Extração de minérios essenciais pode ter um efeito arrasador, adverte Organização das Nações Unidas

Até US$ 2,5 trilhões foram movimentados pelo comércio de minerais em estado bruto ou semiprocessados; total superou 10% do comércio global em 2023; informe ao Conselho de Segurança destaca que demanda pode triplicar até 2030 e ser quatro vezes maior uma década mais tarde

Extração de minérios essenciais pode ter um efeito arrasador, adverte Organização das Nações Unidas
Extração de minérios essenciais pode ter um efeito arrasador, adverte Organização das Nações Unidas

Agência Onu News - 09/03/2026 08:17:16 | Foto: Agência Onu News

O Conselho de Segurança da ONU realizou nesta quinta-feira um debate sobre energia, minerais essenciais e segurança.

No evento, a subsecretária-geral para os Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, considerou que o tipo de matérias-primas está entre os principais motores da economia do Século 21.

Importância estratégica
Sem estes minerais não seria possível fabricar smartphones, veículos elétricos e tecnologias médicas de ponta. No entanto, DiCarlo ressaltou o potencial efeito arrasador de uma mineração não gerenciada de forma responsável.

DiCarlo enfatizou que, há uma década, minerais como lítio, cobalto e níquel tinham importância estratégica restrita para tecnologias, mas agora impulsionam a economia digital e a transição energética.

Em 2023, o comércio de minerais brutos e semiprocessados ​​chegou a atingir cerca de US$ 2,5 trilhões, ou mais de 10% do comércio global. A demanda pode triplicar até 2030 e quadruplicar até 2040.

Governança e regulamentação
Para a representante, esse aumento drástico na procura é uma oportunidade única para criar empregos, diversificar economias e promover o desenvolvimento sustentável.

No entanto, ela destacou que o aumento da demanda também “alimenta a competição geopolítica e afeta as cadeias de suprimentos globais”.

DiCarlo disse que a busca por esses minerais também tem sido associada a violações de direitos humanos e à degradação ambiental.

Para a chefe dos Assuntos Políticos “é responsabilidade tanto dos países produtores quanto dos consumidores implementar estruturas de governança e regulamentação para gerenciar esses recursos de forma responsável, para o benefício de todos.”

RD Congo, Mianmar e Ucrânia
A ONU criou um Painel de Alto Nível do secretário-geral sobre Minerais Essenciais para a Transição Energética. Os princípios orientadores cobrem direitos humanos e equidade, transparência e responsabilidade para “guiar a mineração responsável e a transição energética”.

DiCarlo explicou que as maiores oportunidades e riscos que os minerais essenciais representam são observados em países e regiões afetados por conflitos, que estão entre os grandes produtores destas matérias-primas.

Os exemplos incluem a República Democrática do Congo, com mais de 70% da extração global de cobalto. A matéria-prima serve de base para fabricar baterias que alimentam dispositivos inteligentes.

Tecnologias aeroespaciais
Outro caso é o do Mianmar, considerado “uma das maiores fontes mundiais de elementos de terras raras, essenciais para ímãs de alto desempenho”, usados ​​em eletrônicos avançados.

Por outro lado, a Ucrânia contém reservas significativas de titânio e lítio, que são “indispensáveis ​para tecnologias aeroespaciais e manufatura avançada”.

DiCarlo destacou contextos afetados por conflitos para enfatizar que a mineração, quando não gerenciada de forma responsável, pode ter um efeito arrasador pelo potencial de enfraquecer a governança, incitar economias ilícitas e financiar grupos criminosos e armados.

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