China denuncia sanções dos EUA que desbloqueiam bancos venezuelanos, mas vedam negócios com Pequim

Alívio parcial dos EUA manteve sancionadas as transações com entidades de China, Rússia, Irã, Cuba e Coreia do Norte

China denuncia sanções dos EUA que desbloqueiam bancos venezuelanos, mas vedam negócios com Pequim
China denuncia sanções dos EUA que desbloqueiam bancos venezuelanos, mas vedam negócios com Pequim

Por bruno Falci e mauro Ramos - Portal Brasil  - 17/04/2026 16:11:31 | Foto: Porta-voz das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em coletiva de imprensa da pasta | Crédito: Mauro Ramos/Brasil de Fato

A China manifestou oposição às licenças gerais emitidas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos que desbloquearam parcialmente o sistema bancário da Venezuela, mas continuaram proibindo transações com empresas chinesas.


“A China sempre rejeitou sanções unilaterais sem base no direito internacional e sem autorização do Conselho de Segurança da ONU”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em resposta ao Brasil de Fato, na coletiva de imprensa da pasta nesta sexta-feira (17).


Guo disse ainda que Pequim “se opõe a qualquer forma de jurisdição extraterritorial que viole os princípios de soberania” e que os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela “devem ser garantidos sem condições”.

As licenças GL 56 e GL 57, assinadas em 14 de abril pelo diretor do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), Bradley T. Smith, autorizam operações de correspondência bancária em dólares, abertura e fechamento de contas, remessas, transferências e câmbio envolvendo o Banco Central de Venezuela, o Banco de Venezuela, o Banco del Tesoro e o Banco Digital de los Trabajadores, instituições que estavam sob sanções havia sete anos.


O texto, porém, proíbe qualquer transação com entidade “controlada, direta ou indiretamente, por pessoa localizada ou organizada sob as leis da República Popular da China”, além de vedações equivalentes para entidades ligadas à Rússia, ao Irã, à Coreia do Norte e a Cuba.

Outras sanções

Não é a primeira vez que Pequim reage a esse tipo de medida. No dia 1º de abril, a porta-voz Mao Ning já havia criticado licenças anteriores relacionadas a investimentos minerais na Venezuela, igualmente excludentes em relação à China. Na ocasião, Mao exigiu que Washington “elimine imediatamente as sanções ilegais e unilaterais contra a Venezuela, em vez de usar as licenças para disfarçar suas ações de violação dos direitos e interesses legítimos da Venezuela e de outros países envolvidos”.

Esta semana, a vice-presidente executiva venezuelana, Delcy Rodríguez, defendeu o fim completo das sanções sobre a indústria petrolífera, argumentando que licenças temporárias não oferecem a segurança jurídica necessária para projetos de larga escala.

As declarações foram feitas ao subsecretário do Departamento de Energia dos EUA, Kyle Haustveit, quando o recebeu no Palácio de Miraflores. “Insistimos com o presidente Trump que ele deve pôr fim às sanções agora para que todos os investimentos possam ser plenamente desenvolvidos”, afirmou, segundo a imprensa da presidência. Rodríguez também convocou uma mobilização nacional contra o bloqueio econômico, com marcha prevista para partir em 19 de abril e chegar a Caracas em 1º de maio.

Venezuela retoma relações com FMI e Banco Mundial

Ao mesmo tempo, na quinta-feira (16), a Venezuela anunciou a retomada de relações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, encerrando o afastamento com as instituições desde 2019.


A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, indicou que a Venezuela vai reativar sua representação na organização. O Banco Mundial confirmou separadamente a retomada de relações com Caracas, cujo último empréstimo era de 2005. Rodriguez descreveu o conjunto de desenvolvimentos como “uma grande conquista diplomática”.

Editado por: Rafaella Coury

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