Equipe diz que não mudou nada após Arautos do Evangelho tentarem barrar exibição de série

Após a repercussão do documentário, os Arautos do Evangelho também se manifestaram em nota publicada em seu site oficial

Equipe diz que não mudou nada após Arautos do Evangelho tentarem barrar exibição de série
Equipe diz que não mudou nada após Arautos do Evangelho tentarem barrar exibição de série

Adrielly Souza São Paulo, Sp (folhapress) - 31/03/2026 07:11:47 | Foto: Reprodução /HBO MAX

Cercada de expectativa, polêmica e um interesse impulsionado pelo embate jurídico que tentou barrar sua exibição, a série documental "Escravos da Fé - Os Arautos do Evangelho" chegou ao público neste mês pelas mãos da HBO Max. Dividida em três episódios, a produção destrincha denúncias envolvendo os Arautos do Evangelho.

A organização religiosa, fundada no Brasil, é reconhecida pela Igreja Católica como uma associação de fiéis, embora tenha conflitos até com o próprio Vaticano. O foco da série, porém, é a sede localizada em Caieiras, no interior de São Paulo, e os relatos de ex-integrantes que descrevem práticas abusivas e um ambiente de controle rígido.

A série parte de uma investigação que já vinha sendo acompanhada há anos. Segundo Adriana Cechetti, diretora de produção de desenvolvimento de não-ficção da Warner Bros. Discovery no Brasil, o tema surgiu dentro de um mapeamento contínuo de histórias do gênero true crime. "É um dos nossos pilares de conteúdo", diz. "Essas denúncias já estavam no nosso radar desde 2015, 2016, e voltaram com força quando fomos procurados para desenvolver a história."
A construção da narrativa exigiu um longo processo de apuração. A diretora geral Cassia Dian destaca o cuidado em validar cada informação. "A gente passou mais de um ano em pesquisa, garantindo que todas as denúncias tivessem documentação e fossem tratadas com responsabilidade. Não só pelo tema sensível, mas pela necessidade de rigor jornalístico", afirma.

O documentário também faz questão de delimitar seu objeto. "Não estamos falando da Igreja Católica como instituição, mas de uma associação específica de fiéis", pontua Dian, destacando que a própria série traz esse esclarecimento em sua narrativa ao longo dos episódios.

Entre os pontos mais graves levantados estão denúncias de abuso psicológico, físico e sexual, além de relatos de manipulação de crianças e adolescentes. Segundo os depoimentos reunidos, jovens eram levados para a instituição com promessas de educação e formação, mas encontravam uma realidade marcada por disciplina rígida, trabalho interno e afastamento das famílias.

"A gente encontrou pessoas muito traumatizadas", afirma Allan Lico, vice-presidente de criação e conteúdo da Endemol Shine Brasil, responsável pela produção. "O que torna essa história urgente é justamente o fato de envolver crianças e adolescentes, que ainda estão em formação e são mais vulneráveis a esse tipo de influência."
O documentário ainda aborda a estrutura da organização, apontada como altamente hierarquizada e centrada na figura de João Clá Dias, líder religioso que teria papel central na condução do grupo. A relação com o pensador Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP (Tradição, Família e Propriedade), também é explorada como base ideológica do movimento.

Além dos relatos, a produção inclui materiais públicos divulgados pelos próprios Arautos, após a organização recusar participar diretamente das gravações. Sobre a disputa judicial para impedir a exibição, a equipe diz que não houve nenhum impacto sobre o conteúdo.

"Não mudamos absolutamente nada", afirma Lico. "Tudo o que está ali é baseado em fatos já documentados ou relatos públicos."
Durante os episódios, a narrativa avança de forma cronológica, começando pela apresentação da instituição até chegar às denúncias mais recentes e seus desdobramentos legais. A estratégia, segundo os produtores, foi essencial para contextualizar um grupo ainda pouco conhecido do grande público.

Após a repercussão do documentário, os Arautos do Evangelho também se manifestaram em nota publicada em seu site oficial. No texto, a associação critica a abordagem da produção e questiona seus objetivos. "É curioso observar como o olhar do mundo, por vezes faminto por escândalos e novidades, torna-se míope e acaba se deixando levar por ilusões", diz um trecho.

Eles também defenderam a atuação do grupo e rebate as acusações. "Querem nos 'denunciar' por sermos o que sempre proclamamos aos quatro ventos: escravos de amor", afirmam. Em outro momento, a associação declara que "nem a fumaça de um documentário, nem o peso de acusações vazias poderá apagar o brilho da nossa Verdadeira Devoção".

O posicionamento termina com um questionamento direto às produtoras envolvidas. "Qual o intuito da HBO e da Warner Bros. Discovery com este documentário? Inaugurar uma nova era de perseguição ao cristianismo?"

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