×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 12 de agosto de 2022

Fabrício Queiroz, o fantasma que assombra o Palácio Planalto

Fabrício Queiroz, o fantasma que assombra o Palácio Planalto

Foto:

Investigação contra o filho de Bolsonaro é um dos motivos que levaram aliados a convocar uma manifestação para o próximo domingo. Ideia é politizar a investigação criminal

Por Luiz Carlos Azedo-correio Braziliense - 20/05/2019 - 07:23:26

Um fantasma ronda o Palácio do Planalto. É o caso Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente da República, que agora está sendo investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. O presidente Jair Bolsonaro tomou as dores do filho. Teme que a investigação resulte na cassação do mandato de Flávio e possa ser aproveitada por aqueles que supostamente conspiram contra a permanência na Presidência da República. Essa investigação é uma das razões de os aliados de Bolsonaro convocarem uma manifestação para o próximo domingo, dia 26, em apoio ao presidente e contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF). Ao politizar a investigação criminal em curso no Rio de Janeiro, a radicalização seria o antídoto às acusações de envolvimento do clã Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro.


Na quarta-feira passada, a situação de Flávio Bolsonaro se agravou, porque o juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal, decidiu ampliar as quebras de sigilo bancário e fiscal dos suspeitos de integrar uma organização criminosa ligada à milícia carioca, que atuaria no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Com as notas fiscais, o Ministério Público quer descobrir quais mercadorias e serviços que foram pagos pelo grupo. Além de Flávio e seu ex-assessor, são alvos da nova medida a mulher de Flávio, Fernanda Bolsonaro, uma empresa do senador e cinco parentes de Queiroz.


Nesta segunda, o advogado de Fabrício Queiroz, Paulo Klein, deve entregar ao Tribunal de Justiça do Rio um pedido de habeas corpus para anular a quebra de sigilo de seu cliente e de outros investigados ligados a ele, como Flávio Bolsonaro. No mês passado, o juiz Itabaiana Nicolau havia autorizado a quebra de sigilos bancários de Flávio e outras 94 pessoas, sendo que pelo menos 10 delas já foram assessores do próprio presidente. Segundo a defesa de Flávio Bolsonaro, a quebra de sigilo foi genérica e sem a devida fundamentação.


Imóveis
Relatório do Ministério Público, que vazou na semana passada, revela que vários ocupantes de cargos comissionados, nomeados por Flávio Bolsonaro, transferiam recursos para a conta-corrente de Fabrício Queiroz ou recebiam transferência bancária dela. Segundo o MP-RJ, a suposta organização criminosa teria três núcleos: o que nomeava pessoas para ocupar cargos em comissão em troca do repasse de parte dos salários; o segundo, com a função de recolher e distribuir os recursos públicos desviados do orçamento da Alerj, que deveriam ser destinados à remuneração dos cargos; e o terceiro núcleo, formado pelos assessores que eram nomeados com o compromisso de devolver mensalmente parte de seus salários aos demais integrantes da organização. Haveria ainda indícios de lavagem de dinheiro com imóveis.


De acordo com os investigadores, Queiroz movimentou R$ 1,23 milhão de janeiro a dezembro de 2016, sendo um terço do total de R$ 605.652 que entraram na conta em dinheiro. Também terão as contas bancárias investigadas as duas filhas de Queiroz, Nathalia e Evelyn; e a esposa do ex-assessor, Marcia. Entre os investigados também estão Danielle Nóbrega e Raimunda Magalhães, irmã e mãe do ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, o homem-forte do “Escritório do crime”, organização de milicianos suspeitos de envolvimento no assassinato da vereadora carioca Marielle

Flávio Bolsonaro investiu R$ 9,4 milhões na compra de 19 salas e apartamentos na Zona Sul do Rio e na Barra da Tijuca, com os quais teria lucrado cerca de R$ 3 milhões. O Ministério Público suspeita de lavagem de dinheiro, o que Flávio Bolsonaro repudia veementemente: “Continuo sendo vítima de seguidos e constantes vazamentos de informações contidas em processo que está em segredo de Justiça. Os valores informados são absolutamente falsos e não chegam nem perto dos valores reais. Sempre declarei todo meu patrimônio à Receita Federal e tudo é compatível com a minha renda”, assegurou em nota distribuída à imprensa.


O advogado Paulo Klein, em defesa de Flávio Bolsonaro, alega que havia “uma combinação entre esses funcionários que, de forma espontânea, chegaram à conclusão que poderiam, por meio da centralização desses recursos na conta do Queiroz, fazer a contratação de mais funcionários e, portanto, aumentar a base de atuação do então deputado. Ele vê como acusação infundada, ele é uma pessoa proba, sempre agiu dentro da legalidade, portanto, essa acusação de organização criminosa é um absurdo”. Acusados de abuso de poder e motivação política, os procuradores que investigam o caso alegam que atuam de forma isenta e impessoal.

Comentários para "Fabrício Queiroz, o fantasma que assombra o Palácio Planalto":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Últimas Notícias
PF mira grupo que fez 245 saques para desviar recursos do Fundeb e do SUS em AL

PF mira grupo que fez 245 saques para desviar recursos do Fundeb e do SUS em AL

Saiba como identificar os recenseadores do IBGE

Saiba como identificar os recenseadores do IBGE

Margareth Dalcolmo é eleita para integrar a Academia Nacional de Medicina

Margareth Dalcolmo é eleita para integrar a Academia Nacional de Medicina

Dia Internacional da Juventude busca pontes com outras faixas etárias

Dia Internacional da Juventude busca pontes com outras faixas etárias

Ato na UnB marca leitura de carta em defesa da democracia e do sistema eleitoral

Ato na UnB marca leitura de carta em defesa da democracia e do sistema eleitoral

Em Brasília, estudantes vão às ruas em protesto contra o governo Bolsonaro

Em Brasília, estudantes vão às ruas em protesto contra o governo Bolsonaro

Casas sustentáveis: Entenda como esse modelo de residência gera economia

Casas sustentáveis: Entenda como esse modelo de residência gera economia

Trabalho remoto é o futuro na área da tecnologia

Trabalho remoto é o futuro na área da tecnologia

Alexandre diz que atos por democracia reforçam 'orgulho do sistema eleitoral'

Alexandre diz que atos por democracia reforçam 'orgulho do sistema eleitoral'

Celso de Mello: Manifesto representa 'severa advertência ao presidente Bolsonaro'

Celso de Mello: Manifesto representa 'severa advertência ao presidente Bolsonaro'

"Carta bate com o que faço aqui", diz professor que levou documento para Londres

Jovens ainda sofrem com recuperação lenta do mercado de trabalho, diz OIT

Jovens ainda sofrem com recuperação lenta do mercado de trabalho, diz OIT

José Carlos Dias destaca união do capital e trabalho e lê carta da Fiesp

José Carlos Dias destaca união do capital e trabalho e lê carta da Fiesp

Ação contra fraude notifica cinco postos de combustível no DF

Ação contra fraude notifica cinco postos de combustível no DF

Saiba o que são e como preparar as PANCs, plantas alimentícias não convencionais

Saiba o que são e como preparar as PANCs, plantas alimentícias não convencionais

Alvaro Vargas Llosa: 'O idiota latino-americano se reinventou'

Alvaro Vargas Llosa: 'O idiota latino-americano se reinventou'

'Os manifestos geram poder para a resistência', afirma Celso Lafer

'Os manifestos geram poder para a resistência', afirma Celso Lafer

No DF, políticos e militantes de esquerda têm sido vítimas de violência nas ruas

No DF, políticos e militantes de esquerda têm sido vítimas de violência nas ruas

DF é condenado a indenizar aluno que sofreu reação alérgica após ingerir alimento

DF é condenado a indenizar aluno que sofreu reação alérgica após ingerir alimento

MPDFT apoia criação de Frente Nacional de Combate a Cartéis

MPDFT apoia criação de Frente Nacional de Combate a Cartéis

Deputados distritais derrubam veto e demitidos da CEB recuperam emprego

Deputados distritais derrubam veto e demitidos da CEB recuperam emprego