Na Paraíba, coco de roda mantém viva a identidade e a resistência do povo Potiguara

Em um país que ainda nega direitos aos povos indígenas, o coco de roda segue como memória viva e ato político. Cada canto entoado reafirma que a cultura indígena não é folclore, mas resistência, pertencimento e futuro

Na Paraíba, coco de roda mantém viva a identidade e a resistência do povo Potiguara
Na Paraíba, coco de roda mantém viva a identidade e a resistência do povo Potiguara

Por Juracy Dayse Delfino Soares* E Natália Bianca Leandro De Moura** - Bdf - 06/01/2026 07:15:10 | Foto: Reprodução/@cocoderodajoanaferreira / Coco de Roda Joana Ferreira

No território indígena Potiguara, em Baía da Traição, no Litoral Norte da Paraíba, o coco de roda segue como uma expressão viva de identidade, memória e resistência cultural. Em um contexto marcado por séculos de violência e tentativas de apagamento dos povos originários, essa manifestação tradicional reafirma o pertencimento indígena e a continuidade das práticas ancestrais no presente.

Mais do que música e dança, o coco de roda é uma prática coletiva que envolve oralidade, corpo e território. A dança acontece em roda, com palmas, batidas no chão e o canto conduzido por um puxador ou mestra de coco. As letras falam do cotidiano das aldeias, da relação com a natureza, da religiosidade e da ancestralidade do povo Potiguara, fortalecendo laços comunitários e a transmissão de saberes entre gerações.

Um dos grupos que mantém viva essa tradição é o Coco de Roda Joana Ferreira, criado em janeiro de 2024, na aldeia indígena Alto do Tambá. O grupo homenageia Joana Ferreira, uma guerreira Potiguara reconhecida por sua atuação cultural e religiosa, além de sua participação em rituais tradicionais, como o toré. Sua memória permanece presente nas músicas e no sentido coletivo que orienta o grupo.

Formado por filhos, netos, bisnetos e moradores da comunidade, o Joana Ferreira funciona como um espaço de fortalecimento da ancestralidade e da memória coletiva. As músicas são, em grande parte, autorais e abordam temas ligados às comunidades indígenas, às belezas naturais do território e à fé. O improviso e o humor, características marcantes da oralidade indígena, também fazem parte das apresentações, aproximando o público e reforçando o caráter popular do coco de roda.

Apresentação do grupo Coco de Roda Potiguara Flor de Laranjeira | Crédito: Natália Di Lorenzo

No território Potiguara, o coco de roda convive com outras manifestações tradicionais, como o toré e a ciranda. Enquanto o toré ocupa um lugar central na espiritualidade indígena, o coco de roda amplia os espaços de encontro, celebração e afirmação cultural, promovendo participação popular e inclusão social.

EM UM PAÍS QUE AINDA NEGA DIREITOS AOS POVOS INDÍGENAS, O COCO DE RODA SEGUE COMO MEMÓRIA VIVA E ATO POLÍTICO.

*Juracy Dayse Delfino Soares é indígena Potiguara, professora da rede pública de ensino e estudante de letras – língua portuguesa pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

**Natália Bianca Leandro de Moura é indígena Potiguara, estudante de secretariado executivo pela UFPB e de letras–inglês, colaboradora voluntária no projeto de extensão Cocam e diretora-presidente da Empresa Júnior Inovasec Jr.

* **Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

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Editado por: Carolina Ferreira

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