Congresso da Abramepo discute desafios na validação das especializações médicas

Evento abordará regulamentação e reconhecimento dos diplomas de pós-graduação na medicina, em um cenário de constantes mudanças na área da saúde

Congresso da Abramepo discute desafios na validação das especializações médicas
Congresso da Abramepo discute desafios na validação das especializações médicas

Abramepo - 30/11/2025 19:27:26 | Foto: Divulgação Abramepo

A Associação Brasileira dos Médicos com Expertise de Pós-Graduação (Abramepo) realizará, no dia 3 de dezembro, em Brasília, o congresso “Segurança do Paciente e o Exercício da Medicina Especializada – PL das Prerrogativas Médicas”.


O encontro reunirá o autor do Projeto de Lei 2.860/2025, senador Zequinha Marinho (PODE/PA), o presidente da Abramepo, Dr. Eduardo Teixeira, além de renomados juristas e professores.


Voltado a médicos com formação de pós-graduação, o evento acontece em um momento crucial, marcado pela longa e complexa trajetória desses profissionais em busca da validação de seus diplomas de especialização.


A programação pretende esclarecer pontos fundamentais do PL, debater segurança do paciente e fortalecer a defesa do exercício ético e qualificado da Medicina Especializada no Brasil.


A Associação Brasileira dos Médicos com Expertise de Pós-Graduação (Abramepo) tem questionado na Justiça o sistema de concessão de títulos de especialista, um dos problemas da carreira e que a nova lei pretende resolver.


Segundo a entidade, esse sistema cria um "gargalo artificial" e uma reserva de mercado para os profissionais que têm acesso às escassas vagas de residência médica. Milhares de médicos com pós-graduações e vasta experiência veem-se impedidos de anunciar publicamente sua qualificação ou disputar vagas no SUS.


"Médicos com alto nível de expertise, reconhecida pelo MEC, deveriam ter seu conhecimento aproveitado plenamente. A exigência de 'informar que não é especialista' pode desvalorizar uma qualificação legítima aos olhos do paciente", argumenta o presidente da entidade, o cirurgião e professor do Departamento de Cirurgia da UNIRIO, Dr. Eduardo Teixeira.


A entidade afirma que existem mais de 245 mil médicos qualificados, seja por terem se tornado "especialistas pelo MEC", seja por terem realizado treinamento e acumulado anos de prática médica, sem o Registro de Qualificação de Especialidade (RQE).


"A Abramepo entende que o médico pós-graduado é tão qualificado quanto um especialista com RQE e que o sistema de exigência do registro deveria ser revisto para atender à quase metade dos médicos que se forma e não têm acesso à residência médica por pura escassez e vagas", completa Teixeira.


“Estamos em um momento em que o ato médico vem sendo desrespeitado em vários estados brasileiros, com prisões arbitrárias de profissionais legalmente inscritos no CRM", conclui Teixeira.


Novo Projeto de Lei no Senado amplia direitos e garantias para médicos em todo o país

O Senado Federal analisa o Projeto de Lei nº 2860/2025, de autoria do senador Zequinha Marinho, que propõe a criação de novos direitos e garantias para médicos no exercício profissional.


A proposta altera a Lei nº 12.842/2013 (Lei do Ato Médico) ao incluir o Artigo 5º-A, que estabelece proteções consideradas essenciais por entidades representativas da categoria e por especialistas em saúde.


O projeto surge em um contexto de crescente preocupação com a segurança jurídica de profissionais da medicina, especialmente diante de casos de violações de sigilo, intervenções indevidas em consultórios e situações de prisão em flagrante ocorridas durante atos médicos complexos.


Para o autor, o PL tem o objetivo de “resguardar a liberdade técnica e assegurar tratamento institucional adequado aos profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado da população”.


O PL 2860/2025 estabelece três eixos centrais de proteção. Liberdade e autonomia profissional, incluindo o direito à objeção de consciência, mecanismo reconhecido internacionalmente que assegura ao médico agir conforme seus princípios éticos, desde que garantido o atendimento ao paciente; inviolabilidade do consultório, arquivos e comunicações, que só poderão ser acessados mediante ordem judicial e com a presença obrigatória de representante do Conselho Regional de Medicina (CRM); e garantias em situações de prisão em flagrante, determinando que, quando o fato estiver ligado ao exercício da medicina, um representante do CRM deve acompanhar o processo, preservando os direitos fundamentais do profissional e evitando abusos.


A proposta reconhece que médicos lidam diariamente com situações de alta pressão, muitas vezes em cenários críticos, e precisam de garantias claras para agir com firmeza, autonomia e responsabilidade.


A inviolabilidade do consultório e dos dados assegura maior proteção ao sigilo, enquanto a presença do CRM em medidas restritivas protege o profissional de interpretações equivocadas ou práticas abusivas.


O projeto é de junho de 2025 e aguarda análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, onde deverá receber relatório antes de seguir para votação.


Entidades médicas, especialistas em direito e profissionais da saúde acompanham o debate e avaliam que a aprovação do PL representa um avanço civilizatório, ao reforçar direitos, proteger o sigilo profissional e fortalecer a autonomia médica.

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