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Desde o início do ano, foram registrados 44 casos de covid-19 associados a voos, diz Iata

Desde o início do ano, foram registrados 44 casos de covid-19 associados a voos, diz IataFoto: Reprodução

O número de contaminação em viagens de avião no mundo equivale a um caso a cada 27 milhões de viajantes

Por Cibelle Bouças, Valor — São Paulo/valor Invest - 11/10/2020 - 10:04:55

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) informou hoje que, desde o início do ano, foram identificados 44 casos no mundo de covid-19 nos quais a transmissão parece estar associada a viagens de avião.

No período, 1,2 bilhão de pessoas viajaram de avião no mundo. O número de contaminação equivale a um caso a cada 27 milhões de viajantes.

“O número pode estar subestimado, mas mesmo se 90% dos casos não fossem relatados, seria um a cada 2,7 milhões de viajantes. São números muito tranquilizadores”, disse David Powell, conselheiro médico da Iata.

Powell acrescentou que o risco baixo deve-se a medidas de segurança adotadas pelo setor aéreo, como uso de sistemas de filtragem de ar que eliminam 99% dos elementos contaminantes, uso obrigatório de máscaras, reforço das medidas de desinfecção das cabines e medidas de distanciamento social.

Uma pesquisa feita em junho pela Iata revelou que 86% dos passageiros disseram se sentir seguros quando viajam.

A Embraer informou hoje que o risco de contaminação por covid-19 em suas aeronaves é de 0,13% se os passageiros voarem sem máscaras e de 0,02% se todos usarem máscaras durante o voo.

Os números são resultado de estudo feito pela companhia com institutos de pesquisa, que testaram os riscos de contaminação dentro dos aviões com e sem uso de máscara, baseado no fluxo de ar das cabines.

“O risco de contaminação durante o voo é muito baixo. Hoje, voar é um dos meios de transporte mais seguros”, afirmou Luis Carlos Alfonso, vice-presidente de engenharia, tecnologia e estratégia da Embraer.

O ar da cabine é totalmente renovado a cada dois ou três minutos. E os filtros são capazes de capturar e eliminar 99,9% dos vírus e bactérias, incluindo o novo coronavírus. A mesma tecnologia de filtragem de ar é adotada pela Boeing e pela Airbus. Esses filtros, de acordo com o executivo, são trocados aproximadamente após 3 mil horas de uso.

A Embraer tem como maior cliente a companhia aérea brasileira Azul. Recentemente, a companhia informou que cerca de 200 aeronautas (pilotos, copilotos e comissários de bordo) testaram positivo para a covid-19 desde o início da pandemia. Mas os casos não são relacionados diretamente aos voos.

No caso da Gol, que tem frota composta apenas por aviões da Boeing, o índice de contaminação de tripulantes é de 1 a cada 1.156 voos, segundo a companhia. A Latam não divulgou número de tripulantes contaminados.

A Embraer, a Airbus e a Boeing apresentaram hoje em entrevista coletiva virtual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) estudos sobre riscos de contaminação por covid-19 dentro dos seus aviões. A Iata informou hoje que foram registrados neste ano 44 casos de contaminação por covid-19 diretamente relacionados a voos.

A Airbus fez testes para avaliar o risco de contaminação pelo fluxo de ar na cabine de um A320. A companhia usou computação 3D para avaliar velocidade do ar, a sua direção, e a temperatura em 50 milhões de pontos na cabine, até 1.000 vezes por segundo.

Bruno Fargeon, engenheiro da Airbus e líder da iniciativa Keep Trust in Air Travel, disse que quando uma pessoa tosse, ela libera no ar aproximadamente 10 mil gotículas de saliva. Mas, dentro do avião com máscaras e sistema de ar funcionando, a média de gotículas que podem atingir outro passageiro se reduz para 5.

“Mesmo com todos os assentos ocupados, com os passageiros a um pé [30,48 centímetros] de distância, o risco de contaminação é baixíssimo”, afirmou Fargeon.

A Airbus usou as mesmas ferramentas para avaliar o risco de contaminação em uma sala, com vários indivíduos a uma distância de 1,8 metro entre si. O resultado, segundo Fargeon, foi que o risco de contaminação na sala foi maior do que dentro do avião.

A Boeing fez testes semelhantes nos aviões 737, 767 e 777. “O risco para os passageiros sentados lado a lado em um avião é o mesmo que ficar a mais de sete pés [2 metros] de distância em uma sala”, disse Dan Freeman, diretor de engenharia e da iniciativa Viagem com Segurança da Boeing.

Este conteúdo foi publicado originalmente no Valor PRO.

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