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Buraco na camada de ozônio do Ártico, novo recorde

Buraco na camada de ozônio do Ártico, novo recordeFoto: Pixabay

Buraco na camada de ozônio do Ártico rivaliza com o da Antártica

Estadão Conteúdo - 11/05/2020 - 16:42:32

O Ártico , que há muitos anos sofre as consequências devastadoras do aquecimento global , foi palco de mais um evento extremo no começo de 2020. No final de março, foi observado o surgimento de um enorme buraco na camada de ozônio do Ártico. Fenômeno que se expandiu até alcançar mais de um milhão de quilômetros quadrados. É o maior buraco já registrado na região. O tamanho supera em algumas vezes o da área da Groenlândia. A boa notícia é que ele se fechou no final de abril, segundo o Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus , da União Europeia.

infográfico mostra Buraco na camada de ozônio do Ártico

O ozônio é um gás presente na atmosfera. Protege os seres vivos da radiação ultravioleta solar, nociva à saúde. A exposição a essa radiação pode causar câncer de pele. Além de outras doenças e males à vida na Terra. A camada de ozônio está situada entre 10 quilômetros e 50 quilômetros acima do nível do solo. E esse buraco no Ártico, formado distante cerca de 18 quilômetros da superfície terrestre, quer dizer que a camada de ozônio nessa região foi destruída.

Buraco na camada de ozônio do Ártico rivaliza com o da Antártica

Revelado pela revista científica Nature , o tamanho do buraco na camada de ozônio no Ártico é comparado apenas ao da Antártica . Mas, no Ártico , foi considerado um fenômeno raro e menos preocupante do que o buraco no ozônio na Antártica . “Do meu ponto de vista, é a primeira vez que se pode falar de um verdadeiro buraco no ozônio no Ártico ”, disse Martin Dameris à Nature . Ele é cientista atmosférico do Centro Aeroespacial Alemão em Oberpfaffenhofen .

Segundo os pesquisadores, o buraco no Ártico não foi causado por gases refrigerantes – esses utilizados em geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e aerossóis, os responsáveis pela destruição do ozônio na Antártica . Nem por outras fontes de poluição terrestre. Os responsáveis foram ventos fortes que fluíram do oeste para o Polo Norte. E prenderam “o ar frio dentro de um vórtice polar” – ou seja, um ciclone.

“Havia mais ar frio acima do Ártico do que em qualquer inverno registrado desde 1979.” A afirmação é de Markus Rex, cientista atmosférico do Alfred Wegener Institute em Potsdam, Alemanha. “Nas temperaturas frias, as nuvens de alta altitude se formaram e as reações de destruição do ozônio começaram.”

Na Antártica buraco é mais preocupante

A Nature explica que no rigoroso inverno Antártico , a cada ano, temperaturas geladas permitem que nuvens de alta altitude se formem no Polo Sul. “Produtos químicos, incluindo cloro e bromo, que provêm de (gases) refrigerantes e outras fontes industriais (de poluição), desencadeiam reações nas superfícies das nuvens.” O que faz com que a camada de ozônio seja, literalmente, devorada por essas fontes poluidoras.

Infográfico mostra Buraco na camada de ozônio da antártica
Na Antártica.

“Essas condições são muito mais raras no Ártico , que tem temperaturas mais variáveis”, disse Jens-Uwe Grooß, cientista atmosférico do Centro de Pesquisa Juelich , da Alemanha. Como oscilam muito, tanto para cima como para baixo, as temperaturas acabam protegendo a camada de ozônio no Ártico .

Ozônio no Ártico: perda histórica

Os pesquisadores medem os níveis de ozônio no Ártico com balões meteorológicos, explica a Nature . “No final de março, esses balões mediram uma queda de 90% no ozônio a uma altitude de 18 quilômetros, que fica bem no coração da camada de ozônio . Onde os balões normalmente medem cerca de 3,5 partes por milhão de ozônio , eles registram apenas cerca de 0,3 partes por milhão”, disse Rex. “Isso supera qualquer perda de ozônio que vimos no passado.”

O cientista, contudo, garantiu que o buraco não trouxe danos, uma vez que estava em alta latitude e sobre áreas pouco habitadas. Mas é um fenômeno atmosférico extraordinário que será registrado nos livros de história, segundo a Nature .

A importância do Protocolo de Montreal

“As coisas teriam sido muito piores este ano, se as nações não tivessem se reunido em 1987 para aprovar o Protocolo de Montreal , o tratado internacional que suspende o uso de produtos químicos que destroem a camada de ozônio ”, disse Paul Newman à revista. Ele é cientista atmosférico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA (a agência espacial dos Estados Unidos).

“O buraco na camada de ozônio na Antártica está agora a caminho da recuperação – o buraco do ano passado foi o menor já registrado. Mas levará décadas para que os produtos químicos desapareçam completamente da atmosfera.” A expectativa dos especialistas é que a camada de ozônio na Antártica se restabeleça a um padrão anterior ao da década de 1980 apenas por volta de 2050.

Imagem de abertura : https://www.sciencenews.org/

Fontes : https://www.nature.com/articles/d41586-020-00904-w; https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,buraco-recorde-na-camada-de-ozonio-sobre-o-artico-se-fecha, 70003287939 ; https://www.cavasier.com/2020/04/o-maior-buraco-registrado-na-camada-de.html?fbclid=IwAR2Daq6a1WFYfRh7veNX4tAsNLfnncn7_dQWQcqoVqKh7hwCz5Z4odh505Y.

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