×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 18 de agosto de 2022

É contra a reforma da previdência? Então toma aqui uma aula grátis de economia

É contra a reforma da previdência? Então toma aqui uma aula grátis de economia

Foto: InfoMoney

O objetivo deste artigo é i) explicar a necessidade da reforma da previdência, ii) mostrar por que ela é fundamental para o Brasil e iii) apontar as negativas consequências econômicas e sociais, caso a reforma não passe no Congresso.

Infomoney - 02/06/2019 - 18:35:37

A reforma da previdência divide a opinião de muita gente. Infelizmente, muitas pessoas são contra a reforma sem ao menos entender por que a mudança do sistema previdenciário é vital para o país a médio e longo prazo, principalmente para a população mais pobre.

Lamentavelmente, a maioria das pessoas contrárias à reforma da previdência segue clichês, “#hashtags” ou opiniões de celebridades que não entendem absolutamente nada de economia e finanças. Diante disso, o objetivo deste artigo é i) explicar a necessidade da reforma da previdência, ii) mostrar por que ela é fundamental para o Brasil e iii) apontar as negativas consequências econômicas e sociais, caso a reforma não passe no Congresso.

O que é a Reforma da Previdência?

Só conhecimento técnico sobre finanças não adianta; conheça os padrões mentais de quem enriquece

Basicamente, a reforma da previdência refere-se a mudanças de regras na idade mínima ou tempo de contribuição para se aposentar. Atualmente, tecnicidades à parte, a idade mínima para se aposentar é 60 anos para homens (ou 35 anos de contribuição) e 55 anos para mulheres (ou 30 anos de contribuição). A proposta do governo é alterar a idade mínima de aposentadoria para 65 anos para ambos os sexos, elevando o tempo de contribuição mínima de 15 para 25 anos. Em linhas gerais, caso aprovada, uma pessoa, para se aposentar, terá que cumprir dois requisitos: ter 65 anos de idade e ter contribuído com pelos 25 anos para o sistema previdenciário. Além disso, a aposentadoria somente por tempo de contribuição será extinta.

Para entendermos melhor a importância da reforma da previdência, é necessário entender o conceito de previdência e de “dinheiro púbico” (ou seja, dinheiro da sociedade). Quando nos aposentamos, a sociedade que está atualmente trabalhando passa a nos sustentar por meio de contribuições, compulsórias ou não.

O problema é que o dinheiro arrecadado pelas contribuições não é suficiente para sustentar a gama de aposentados que existe hoje no país. A conta simplesmente não fecha! O rombo da previdência atualmente (arrecadação menos gastos) chega a aproximadamente a R$ 150 bilhões por ano (2,3% do PIB). Para conseguir pagar os aposentados, o governo financia o rombo com tributos e empresta dinheiro da sociedade por meio de emissão de títulos públicos (Tesouro Direto, por exemplo).

Mas está cada vez mais difícil fechar essa conta, e se nada for feito em relação à previdência; num futuro próximo, o governo (a sociedade) não terá dinheiro para pagar os aposentados, e milhares de pessoas irão para miséria.

E por que está cada vez mais difícil fechar a conta – o rombo da previdência?

Basicamente está mais difícil fechar essa conta porque os gastos com os aposentados aumentaram, uma vez que as pessoas passaram a viver mais. O sistema previdenciário atual foi desenhado há décadas e a ideia era que as pessoas que estivessem trabalhando sustentassem os indivíduos que se aposentassem.

O problema é que o sistema foi desenhado baseado numa expectativa de vida menor das pessoas. No entanto, hoje esses limites ficaram muitos baixos, dado que a expectativa de vida aumentou significativamente (45,5 anos em 1940 contra 75,5 anos em 2015). Em outras palavras, o aumento da expectativa de vida das pessoas trouxe uma consequência econômica para o sistema previdenciário: a sociedade tem de sustentar o aposentado por mais tempo.

O ponto central é que os limites de idade desenhados no passado para sustentar as aposentadorias não condizem mais com a realidade atual do Brasil. Sem contar que, em parte, o sistema é deficitário devido à existência de aposentadorias exorbitantemente altas no funcionalismo público comparativamente aos trabalhadores do setor privado.

É evidente que todo mundo gostaria de um mundo em que as pessoas se aposentassem aos 40 anos e todo mundo tivesse dinheiro para fazer tudo: morar, comer bem, se vestir, viajar, cuidar da saúde, etc. Um mundo de abundância de recursos, sem esforço, sem trabalho e sem sofrimento. Infelizmente, este mundo não existe porque no mundo real os recursos são escassos e as necessidades, ilimitadas; obrigando a sociedade a fazer escolhas.

E a escolha a ser feita é: fazemos um sacrifício agora para manter a saúde da previdência futuramente ou não fazemos nada e esperamos o sistema entrar em colapso, prejudicando os futuros trabalhadores que irão se aposentar? Infelizmente, em economia não tem mágica.

Para que o governo continue a pagar os aposentados por meio das contribuições e tributos, é necessário diminuir o déficit da previdência. A ideia é que as pessoas se aposentem mais tarde, para que a conta da previdência se torne sustentável e garanta a continuidade do sistema para futuras gerações. Caso contrário, o governo não terá mais dinheiro para fechar a conta e pagar as aposentadorias.

E por quê? Porque, o dinheiro do governo, o tal do “dinheiro público”, nada mais é que o arrecadado pela sociedade por meio de tributos ou tomado via empréstimos, o qual é limitado, uma vez que a renda gerada pela produção de bens e serviços na sociedade também é limitada (para um exemplo bem didático sobre a questão veja o artigo publicado pelo InfoMoney que se tornou viral – O que o Gregorio Duvivier não te contou sobre a PEC 241? )

Por que a Reforma da Previdência é tão importante?

Em termos práticos, a reforma da previdência significa que as despesas do governo irão diminuir. Com menores gastos públicos, o governo será capaz de reduzir impostos e o setor privado produzir mais, trazendo impactos positivos inclusive para a arrecadação tributária (veja a curva de Laffer aqui ). Em outras palavras, a diminuição de gastos públicos permite um ambiente favorável para redução de impostos e aumento de investimentos das empresas, consequentemente, trazendo elevação da renda e do emprego para a população.

E se a Reforma não for aprovada?

A maior parte dos economistas, empresários e investidores do mercado financeiro entendem a importância da aprovação da reforma da previdência para o Brasil. Ela é vital para a retomada do crescimento sustentável da economia. Caso ela não seja aprovada, as expectativas irão piorar e população brasileira sofrerá as consequências econômicas e sociais.

Nesse caso, a confiança no Brasil se deterioraria e os empresários poderiam deixar de investir no país. Assim, teríamos consequências negativas sobre o crescimento econômico, com reflexos de elevação do desemprego e inflação, queda na bolsa e alta do dólar, devido ao aumento da percepção de risco (calote da dívida pública para os próximos anos).

A médio e longo prazo, caso a reforma não seja aprovada, o governo não terá mais condições de pagar os aposentados. Nesse caso, provavelmente ele emitirá dinheiro para pagar os beneficiários. Mas como a emissão de dinheiro não virá de um aumento real da produção de bens e serviços, o efeito será certamente uma elevação significativa da inflação para a sociedade, prejudicando principalmente os próprios aposentados e a população mais pobres, os mais vulneráveis aos efeitos perversos da inflação.

Conclusão

É claro que ninguém gosta de reforma porque arcamos com perda de direitos a curto prazo. Mas, aqui vale a seguinte reflexão: para um direito existir, obviamente é necessário que existam condições de prover esse direito. Caso a reforma não seja aprovada, é bem provável que futuramente o direito à aposentadoria deixará de existir pela falta de recursos. Além disso, caso a reforma não passe no Congresso, a economia sofrerá tanto a curto e longo prazo, com efeitos negativos sobre o crescimento econômico, desemprego e inflação.

É evidente que alguém poderia dizer que se não tivesse tanta roubalheira, o governo teria mais dinheiro para fechar o rombo. Certamente, mas ainda sim, a diminuição da corrupção não seria suficiente para resolver a questão previdenciária. De outro modo, devemos combater a corrupção e resolver o problema previdenciário – um não exclui o outro.

Garanta sua independência financeira: abra uma conta de investimentos na XP - é de graça!

O déficit da previdência não é uma jabuticaba brasileira, ao contrário, é um problema que afeta a maior parte dos países e uma reforma do sistema é mais que necessária, é urgente. Infelizmente, caso a reforma não seja aprovada, não serão nem os endinheirados artistas contrários à reforma (alô, Wagner Moura!) e nem os grupos de esquerda que irão se prejudicar, mas a população brasileira que irá pagar o pato. Pode apostar!

Siga Alan Ghani no Twitter (@AlanGhani), no Facebook e no Instagram.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Comentários para "É contra a reforma da previdência? Então toma aqui uma aula grátis de economia":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Últimas Notícias
STF decide que mudanças na lei de improbidade não retroagem para condenações definitivas

STF decide que mudanças na lei de improbidade não retroagem para condenações definitivas

Cerco de pistoleiros, tiros e ameaças:

Cerco de pistoleiros, tiros e ameaças: "Não andamos mais livres", dizem Pataxós no Sul da Bahia

DF não tem previsão para retomar vacinação de crianças a partir de 3 anos

DF não tem previsão para retomar vacinação de crianças a partir de 3 anos

Damares terá de remover vídeos em que diz que Lula 'ensinava jovens a usar crack

Damares terá de remover vídeos em que diz que Lula 'ensinava jovens a usar crack

Simulador virtual ajuda eleitor a treinar o voto na urna

Simulador virtual ajuda eleitor a treinar o voto na urna

Jovens são chamados a combater Fake News nas eleições

Jovens são chamados a combater Fake News nas eleições

Inpa abre inscrições para curso sobre tecnologia de bioflocos para criação de peixes amazônicos

Inpa abre inscrições para curso sobre tecnologia de bioflocos para criação de peixes amazônicos

Cinco atividades imperdíveis para fazer com crianças no Alentejo

Cinco atividades imperdíveis para fazer com crianças no Alentejo

Dia do Ciclista: 4 rotas imperdíveis para pedalar em Brasília

Dia do Ciclista: 4 rotas imperdíveis para pedalar em Brasília

Jericoacoara e praias de São Paulo são tendência de viagem entre agosto e setembro

Jericoacoara e praias de São Paulo são tendência de viagem entre agosto e setembro

Marketing local: Como fazer a divulgação e lucrar com a revenda de gás e água

Marketing local: Como fazer a divulgação e lucrar com a revenda de gás e água

Presença de mulheres nas urnas é maior desde pleito de 2014

Presença de mulheres nas urnas é maior desde pleito de 2014

Brasil vende menos para China e eleva volume de exportação para UE, diz Índice de Comércio Exterior

Brasil vende menos para China e eleva volume de exportação para UE, diz Índice de Comércio Exterior

Entidades da sociedade civil no Brasil buscam apoio para vida marinha e oceanos

Entidades da sociedade civil no Brasil buscam apoio para vida marinha e oceanos

Em Pernambuco, Missa do Vaqueiro celebra a fé do povo sertanejo

Em Pernambuco, Missa do Vaqueiro celebra a fé do povo sertanejo

85% das famílias atingidas pela barragem, em Mariana, sofrem com deslocamento compulsório

85% das famílias atingidas pela barragem, em Mariana, sofrem com deslocamento compulsório

Crise no sistema de assistência social do DF segue sem solução

Crise no sistema de assistência social do DF segue sem solução

Distrito Federal e dez estados recebem novas ambulâncias do Samu

Distrito Federal e dez estados recebem novas ambulâncias do Samu

Camex torna definitivo corte de 10% de tarifa comum do Mercosul

Camex torna definitivo corte de 10% de tarifa comum do Mercosul

PF diz ao STF que vê crime de Bolsonaro por associar vacina ao vírus da aids

PF diz ao STF que vê crime de Bolsonaro por associar vacina ao vírus da aids

PGR recorre para arquivar investigação sobre inquérito vazado por Bolsonaro

PGR recorre para arquivar investigação sobre inquérito vazado por Bolsonaro