O vibrante intercâmbio cultural se fortalece no Ano Cultural China-Brasil

Museu Nacional iluminado com o espetáculo de luzes do Ano Novo Chinês, em Brasília, capital do Brasil, em 10 de fevereiro de 2026

O vibrante intercâmbio cultural se fortalece no Ano Cultural China-Brasil
O vibrante intercâmbio cultural se fortalece no Ano Cultural China-Brasil

Por Chen Yao, Zhao Yan E Zhou Yongsui - Agência Xinhua Brasil - 06/04/2026 16:16:40 | Foto: Agência Xinhua/Lucio Tavora

Beijing/Rio de Janeiro, 5 abr (Xinhua) -- Em Beijing, desde o início de 2026, foram realizadas diversas atividades, entre elas a mostra do filme brasileiro "A Amazônia: Uma floresta na tela", que aproximou o público chinês à riqueza natural e cultural do Brasil. Enquanto isso, em São Paulo, Brasil, um "flash mob" da cultura chinesa encheu as ruas de música e cor para celebrar o Ano Novo Lunar, despertando a curiosidade e o entusiasmo dos transeuntes.

Nos primeiros três meses de 2026, o Ano Cultural China-Brasil já demonstrou um dinamismo notável, fortalecendo de forma concreta a amizade entre os dois povos e promovendo um intercâmbio cultural cada vez mais profundo entre os dois países.

A amizade entre os povos constitui a base e a força motriz do desenvolvimento das relações China-Brasil. Com essa convicção, os líderes dos dois países concordaram em designar 2026 como o Ano Cultural China-Brasil, com o objetivo de fortalecer os laços culturais e ampliar a compreensão mútua entre os povos.

O presidente da China, Xi Jinping, descreveu assim a importância dos intercâmbios culturais entre os dois países: as culturas da China e do Brasil são ricas e diversas, possuem um encanto único, se complementam e se atraem mutuamente.

TORNANDO A CHINA MAIS PRÓXIMA DOS BRASILEIROS

Em janeiro deste ano, realizou-se em Beijing e em outras cidades uma série de atividades "Entre o Espelho e a Lâmpada: Diálogo da Literatura Contemporânea Sino-Brasileira", na qual escritores brasileiros mantiveram um diálogo aprofundado com escritores, tradutores e pesquisadores chineses.


Por meio dos livros, uma sucessão de embaixadores culturais da China e do Brasil perpetua o diálogo entre civilizações.

Em julho de 2014, o presidente Xi destacou a trajetória de Carlos Tavares, a quem descreveu como "um brasileiro com coração chinês" durante seu discurso no Congresso Nacional do Brasil, país que visitava oficialmente.

Desde a década de 1970, Tavares escreveu 10 livros e mais de mil artigos sobre a China. Muitos brasileiros passaram a conhecer e se aproximar do país por meio de seus escritos. Antes de falecer em 2021, Tavares deixou um desejo não realizado: escrever mais artigos sobre a China.

Visitante observa uma obra de caligrafia chinesa em uma exposição de pintura e caligrafia sino-brasileira no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de março de 2026. (Xinhua/Jin Haoyuan)

Hoje, cada vez mais brasileiros dão continuidade ao intercâmbio humanístico iniciado por Tavares. Desde clássicos tradicionais como "Analectos" de Confúcio e "Tao Te Ching" até obras literárias como "Grito", de Lu Xun, e "O Camelo Xiangzi", de Lao She, um número crescente de títulos chineses vem sendo traduzido e publicado no Brasil.

Evandro Menezes de Carvalho, professor de direito internacional da Universidade Federal Fluminense (UFF), é um desses embaixadores culturais. Agraciado com o Prêmio da Amizade do Governo chinês, é mais conhecido por seu nome chinês, Gao Wenyong.

Desde sua primeira visita de estudo à China, em 2013, Carvalho tem se dedicado ativamente a promover a tradução recíproca de obras e o intercâmbio acadêmico entre os dois países. Entre os feitos que mais valoriza está sua participação na tradução para o português do quarto volume de "Xi Jinping: A Governança da China" e de "Livrar-se da pobreza".

Na sua opinião, no atual contexto de tensões geopolíticas internacionais e frequentes crises de governança global, é essencial valorizar a diversidade das civilizações. A Iniciativa de Civilização Global proposta pelo presidente Xi "oferece uma alternativa ao paradigma da confrontação e reafirma a importância do respeito mútuo, da coexistência pacífica e do diálogo intercultural como base para uma ordem internacional mais estável e equitativa".

Ele acrescentou que "para os países do Sul Global, como o Brasil, essa abordagem é particularmente relevante, pois abre espaço para que nossas próprias experiências civilizatórias sejam reconhecidas, valorizadas e integradas ao debate global sobre desenvolvimento e governança".

Com o objetivo de permitir que mais brasileiros conheçam a China por meio dos livros, Carvalho tem defendido a criação de uma marca editorial temática chamada "SHU" (livro em mandarim), voltada à tradução e publicação de obras relacionadas à China.

Em sua visão, Carlos Tavares fez com que os brasileiros conhecessem a China, enquanto a missão de sua geração é fazer com que os brasileiros compreendam a China. "O intercâmbio cultural eleva o espírito humano: amplia horizontes, reduz a ignorância, aprofunda a sensibilidade e nos torna mais inteligentes e generosos", afirmou.

A ARTE PODE TRANSCENDER FRONTEIRAS

"Na década de 1980, a telenovela brasileira 'A Escrava Isaura' fez enorme sucesso na China, e a busca de Isaura por liberdade e amor comoveu centenas de milhões de espectadores chineses". Em seu discurso de 2014 no Congresso brasileiro, o presidente Xi Jinping também mencionou essa produção.

Ambientada no período da escravidão do século 19, a novela narra a história comovente de uma jovem escrava em sua luta pela liberdade e pelo amor verdadeiro. Lucélia Santos, atriz que interpretou Isaura, afirmou em entrevista à Xinhua que "as palavras do presidente Xi Jinping me fazem sentir imensamente honrada e grata. Nunca imaginei que uma telenovela pudesse se tornar um elo cultural entre a China e o Brasil, o que me faz acreditar ainda mais que a arte pode transcender fronteiras".

Em 1985, Santos ganhou o prêmio de Melhor Atriz Estrangeira no Golden Eagle Awards da televisão chinesa por essa série, tornando-se a primeira atriz estrangeira a receber essa honra. Desde então, visitou a China diversas vezes; também convidou parceiros chineses ao Brasil para filmar documentários e trocar ideias sobre roteiros, e atualmente promove dois projetos de cooperação. Ao longo dos anos, continua recebendo demonstrações de carinho do público chinês, uma amizade que atravessa décadas e reforça sua determinação de seguir promovendo o intercâmbio cultural entre os dois países.

Do sucesso de "A Escrava Isaura" na China à atual popularidade de produções audiovisuais chinesas no Brasil, o intercâmbio cinematográfico e televisivo entre os dois países tem experimentado um desenvolvimento significativo, passando de uma "transmissão unidirecional" para um "encontro bidirecional".

Uma menina participa de atividades de cultura chinesa no marco da celebração do 5º Festival Cultural da China no estado da Paraíba, Brasil, em 7 de março de 2026. (Xinhua/Zhou Yongsui)

Em 2022, a marca internacional de difusão de conteúdos audiovisuais chineses "China Zone" foi lançada oficialmente no Brasil, permitindo ao público brasileiro acessar filmes, séries, documentários e animações chinesas com legendas em português por meio de plataformas locais, conhecendo assim mais sobre a China e sua cultura.

Além disso, em 2024, várias obras como "O Problema dos Três Corpos" e "Nirvana em Chamas" foram traduzidas e legendadas em português, chegando aos lares de numerosos assinantes de televisão no Brasil.

Em maio de 2025, em seu discurso de abertura da quarta reunião ministerial do Fórum China-CELAC, o presidente Xi propôs que a China e a América Latina trabalhem conjuntamente para implementar cinco programas de intercâmbio, entre os quais mencionou que a China exibirá filmes e programas televisivos chineses no âmbito do projeto The Bond. China e América Latina e Caribe trabalharão para realizar, anualmente, a tradução mútua de 10 telenovelas ou programas audiovisuais populares.

A atriz de "A Escrava Isaura" considera que "as telenovelas são um meio popular de conhecer a economia e a sociedade de um país".

Ela espera que o intercâmbio cultural entre a China e o Brasil alcance um novo patamar. Em sua opinião, por meio das telas, os povos dos dois países percebem seus modos de vida e valores, criando uma conexão cultural que oferece um "exemplo sino-brasileiro" para o intercâmbio entre civilizações em nível global.

Santos considera que o Ano Cultural China-Brasil tem um significado profundo. Durante sua visita ao Brasil, o presidente Xi citou o provérbio "a amizade é como o vinho, quanto mais envelhece, melhor fica". Ao recordar essa frase, Santos afirmou que o intercâmbio aproxima os corações dos dois povos e fortalece continuamente a amizade entre as duas nações.

A 21ª edição da Feira de Couplets (Dui Lian) de Laoximen é inaugurada no Templo da Cultura de Shanghai, no leste da China, em 12 de fevereiro de 2026. O estudante brasileiro de intercâmbio Eduardo (à esquerda) mostra a obra de caligrafia com a temática do Ano do Cavalo. (Xinhua/Wen Zhe)

UM FUTURO PROMISSOR PARA A AMIZADE CHINA-BRASIL

Em 2024, o presidente Xi respondeu a uma carta enviada por personalidades amigas de diversos setores do Brasil, entre elas membros da Orquestra Forte de Copacabana, incentivando-os a continuar contribuindo para a amizade entre a China e o Brasil.

Em sua resposta, Xi afirmou que ficou satisfeito em ver que a causa da amizade entre a China e o Brasil está sendo transmitida de geração em geração e conta com novos continuadores.

A diretora artística da orquestra, Márcia Melchior, afirmou que "um incentivo como esse é uma grande honra para a nossa banda", acrescentando que o grupo sempre se dedicou à formação de novas gerações para promover o intercâmbio cultural, "pois elas representam o futuro promissor da amizade entre a China e o Brasil".

A Orquestra Forte de Copacabana é bastante conhecida no Rio de Janeiro e é composta principalmente por jovens, em sua maioria adolescentes, provenientes de famílias de baixa renda. O grupo, que esteve à beira da dissolução devido a dificuldades financeiras, renasceu em 2022 graças à doação de uma empresa chinesa.

Membros da Orquestra Forte de Copacabana posam para uma foto, no Rio de Janeiro, Brasil, em 14 de dezembro de 2024. (Xinhua/Wang Tiancong)

Atualmente, a cada último sábado do mês, a banda realiza concertos ao ar livre no Forte de Copacabana. Canções em chinês interpretadas por sua vocalista principal, Isabella, como "Eu amo a China" e "Como você quiser", sempre despertam grande ressonância entre o público local.

Em setembro de 2024, por ocasião do 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e o Brasil, a banda foi convidada a realizar uma turnê pela China.

"Cada apresentação foi um intercâmbio espiritual, um passo importante rumo à amizade e à compreensão. O entusiasmo do público chinês nos comoveu e confirmou que a música é uma linguagem sem fronteiras", recordou Melchior.

A amizade cria raízes na melodia. Atualmente, a Orquestra do Forte de Copacabana mantém contatos com diversas instituições com a esperança de organizar concertos conjuntos com músicos chineses, além de oficinas e projetos de intercâmbio cultural. Melchior acredita que a música continuará sendo o elo que permitirá às novas gerações preservar e ampliar o legado de integração cultural entre os dois países.

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