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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 17 de janeiro de 2022

Mais de 15 mil casos prováveis este ano

Mais de 15 mil casos prováveis este anoFoto:

Agentes fizeram a higienização e borrifaram fumacê em feiras do DF, e tratores retiraram entulhos de terrenos nas regiões administrativas

Mariana Machado - Correioweb - 09/04/2020 - 08:27:51

Enquanto a população está atenta aos cuidados para evitar a Covid-19, outro vírus, velho conhecido dos brasileiros, continua circulando e fazendo vítimas. Em 2020, a dengue matou duas pessoas no Distrito Federal, segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde. Até 23 de março, a pasta recebeu 15,4 mil notificações de casos prováveis, aumento de 125,25% em comparação com igual período do ano passado.


Agentes fizeram a higienização e borrifaram fumacê em feiras do DF, e tratores retiraram entulhos de terrenos nas regiões administrativas  (Paulo H. Carvalho/Agencia Brasilia)
Agentes fizeram a higienização e borrifaram fumacê em feiras do DF, e tratores retiraram entulhos de terrenos nas regiões administrativas

Desde sempre, a orientação de especialistas é de procurar assistência médica ao identificar os primeiros sintomas (Veja quadro). Contudo, nas circunstâncias atuais, isso significa se expor ainda ao risco de transmissão do coronavírus. Com cautela, a professora aposentada Elaine Leite, 51 anos, recorreu a um hospital particular do Gama quando suspeitou de dengue.



Como já havia tido a doença em 2015, notou semelhanças. Em 13 de março, os exames confirmaram. “Fui cedo ao hospital, justamente por ser um horário com poucas pessoas. Já tinha o medo da pandemia. Coloquei máscara, o que ninguém usava na época, e levei meu álcool em gel”, lembra. Os médicos já usavam a proteção no rosto. “Como os sintomas são parecidos, pedi para fazer o exame para coronavírus, mas, não foi necessário”.


Como hospitais tendem a ter maiores aglomerações, a recomendação é de que, quem apresente suspeita de dengue, procure inicialmente uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), ou posto de saúde. Marcos Pontes, coordenador da Clínica Médica do Hospital Santa Lúcia Norte avalia que há grandes chances de uma nova epidemia do vírus para este ano.


Por isso, é fundamental passar por avaliação com profissionais, principalmente se houver febre. “De maneira alguma, deixe de procurar ajuda. Ficar em casa pode ser perigoso porque se deixar para buscar socorro com sintomas avançados, o suporte será mais complicado”, alerta. “Nos hospitais, já é feito atendimento separado. Na triagem, os pacientes com suspeita ou confirmação para Covid-19 não se misturam com os outros. Isso diminui o risco de contaminação”, complementa.


O médico esclarece que fazem parte do grupo de risco idosos e portadores de comorbidades, o que não é o caso da dengue. “É uma doença sazonal. Comorbidades são doenças crônicas, que predispõem o paciente a ter outras doenças e complicações. É o caso da diabetes, da hipertensão, da esclerose, das distrofias, e de doenças do sistema nervoso, por exemplo”, resume.


Dificuldades


A sensação de dores em todos os ossos, mal-estar e enjoo faz com que a autônoma Ananda Críscila, 24 anos, mal consiga sair da cama. Mover-se é tão difícil que até os banhos precisam ser com o apoio de uma cadeira. Há duas semanas, ela recebeu o diagnóstico de dengue e, desde então, conta com a ajuda da família para se recuperar. “Às vezes eu não consigo dormir. Tenho dor de cabeça todo dia, algo que não costumo ter”, afirma.


Logo que percebeu os primeiros sintomas, foi ao centro médico do Areal, onde fez o exame de sangue que constatou a infecção. “Eu nunca tinha ficado assim. É horrível, principalmente nos primeiros dias”, conta Ananda. Pela preocupação com a pandemia, a jovem faz uso de máscaras e álcool em gel. “O médico falou para ficar em casa e não sair”, detalha. Na família, ela não foi a única a ser picada pelo Aedes aegypti, o mosquito transmissor do vírus da dengue.


No final do ano passado, a irmã dela, Amanda Críscila, 25 anos, também enfrentou a doença. “Fiquei afastada do trabalho por duas semanas, porque não tinha condições. Tive muita indisposição, calafrios, ânsia de vômito e dores nas articulações”, relembra. Moradora de Samambaia, ela suspeita que uma borracharia próxima à casa dela tenha servido de criadouro do mosquito. “Lá ficavam muitos pneus acumulando água. Pelo menos peguei enquanto adulta. Fico imaginando se fosse uma criança ou idoso. É muita dor para alguém frágil suportar”, denuncia.


Ações


Na tentativa de evitar uma nova epidemia, bem como a transmissão do coronavírus, o Governo do Distrito Federal (GDF) mobiliza ações de combate: lavagem de paradas de ônibus, e limpeza de espaços públicos, como estações de metrô e delegacias. Na última semana, após o anúncio da reabertura de feiras, profissionais da Secretaria de Saúde borrifaram fumacê e fizeram a higienização nas feiras do Cruzeiro, Ceilândia, Estrutural e Núcleo Bandeirante. A expectativa é de que outras 16 passem pelo procedimento.


Locais onde se acumulam lixo são ideais para a proliferação do Aedes aegypti. Por isso, a retirada de entulho é fundamental. Na semana passada, a força-tarefa do GDF retirou cerca de 500 toneladas desse material de Planaltina. Outros 30 caminhões saíram carregados do Recanto das Emas. Enquanto isso, agentes da Vigilância Sanitária inspecionam residências em diversas regiões administrativas, orientando a população sobre como evitar o acúmulo de água.


No sábado, moradores do Guará, Arniqueira, Vicente Pires, Varjão, Itapoã, Samambaia, Riacho Fundo, Núcleo Bandeirante e Candangolândia receberam a visita das equipes. No ano passado, tendas de acolhimento para pacientes com dengue foram montadas em frente a nove centros de saúde, com o objetivo diagnosticar a dengue precocemente e iniciar o tratamento imediato, evitando as complicações decorrentes da doença, além de desafogar as emergências dos hospitais. Questionada, a Secretaria de Saúde não respondeu se o serviço vai continuar neste ano.



Sintomas
O diagnóstico da dengue é dado por meio de exame de sangue. Veja quais são os sintomas mais comuns:





» Febre alta com início súbito (entre 39 e 40 ºC)

» Fortes dores de cabeça

» Dor atrás dos olhos (que piora com o movimento)

» Manchas e erupções na pele

» Cansaço extremo

» Dores nas articulações

» Náuseas

» Vômitos


Precauções

Saiba quais cuidados tomar para evitar a proliferação do mosquito transmissor:


» É preciso evitar água parada. Por isso, tampe baldes, caixas d’água e tonéis, deixe garrafas viradas para baixo e mantenha lixeiras sempre tampadas

» Coloque areia nos pratos de vasos de plantas

» Mantenha ralos e calhas sempre limpos

» Utilize repelente

» Acione a Vigilância Ambiental, SLU ou Novacap caso suspeite que um local é foco do mosquito.

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