Entre as aderentes estão Banco do Brasil, Bradesco, Cyrela, Eurofarma, Motiva, Meta, Microsoft, Natura e Petrobras e Santander, além de inúmeras transportadoras
Gabriela Caseff-são Paulo, Sp (folhapress) - 06/05/2026 07:12:16 | Foto: Rodrigo Fonseca/CMC
Um ano após a criação do Movimento Violência Sexual Zero, são 210 as empresas comprometidas com a causa e a proteção de crianças e adolescentes vítimas do problema no país. Parte delas se reuniu nesta terça-feira (4) no Masp (Museu de Arte de São Paulo) para celebrar os avanços e discutir os desafios desta agenda.
Lançada em março de 2025, a coalizão é liderada pela empresa Vibra Energia e pelas organizações Instituto Liberta, Childhood Brasil e Grupo Mulheres do Brasil.
"Conectamos mais de 200 empresas e organizações em torno de um tema que não é óbvio nem fácil", disse Luciana Temer à reportagem.
Entre as aderentes estão Banco do Brasil, Bradesco, Cyrela, Eurofarma, Motiva, Meta, Microsoft, Natura e Petrobras e Santander, além de inúmeras transportadoras.
Uma das conquistas associadas ao movimento foi o ECA Digital, projeto de lei que estabelece regras de proteção para crianças e adolescentes na internet, aprovado em setembro de 2025, após denúncias feitas pelo youtuber Felipe Brassanim Pereira, o Felca, contra criadores de conteúdo que gravavam vídeos envolvendo menores de 18 anos sexualizados ou em ambientes com adultos.
"Violência sexual é uma questão cultural, e cultura não se transforma com lei, e sim com persistência e consistência. Que a gente quebre o silêncio e eduque adultos", afirmou Luciana.
A cada hora, 8 crianças e adolescentes são vítimas de violência sexual, segundo o Anuário de Segurança Pública de 2024. E 61% das vítimas têm menos de 14 anos. Enquanto isso, apenas 8,5% dos casos são denunciados, de acordo com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Para a Childhood, que coordena diversos programas de prevenção de violência sexual, mobilizar empresas é fundamental para promover mudanças na cultura de proteção de crianças e adolescentes no Brasil.
"Esse problema é tão complexo que precisamos atuar em absolutamente todas as esferas. Empresas falam com seus colaboradores, com sua cadeia de fornecedores, de modo que crescemos em ondas mesmo em um cenário desafiador", diz Lais Peretto, diretora executiva da ONG.
Os signatários do pacto se comprometem a fazer campanhas de conscientização sobre o problema para seus funcionários, terceiros e familiares.
Em agosto de 2025, um jantar com 50 CEOs de grandes empresas, promovido pela Vibra e pelo filantropo Elie Horn, fundador do Liberta, ajudou a engajá-las no movimento.
"Hoje temos 2 milhões de colaboradores que são possíveis agentes para ajudar na proteção de crianças e adolescentes. Nossa meta é que esse problema, que está submerso, apareça mais e as pessoas tenham coragem de denunciar usando o Disque 100", disse Ernesto Pousada, CEO da Vibra.
A distribuidora de combustíveis criou a Loja de Inconveniência Itinerante, que circula por postos rodoviários chamando atenção para a causa. No lugar de produtos tradicionais, a loja apresenta embalagens com estatísticas e mensagens de alerta em uma experiência imersiva e educativa.
"Essa tem que ser uma causa de país", diz Pousada.
A programação do evento incluiu apresentação da Orquestra Sinfônica Heliópolis e um painel com especialistas e profissionais que atuam na ponta, como o delegado da Polícia Federal Thiago Rodrigues Figueiredo, da diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos, em Brasília (DF).
Rodrigues lembrou da operação nacional de combate ao abuso sexual infantil realizada na última semana. Agentes federais cumpriram 159 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão em todo o país na operação "Proteção Integral IV", que ainda mirou 15 países.
Apesar da importância de ter este tema na mídia, disse o delegado, a repressão não é suficiente.
"Confiar o combate a esse crime somente à polícia é estratégia furada. Quando chegamos, já tem vítima, família destroçada. Perdemos a oportunidade de proteger aquela infância."
Agora, o movimento marca uma transição essencial, ao entrar em uma fase de prevenção diretamente nos territórios. Serão priorizadas que ações de prevenção, identificação, encaminhamento de casos e a formação de agentes de proteção.
Com a intenção de trazer mais empresas para a coalizão, o movimento lançou um prêmio para reconhecer boas práticas no combate a essa violência.
Empresas, fundações, institutos e ONGs signatárias do Movimento Violência Sexual Zero podem participar do edital, que será aberto em setembro deste ano no site violenciasexualzero.com.br.
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