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É difícil entender um presidente que acena para a volta do futebol e dá de ombros para o número de mortes no País

É difícil entender um presidente que acena para a volta do futebol e dá de ombros para o número de mortes no PaísFoto: Pixabay

O Brasil precisa retomar seus jogos e rotina porque muitos precisam do esporte para se sustentar, mas estamos num estágio diferente da doença e ainda sem o controle da pandemia

Robson Morelli - Estadão Conteúdo - 29/04/2020 - 17:28:57

Parece que virou um grande Fla-Flu e o juiz é o presidente Jair Bolsonaro, que tem a palavra final sobre a retomada do futebol. É lamentável ouvir de um comandante, que deveria dar o exemplo e olhar com identificação para seu povo, que ele não é o “Messias” para salvar vidas quando questionado sobre o número de mortes dos brasileiros pela covid-19, ultrapassando os óbitos da China. “E daí? (que morreram tantas pessoas no Brasil hoje)”. As pessoas estão morrendo, não chegamos ainda no nosso pico da doença, cidades importantes do País estão colapsadas em suas UTIs e o presidente e seu novo ministro da saúde estudam a volta do futebol.

É difícil entender o presidente. O Brasil está muito a fim de voltar com as partidas. A saudade da bola é gigantesca. Muitas pessoas dependem do futebol para sobreviver, inclusive eu. O mundo todo está querendo voltar com o futebol, alguns países estão mais adiantados nesse processo, mas todos eles esperaram o momento certo para armar essa possibilidade, depois de todos eles entrarem em descendência na lista de mortes.

Ocorre que Brasil se encontra num degrau mais abaixo, ou dois. A cada dia enterramos mais mortos. Mas e daí? Digo que o foco não poderia ser o futebol nesse momento. Talvez ele seja o foco em duas semanas, talvez não seja. Mas é muito mais importante baixar a ocupação nos leitos dos hospitais do que focar nas partidas. Repito: acho muito importante retomar as coisas básicas da vida e aliar a retomada da economia e do trabalho, mas o presidente não parece sintonizado com a realidade do Brasil. O foco tem de ser a saúde, salvar vidas, evitar mortes.

Precisamos falar sim de futebol e de suas tramas e tudo mais que envolve essa paixão nacional. Só é preciso dançar conforme a música e agora a música é fúnebre. Os brasileiros não respiram com tranquilidade. O medo toma conta. Imagino que não ficarão à vontade com o futebol. Público nos estádios nem pensar. Isso parece uma decisão acertada e entendida claramente por todos. É preciso ter calma e tentar entender os anseios da sociedade semana após semana

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