Conheça mais sobre Endometriose, doença que afeta cerca de oito milhões de brasileiras

Hospitais da Rede Ebserh fortalecem diagnóstico, tratamento e produção científica para qualificar o cuidado às mulheres

Conheça mais sobre Endometriose, doença que afeta cerca de oito milhões de brasileiras
Conheça mais sobre Endometriose, doença que afeta cerca de oito milhões de brasileiras

Agência Gov | Via Ebserh - 16/03/2026 11:52:22 | Foto: Freepik

O Março Amarelo, campanha do Ministério da Saúde (MS) voltada à conscientização sobre a endometriose, inspira a reflexão sobre o problema ginecológico e as alternativas para qualificar o atendimento às mulheres nos hospitais universitários federais geridos pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares ( Ebserh ). Especialistas da Rede esclarecem sobre sintomas, diagnóstico e tratamento, além de alertar para os impactos sobre a qualidade de vida e a fertilidade feminina.

Segundo dados do Ministério da Saúde, oito milhões de brasileiras estão diagnosticadas com endometriose. “A endometriose é uma doença benigna muito heterogênea. Trata-se de um tecido uterino — a mucosa que reveste por dentro o útero — que surge em outros locais do corpo. Isso pode ocorrer nas trompas, no ovário, na pélvis, no intestino, no apêndice”, detalha o chefe da Ginecologia do HUCFF, Afrânio Coelho.

O médico explica que, embora as causas não sejam totalmente identificadas, frequentemente est ão associada s a alterações do sistema imunológico, acometendo mulheres de diferentes faixas etárias, sobretudo no período reprodutivo. O principal sinal de alerta está na dor pélvica intensa, que aumenta no período menstrual — sintoma comumente negligenciado por profissionais de saúde e pelas próprias pacientes. A dismenorreia progressiva — quando a cólica piora com o passar dos anos — também exige atenção, segundo Afrânio. Para o especialista, a escuta qualificada e a investigação clínica adequada são fundamentais.

O tratamento , ele acrescenta , depende do estágio da doença e do desejo reprodutivo da paciente. Quando não há intenção de engravidar, o controle da dor com bloqueio hormonal (como contraceptivos orais ) costuma ser a primeira escolha. Já nos casos em que não há resposta ao tratamento clínico ou quando a doença é mais avançada, pode ser indicada cirurgia minimamente invasiva para retirada dos focos de endometriose, preservando órgãos e fertilidade. Em quadros graves, contudo, pode ser necessária abordagem mais ampla para remover tecidos acometidos.

“Nos casos mais leves, a dor é a principal consequência. Nos casos moderados, a infertilidade é a maior consequência. Já nos casos mais graves , há invasão dos tecidos vizinhos, como vias urinárias, bexiga, ureter e intestino, que passam a apresentar sintomas”, distingue o médico.

Afrânio reforça a importância do diagnóstico precoce: “Se eu faço um diagnóstico tardio, posso levar essa mulher a um tratamento mutilador: com retiradas do ovário, bexiga ou, às vezes, uma colostomia”. Outro desafio está na identificação tardia do problema em função do uso constante de anticoncepcionais: “Muitas mulheres só identificam a endometriose quando suspendem a medicação”.

Inovação para o bem-estar da mulher

Na Maternidade Escola Januário Cicco, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (MEJC-UFRN), uma pesquisa inovadora investiga o uso da estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) como estratégia complementar para o tratamento da dor na endometriose. “Nós estamos investigando como a modulação da atividade cerebral pode influenciar os mecanismos de sensibilização central, um fenômeno em que o sistema nervoso passa a não regular mais a dor como deveria. Atualmente, estamos na fase de análise dos dados e, em breve, divulgaremos os resultados”, relata a pesquisadora Maria Thereza Micussi .

Ela explica que a expectativa é compreender melhor o papel do cérebro na manutenção da dor e ampliar as possibilidades terapêuticas com abordagens não invasivas e conservadoras, complementares ao tratamento hormonal ou cirúrgico.

Paralelamente, outro estudo conduzido na instituição investiga a incidência de sintomas urinários em mulheres com a doença . “A endometriose é tradicionalmente associada à dor pélvica, mas observamos na prática clínica que muitas pacientes também relatam alterações urinárias, como urgência, aumento da frequência miccional ou incontinência urinária”, ressalta ela. A equipe busca acompanhar essas pacientes ao longo do tempo para compreender a frequência e a evolução desses sintomas.

A pesquisa, na MEJC-UFRN, integra as atividades do Ambulatório de Endometriose da maternidade e se articula com ensino e assistência, com participação de estudantes de graduação e pós-graduação dos Programas de Pós-Graduação em Fisioterapia e em Ciências Aplicadas à Saúde da Mulher.

Comunicação como aliada

No Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), a parceria entre a equipe de C omunicação e o Serviço do Ambulatório Multiprofissional de Endometriose evidencia o poder transformador da multidisciplinaridade para aprimorar o atendimento às pacientes. Segundo a chefe da Unidade de Comunicação, Alessandra Muniz, desde 2022 o esforço conjunto inclui reforço das publicações institucionais, envio de sugestões de pauta à imprensa e diálogo contínuo com o público sobre a doença. O resultado é o aumento significativo da procura pelo atendimento integral oferecido.

“Nossa função enquanto comunicadores públicos é apoiar a promoção de conhecimento sobre saúde pública e envolver a sociedade na garantia de direitos integrais em saúde, assumindo uma perspectiva cidadã na comunicação. Também indicar o acesso desses serviços em nossos Hospitais Universitários”, avalia Alessandra. A experiência local inspirou ainda um Trabalho de Conclusão de Curso no Aperfeiçoamento em Comunicação de Saúde realizado pela profissional na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 2025.

O HU-UFJF conta com ginecologistas — inclusive especialistas em cirurgia minimamente invasiva e robótica —, cirurgiões gerais, médicos da dor, profissionais de proctologia e urologia, além de fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos. “O atendimento integral às mulheres é fundamental para o tratamento, que vai além da retirada dos focos durante a cirurgia, mas também envolve controlar os sintomas e garantir maior qualidade de vida”, ressalta Alessandra.

Entre as histórias que marcam essa nova etapa do atendimento multiprofissional, ela destaca a de uma paciente de mais de 40 anos que conseguiu engravidar antes da cirurgia. “De forma inesperada e emocionante, ela engravidou naturalmente. Realizou o pré-natal de alto risco no próprio HU e, meses depois, compartilhou com a equipe a alegria da maternidade”, lembra Alessandra.

Sobre a Ebserh

Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.

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