Lagartas são recolhidas no Lago Sul, Distrito Federal para produção de soro antiveneno

Apoio da população é imprescindível para identificação e coleta do animal pela Vigilância Ambiental

Lagartas são recolhidas no Lago Sul, Distrito Federal para produção de soro antiveneno
Lagartas são recolhidas no Lago Sul, Distrito Federal para produção de soro antiveneno

Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader - 28/04/2026 16:47:04 | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

A Diretoria de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde (SES-DF) recolheu dezenas de lagartas Lonomia em uma residência no Lago Sul na última semana. O intuito da ação é fabricar soro antiveneno, já que essa é a espécie de lagarta mais perigosa para o ser humano. A inoculação do seu veneno pode ocasionar hemorragias e até a morte.

“Um acidente vai acontecer, então o serviço de saúde precisa ter sempre o soro antiveneno disponível. A matéria-prima é a própria lagarta. Por isso, é preciso recolher o maior número desse animal. Ao mesmo tempo em que ela é o problema, é a solução”, explica o biólogo Israel Moreira.

A coleta foi solicitada pelo próprio morador, que identificou o animal em área verde próxima de sua casa. Poucas horas depois, o recipiente com as lagartas recolhidas foi levado a São Paulo para produção do soro antilonômico (SALon) no Instituto Butantan. O SALon é específico para o tratamento dos envenenamentos causados por lagartas Lonomia. O Brasil é o único país produtor deste antiveneno.

O processo de produção envolve o corte e a maceração das cerdas da lagarta. Diferentemente de serpentes, aranhas e escorpiões, que podem ser mantidos em biotério e manejados para a extração das toxinas, as lagartas precisam ser frequentemente repostas.

“A gente precisa do apoio da população para realizar a coleta desses animais. Essa é a única forma de produzir o soro. Por isso, cada lagarta recolhida é tão importante”, indica Israel Moreira.

Acidentes

Os acidentes com lagartas ocorrem pelo contato do indivíduo com o animal, que geralmente ocupa árvores ou vegetação próxima. Devido a sua coloração, as lagartas se camuflam na superfície de troncos. Folhas comidas e fezes acumuladas são sinais da presença do animal.

Ao coletar frutas no pomar, encostar-se em troncos para descansar ou realizar quaisquer outras atividades em ambiente silvestre, é recomendado observar bem o local antes de fazer o manuseio. A utilização de luvas ajuda a minimizar o risco de acidentes.

Israel Moreira ressalta que apenas o estágio larval de mariposas oferece risco à população, devido à presença de cerdas urticantes e veneno em muitas delas. Por isso, as espécies inofensivas aos seres humanos devem permanecer no meio ambiente. “Elas cumprem um papel fundamental no equilíbrio ecológico”, alerta.

Serviços de saúde

Para a identificação e a coleta de animal peçonhento, é importante entrar em contato com algum dos núcleos regionais de Vigilância Ambiental em Saúde. Em caso de acidente, o paciente deve ser levado ao serviço de saúde mais próximo, além de acionar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox). O registro fotográfico do animal, sempre que possível, pode auxiliar no tratamento.

Os soros antiveneno são distribuídos exclusivamente pelo Ministério da Saúde, de forma gratuita, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A disponibilização a hospitais de referência do país é planejada de acordo com os registros de acidentes.

*Com informações da Secretaria de Saúde

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