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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 04 de dezembro de 2021

Campanha de Solidariedade do MTD fortalece os processos organizativos nas comunidades

Campanha de Solidariedade do MTD fortalece os processos organizativos nas comunidadesFoto: Reprodução

Cozinhas Populares em ocupações sem teto no bairro de Mangabeira.

Carolina Ferreira - Brasil De Fato | João Pessoa (pb) - 02/11/2021 - 09:24:37

A fome, o desemprego, a possiblidade de despejo nas ocupações são problemas enfrentados pelo movimento

A Campanha de Solidariedade “Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome” é uma iniciativa do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD/PB). O objetivo é fortalecer os processos organizativos: a geração de trabalho e renda e a criação de um banco de emprego. A campanha faz parte da continuação da rede de solidariedade Periferia Viva, composta por diversos movimentos sociais. O primeiro ano da campanha priorizou o atendimento emergencial (cestas básicas, material de higiene pessoal e limpeza, medicamentos), em áreas de ocupação da região metropolitana de João Pessoa.

Em 2021, novo ano da campanha, houve redução das doações em fator do aumento de pessoas que começaram a passar por dificuldades financeiras. “A gente tem feito a tentativa de potencializar as iniciativas organizadas nos territórios, para que as pessoas tenham autonomia”, explana Bárbara Zen, economista e militante do MTD/PB. Conforme Gleyson Melo, também militante do MTD/PB, o desafio é transformar a campanha para matar a fome em organização popular.


Cozinhas Populares em pleno funcionamento em ocupações sem teto. / Reprodução

De acordo com a pesquisa “Inquérito Nacional sobre insegurança alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil”, realizada em 2020 pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssam), 19 milhões de brasileiros e brasileiras estão em situação de fome. O estudo aponta que o Brasil se tornou o epicentro da pandemia com alto índice de mortes por covid-19, falência do sistema de saúde e sem política econômica, social, a fim de reduzir os impactos, concluindo que a fome chegou a níveis próximos do ano de 2004, ou seja, um grande retrocesso em questão de segurança alimentar do povo brasileiro. Nessa perspectiva, as Cozinhas Populares surgem como um dos processos organizativos, em fator do problema da fome e insegurança alimentar.


Mulheres são as que mais impulsionam ações de feitura dos alimentos e organizam as cozinhas populares. / Reprodução

Segundo o MTD/PB, elas “são construídas a partir da auto-organização dos grupos de trabalho, compostos, em sua maioria, por mulheres da comunidade a partir de espaços coletivos de compartilhamento de responsabilidades e decisões”. No bairro de Mangabeira VIII, existem três comunidades de atuação do MTD/PB: Thiago Nery, Patrícia Tomáz e Aratu. As cozinhas populares desses territórios alimentam, em média, 1000 pessoas por semana. “Na verdade a solidariedade ela já existe, se a gente pensar como uma prática cotidiana entre as pessoas nas comunidades. Por exemplo, a mãe que deixa o filho com a vizinha para poder trabalhar. Essa é uma pratica de solidariedade ativa. A campanha só vem trazer a solidariedade para o centro e tentar transformá-la em um processo de organização popular”, afirma Gleyson.


Solidariedade ativa fez diferença na vida de millhares de pessoas durante pandemia. / Reprodução

Bárbara Zen relata que o MTD tem enfrentado uma grande dificuldade no sentido do trabalho com as pessoas. “É muito difícil fazer um processo de luta por direitos quando as pessoas estão necessitando do básico, carecem do arroz e feijão na mesa. Essa é uma realidade concreta. Não tem emprego, as pessoas não têm uma renda fixa, não têm auxílio emergencial, a economia está estagnada, mesmo com as coisas reabrindo. Não tem geração de emprego, a indústria brasileira está sendo desmontada e vendida. Nesse contexto, não tem perspectiva para que haja uma melhora do cenário econômico, o que reflete diretamente na vida do povo”.

Nos últimos meses, foram veiculados na mídia casos de pessoas procurando comida no lixo, como também a venda e distribuição de ossos em supermercados e açougues. Essa é uma conjuntura que demonstra o aumento da fome e da insegurança alimentar. O alto preço dos alimentos e gás de cozinha e o fato de que 80 % dos novos cargos criados em 2020 foram informais, dado do Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – isto é, sem garantia de direitos trabalhistas – compõem o contexto da crise alimentar no país. “Esse fato da fome, das pessoas estarem revirando o lixo para conseguir se alimentar se deve ao fato de que existe uma parcela da população brasileira que vive muito bem, que come muito bem, que dorme muito, que viaja muito bem e existe outra parcela que somente é explorada, exaurida. Precisamos nos organizar para dizer para os de cima que não aceitamos mais essa realidade”, conclui a militante Bárbara Zen.

Em relação à Campanha de Solidariedade, Gleyson Melo aponta que “as campanhas de solidariedade foram e continuam sendo importantes, pois são a porta de entrada para o que chamamos de trabalho de base, que é nada mais do que é educação popular. Precisamos sempre fazê-lo com um horizonte estratégico, de uma mudança profunda da sociedade brasileira, a partir de suas estruturas injustas, historicamente construídas. É o grande desafio que temos pela frente”.

Para manter o trabalho, a Campanha “Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome” está recebendo doações. As principais demandas de alimentos não perecíveis são: arroz, feijão, macarrão, óleo, cuscuz, soja, sal, açúcar, cominho, colorau e farinha de mandioca. Confira abaixo como contribuir:

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