Análise feita a pedido da camara-e.net mostra como marketplaces podem aumentar a disputa entre farmácias, ampliar o acesso e dar mais espaço a pequenos estabelecimentos
Redação Com Informações De Assessoria - 01/09/2026 06:40:04 | Foto: Magnific
Os marketplaces podem aumentar a concorrência no varejo de medicamentos e pressionar os preços, ao colocar diferentes farmácias e ofertas lado a lado e facilitar a comparação pelo consumidor. É o que aponta estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), desenvolvido a pedido da Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net) - principal entidade multissetorial da América Latina na promoção do desenvolvimento sustentável da economia digital.
A análise cita estudos acadêmicos que identificam quedas superiores a 60% nos preços de medicamentos em mercados que ficaram mais competitivos com a entrada de genéricos. No Brasil, pesquisas também encontraram redução significativa de preços e aumento do acesso após a entrada desses medicamentos. O percentual, ressalta o estudo, não é uma estimativa de desconto para medicamentos vendidos em marketplaces, mas uma evidência do efeito que o aumento da concorrência pode produzir no setor.
Nos marketplaces, esse mecanismo ocorre pela facilidade de comparar preços, disponibilidade e condições de compra. Ao mesmo tempo, mais farmácias passam a disputar a mesma demanda, aumentando a pressão por eficiência e preços competitivos.
“Quando o consumidor consegue comparar mais ofertas, ganha poder de escolha. E quando mais farmácias disputam esse consumidor, aumenta a pressão por preço e eficiência. O marketplace pode tornar essa dinâmica muito mais visível”, afirma Igor Luna, consultor da camara-e.net.
Mais opções para consumidores e farmácias
O efeito potencial vai além do preço. Uma farmácia independente pode usar a infraestrutura de um marketplace para alcançar consumidores fora de sua região, sem precisar investir sozinha em tecnologia, logística e aquisição de clientes. Segundo a FGV, esse compartilhamento pode reduzir barreiras de entrada e ampliar a competição entre estabelecimentos de diferentes portes.
Para o consumidor, as plataformas também podem ampliar o acesso em regiões com menor oferta física e para pessoas com dificuldade de deslocamento. Atualmente, 14% dos municípios brasileiros não contam com unidade credenciada ao Farmácia Popular, o que reforça o potencial de canais digitais para ampliar as opções de acesso.
Tecnologia pode reforçar a segurança
A expansão dos marketplaces não significa flexibilizar as regras para venda de medicamentos. A FGV aponta que o ambiente digital pode, em determinados aspectos, reforçar a rastreabilidade e o controle da cadeia, com tecnologias como blockchain e inteligência artificial para acompanhar produtos, identificar padrões suspeitos e combater falsificações.
As farmácias licenciadas e os farmacêuticos continuam responsáveis pela operação, com cumprimento integral das normas sanitárias. “Não se trata de escolher entre concorrência e segurança. É possível ampliar os canais de acesso mantendo as exigências sanitárias. O desafio é fazer a regulação acompanhar a tecnologia e a forma como o consumidor já compra”, diz Luna.
Lei já reconhece os canais digitais
A Lei nº 15.357/2026 passou a permitir que farmácias e drogarias licenciadas contratem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para logística e entrega ao consumidor, desde que cumpram integralmente as regras sanitárias.
Para a camara-e.net, o próximo passo é adaptar a regulamentação à nova dinâmica de consumo e dar segurança jurídica para a atuação dos marketplaces. O modelo já é adotado, em diferentes formatos, em mercados como Europa, China e Índia, segundo a análise da FGV. O estudo “Benefícios Econômicos da Comercialização de Medicamentos em Marketplaces”, elaborado pela FGV a pedido da camara-e.net, é a primeira fase de uma análise sobre os impactos das plataformas digitais no varejo farmacêutico. O relatório reúne revisão de literatura, experiências internacionais, regulação e fundamentos econômicos, prevendo uma eventual segunda etapa para aprofundar os efeitos do modelo no mercado brasileiro.
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