Grandes cachoeiras e sítios arqueológicos formam polo ecoturístico guardadinho no oeste baiano

Porta de entrada para quem chega ao estado pelo Norte e pelo Centro-Oeste, a região integra o chamado Matopiba

Grandes cachoeiras e sítios arqueológicos formam polo ecoturístico guardadinho no oeste baiano
Grandes cachoeiras e sítios arqueológicos formam polo ecoturístico guardadinho no oeste baiano

Gabriela Borges Barreiras, Ba (folhapress) - 05/03/2026 15:18:49 | Foto: Belezas de Serranópolis: à esquerda, a cachoeira do Rio Corrente. À direita, a cachoeira Canguçu, ao lado da Gruta do Diogo — Arquivo pessoal/Tiago Araújo

Chega a ser até difícil de acreditar que, em um dos estados mais turísticos do Brasil exista uma área repleta de rios cristalinos, cachoeiras imponentes e sítios arqueológicos que ainda não tenha entrado na rota do turismo de massa. Mas esse lugar existe, devidamente guardadinho no oeste da Bahia.

Porta de entrada para quem chega ao estado pelo Norte e pelo Centro-Oeste, a região integra o chamado Matopiba, acrônimo que designa a zona onde Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia se encontram. O termo tem origem no agro, que expandiu suas fronteiras para esses lados na última década. Ainda assim, essa porção ainda resiste como um vasto e diverso paraíso ecológico.

A mesma abundância de rios de águas límpidas que transformou a região no maior polo de plantações irrigadas do país também deu a ela o apelido de Caribe do Cerrado. É a partir de Barreiras, principal localidade do oeste da Bahia, que boa parte das belezas do lugar pode ser explorada.

Com cerca de 170 mil habitantes, a cidade fica a 860 km de Salvador. Tem um pequeno aeroporto, com voos diários da Azul a partir de Belo Horizonte e, três vezes por semana, também de Salvador. Nos últimos anos, Barreiras, que é cortada pelo rio Grande, tem conseguido crescer sem romper totalmente com a natureza ao redor atraindo cada vez mais viajantes em busca de experiência de ecoturismo.

Embora a cidade ainda não tenha um posto oficial de atendimento ao turista, o visitante geralmente é bem atendido pela a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo local (dmt_semuct@barreiras.ba.gov.br), que tem profissionais preparados para orientar no que for necessário.

A relação ainda saudável com o turismo se reflete também no entusiasmo dos moradores locais, que costumam indicar os seus atrativos favoritos com prazer.

Uma boa dica para explorar a cidade, aliás, é participar dos passeios organizados pelo grupo Pé na Trilha (@penatrilhabarreiras), que combinam aventura, hospitalidade e espírito coletivo. Eles conhecem as melhores trilhas da cidade, com a garantia de não deixar ninguém para trás.

Entre os destaques estão os mirantes do Quipá, na serra da Bandeira, e do Parque Santo Cristo, na serra do Mimo, que oferecem uma visão panorâmica da cidade, além da trilha da Uneb, que leva a pinturas rupestres -há pelo menos cinco sítios arqueológicos registrados na região.

Mas os principais cartões postais do Caribe do Cerrado são mesmo as cachoeiras. As principais são a do Redondo, com uma grande piscina natural e que desde 2024 se tornou uma reserva particular do patrimônio natural, e a cachoeira do Acaba Vida, com 36 metros de queda livre -já eleita por esta Folha de S. Paulo como uma das dez cachoeiras imperdíveis do Brasil.

Mas é o rio de Ondas que ocupa um lugar especial no coração dos barreirenses. Cristalino e abundante, seu curso forma pequenas ondulações naturais que deram nome a ele. Para ter uma experiência tipicamente local, sentindo a sensação de que o tempo corre mais devagar por ali, a dica é parar no balneário Três Bocas, que serve moqueca de surubim nas mesas dispostas dentro da água.

Saindo de Barreiras, ainda há muito o que ver e visitar. A cerca de 30 km dali, a cidade de São Desidério, também referência em ecoturismo, tem mais de 200 cavernas catalogadas, rios subterrâneos e mais sítios arqueológicos.

Diariamente, vans (R$ 10 por pessoa) fazem o trajeto entre as duas localidades. Na rodoviária funciona o departamento de turismo municipal, onde uma equipe receptiva orienta os visitantes e indica guias credenciados.

Comece a visita pelo Parque Municipal da Lagoa Azul, unidade de conservação com acesso controlado (R$ 35 por pessoa, com guia incluso) onde uma trilha em meio à mata nativa leva a um lago de coloração intensa cercado por paredões calcários.

No mesmo parque fica a gruta do Catão, espetáculo geológico com estalactites escamosas e com a ressurgência de um rio. Em nenhum deles é permitido nadar, mas só a contemplação já vale a visita.

De volta a Barreiras, o dia pode terminar nos bares com música ao vivo da região histórica ou no restaurante Cais e Porto, às margens do rio Grande, um bom lugar para encerrar a viagem.

Mas ir embora da região sem pelo menos um pernoite na simpática Correntina (@vempracorrentina) é quase um pecado. Pacata e charmosa, a cidade a 170 quilômetros de Bareiras (a passagem custa R$ 70) é cortada por cinco rios de águas cristalinas que não apenas embelezam a paisagem, mas organizam a vida local.

O principal deles, homônimo da cidade, também é conhecido como rio das Éguas. Ele atravessa o centro urbano e abriga às suas margens o Ranchão, principal cartão-postal da cidade, com áreas de banho, boa estrutura e clima de encontro entre moradores e visitantes. Ótimo para pedir um frango caipira ou um peixe frito.

Perto dali, o rio se divide e forma sete pequenas ilhas fluviais interligadas por pontes de madeira. Batizada de Sete Ilhas, a área é um dos principais pontos de lazer do município, famoso pela comida caseira servida à beira do rio de águas límpidas, onde quem se banha sempre quer voltar.

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