de lutar pela vida depois de pegar a forma hemorrágica da doença. O pior é que a gente aciona o governo para passar o fumacê, recolher o lixo em lotes abandonados e ninguém vem. Nem repelente nos postos de saúde a gente consegue com facilidade. A gente faz a nossa parte dentro de casa, mas, às vezes, o problema está do outro lado do muro”, lamenta.


Segundo a servente, mesmo após a retomada do fumacê, que ficou 24 dias suspenso por determinação do Ministério Público do Trabalho da 10ª Região (MPT-10), o serviço nunca passou perto da casa dela. “A comunidade está bastante assustada e não é para menos. O jeito é viver com repelente na bolsa e proteger os meus filhos para que outra tragédia não aconteça”, afirma.

Hiperpopulação


O aumento na quantidade de casos é reflexo das questões climáticas e do tipo de vírus em circulação, avalia o subsecretário de Vigilância em Saúde, Divino Valero Martins. “Choveu muito mais e, consequentemente, houve crescimento no número de mosquitos em todo o Distrito Federal. A hiperpopulação do Aedes aegypti, em conjunto com um dos tipos mais agressivos da dengue, trouxe uma resposta que é vista nos dados”, esclarece.

No entanto, Divino ressalta que o papel da sociedade é fundamental no combate ao mosquito. “O Brasil tem quase 80 milhões de imóveis e, na contramão, pouco mais de 50 mil agentes. É humanamente impossível atribuir toda a responsabilidade apenas ao governo, que faz a parte dele. O nosso serviço no DF será intensificado, mas a própria população precisa entender que o combate à dengue é coletivo”, explica.


Apesar de os números mostrarem alta de 12% em uma semana, o subsecretário explica que isso se deve a dados que não foram computados nas datas corretas. “A explosão dos casos foi um registro das semanas epidemiológicas anteriores, e o que realizamos foi a consolidação desses dados. Primeiro, acompanham-se e conferem-se resultados para, depois, publicar. A tendência é a desaceleração”, avalia Divino.


Descaso


Em 6 de maio, o MPT-10 interrompeu o fumacê no Distrito Federal. A proibição decorreu de uma diligência na Diretoria de Vigilância Ambiental do Distrito Federal (Dival), em Taguatinga. Segundo o MPT, faltavam itens básicos de treinamento, de higiene, de segurança e de proteção ao meio ambiente e ao trabalhador. Os veículos que espalham o inseticida voltaram a rodar em 30 de maio, após ser aprovada a reforma no espaço e o cumprimento das exigências.



Dificuldade no atendimento


Para quem depende da saúde pública, a saga para conseguir atendimento torna a situação da dengue ainda pior. Desde segunda-feira, seis hospitais da rede — Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Sobradinho, Planaltina e Brazlândia — estão com o serviço restrito para pacientes em estado grave. A recomendação da Secretaria de Saúde é de que as pessoas procurem as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o que nem sempre representa uma solução.


Há três semanas, a dona de casa Lucileuda Andrade, 52 anos, busca atendimento para o marido, o motorista Antônio Pereira, 54. “Estamos rodando atrás de médico e sempre escutamos que não tem. Aqui na UPA (de Ceilândia) ele conseguiu ir para a triagem, após horas de espera. Mas disseram que não tinha previsão de atendimento. Nós continuamos nessa, com ele perdendo peso todos os dias, com fraqueza e tosse”, reclama a moradora de Ceilândia, que suspeita de dengue no caso do companheiro.


Questionado sobre esse tipo de situação, o subsecretário de Atenção Integrada à Saúde, Ricardo Ramos, alega que os dados apresentados nos balanços da Secretaria de Saúde mostram que o serviço é prestado nas unidades da rede. “Para reforçar esse trabalho, que já estava sendo feito, instalamos as tendas que recebem pacientes com suspeita de dengue. O tratamento começa assim que o servidor da saúde levantar o diagnóstico, que é clínico, não dependendo do exame", detalha.


Sintomas


Foram instaladas 10 tendas da força-tarefa, que conta com profissionais de diversas áreas. O principal objetivo é fazer a hidratação de pacientes com suspeita de dengue. “A hidratação tem efeito imediato e evita o desequilíbrio no sangue, como a diminuição de plaquetas”, revela Ricardo. As tendas funcionam no Varjão, Guará, em Itapoã, Planaltina, na Estrutural, em Sobradinho 2, Samambaia, Ceilândia, São Sebastião e Brazlândia (veja Onde ficam) e devem seguir com o atendimento pelo menos até o fim da semana.


Entre 25 de maio e 9 de junho, 18.280 pessoas foram atendidas nas instalações provisórias. Do total, 12.884 estavam com suspeita de dengue, 3.580 receberam hidratação ou medicação e 404 precisaram ser levadas para hospitais. A recomendação da pasta é de que a população procure atendimento nas tendas ou unidades de saúde caso apresente febre acompanhada de dores no corpo, nos olhos, na cabeça ou nas juntas.


Onde ficam




Ceilândia

QNN 27, Área Especial D


Samambaia

Estacionamento do Hospital Regional de Samambaia,

na QS 614, Conjunto C, lote 1/2


Estrutural

UBS 1, Área Especial 2,

Avenida Central


Brazlândia

Estacionamento do Hospital Regional de Brazlândia, na Área Especial nº 1, Setor Tradicional


Itapoã

UBS 1, Quadra 378,

Área Especial, Del Lago

Planaltina

Estacionamento do Hospital Regional de Planaltina,

no Setor Hospitalar Quadra 1


Sobradinho 2

UBS 2, DF-420,

Setor de Mansões, n° 1


São Sebastião

Quadra 102, Conjunto 1,

Lote 1, em São Sebastião


Varjão

UBS 1, Vila Varjão, Quadra 5,

nº 5, Conjunto A, Lote 17


Candangolândia

UBS 1, Área Especial,

Quadra 5/7

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