Especialistas destacam avanços da China em IA e cooperação com o Brasil

Ele enfatizou também que o modelo foi disponibilizado abertamente. Cortiz considerou positiva a decisão do Brasil de adquirir duas infraestruturas de computação, uma chinesa e outra americana

Especialistas destacam avanços da China em IA e cooperação com o Brasil
Especialistas destacam avanços da China em IA e cooperação com o Brasil

Agência Xinhua - 05/09/2026 15:47:15 | Foto: Agência Xinhua

Os avanços da China em inteligência artificial, especialmente em modelos abertos, infraestrutura computacional, robótica e aplicação da tecnologia na economia, oferecem novas oportunidades de cooperação com o Brasil, afirmaram especialistas brasileiros nesta quarta-feira durante o seminário "Brasil, China e a Governança da Inteligência Artificial", organizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).

“Acho que é muito claro que hoje a China está na vanguarda da robótica”, disse Diogo Cortiz, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pesquisador sênior do NIC.br.

Cortiz relatou sua participação em uma conferência de IA em Xangai, que reuniu mais de 300 mil participantes ao longo de vários dias e contou com empresas de diversos setores apresentando seus serviços.

O pesquisador destacou especialmente o desenvolvimento de modelos chineses. "Acreditava-se que a China deu alguns passos atrás no desenvolvimento de um modelo, e a China já mostrou: 'Vejam, eles conseguiram criar um modelo com capacidades semelhantes'", afirmou.

Ele enfatizou também que o modelo foi disponibilizado abertamente.

Cortiz considerou positiva a decisão do Brasil de adquirir duas infraestruturas de computação, uma chinesa e outra americana.

“Acho que o Brasil está no caminho certo nesse sentido, porque está diversificando seus fornecedores e preparando nosso ecossistema nacional para trabalhar com uma tecnologia que será muito avançada daqui a cinco ou dez anos, que é a tecnologia de infraestrutura chinesa”, afirmou.

"Os supercomputadores funcionam de maneira diferente; eles têm o software, os sistemas operacionais e o middleware, então iniciem um diálogo com essa tecnologia chinesa também faz sentido", acrescentou.

Cortiz destacou novamente a liderança da China na robótica. “Hoje, a China está na vanguarda da robótica, descrevendo a presença de bolsas de empresas chinesas dedicadas ao desenvolvimento de robôs humanoides.

Outro destaque foi a iniciativa “AI Plus”, incorporada ao plano quinquenal da China para expandir a inteligência artificial a diferentes sectores da economia.

“Os países que alcançam os melhores resultados não são necessariamente aqueles que desenvolvem a tecnologia, mas principalmente aqueles que conseguem adotá-la e transformar suas economias”, explicou.

Sobre o tema da soberania tecnológica, Cortiz foi enfático: "Se não tivermos uma infraestrutura computacional, não teremos soberania alguma". “Se não tivermos uma infraestrutura computacional, não temos nem um ponto de partida”, afirmou, defendendo os investimentos brasileiros em capacidade de processamento para o treinamento de modelos e o uso de tecnologias abertas.

O diplomata Eugênio Vargas García se concentrou na importância da infraestrutura e defendeu o fortalecimento das capacidades nacionais por meio da cooperação internacional.

"A ideia é diversificar os parceiros e fornecedores; ou seja, o velho ditado de não colocar todos os ovos na mesma cesta", afirmou. Um dos supercomputadores do Brasil será fruto de um acordo com a China e será instalado no Rio de Janeiro.

O diplomata ressaltou que a cooperação deve incluir transferência de tecnologia, treinamento de engenheiros e apoio à indústria local.

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