Oceanos absorveram em 2025 calor de 12 bombas de Hiroshima por segundo

É o maior ganho de calor anual desde que as medições modernas começaram, por volta de 1960

Oceanos absorveram em 2025 calor de 12 bombas de Hiroshima por segundo
Oceanos absorveram em 2025 calor de 12 bombas de Hiroshima por segundo

(uol/folhapress) - 20/02/2026 11:34:59 | Foto: Agência Brasil

Os oceanos absorveram em 2025 o calor equivalente a 12 bombas de Hiroshima explodindo a cada segundo, de acordo com estudo publicado pela revista Advances in Atmospheric Science no dia 9 de janeiro e conduzido por mais de 50 cientistas de 31 instituições de pesquisa globais.

O QUE ACONTECEU
É o maior ganho de calor anual desde que as medições modernas começaram, por volta de 1960. Trata-se do nono ano consecutivo de quebra de recorde, sendo a sequência mais longa de aumento contínuo do conteúdo de calor oceânico.

O oceano absorveu no ano passado um adicional de 23 zettajoules de energia térmica. É um grande aumento em relação aos 16 zettajoules absorvidos em 2024. As áreas mais quentes observadas foram o Atlântico Tropical e Sul, o Mar Mediterrâneo, o Oceano Índico Norte e o Oceano Antártico.

Os resultados fornecem 'evidência direta de que o sistema climático está fora do equilíbrio térmico e acumulando calor', segundo os autores. "O ano passado foi um ano de aquecimento maluco, insano", disse John Abraham, coautor do estudo, à Wired.

Um oceano mais quente favorece o aumento da precipitação global e alimenta tempestades tropicais mais extremas. Em 2025, as temperaturas globais mais quentes foram, segundo o estudo, provavelmente responsáveis, em parte, pelos danos do Furacão Melissa na Jamaica e em Cuba, pelas pesadas chuvas de monções no Paquistão, entre outros desastres climáticos.

COMO O CALOR DO OCEANO É MEDIDO?
Cientistas medem o calor do oceano de diferentes formas. Uma métrica comum é a temperatura média anual da superfície do mar. A temperatura global da superfície do mar em 2025 foi a terceira mais quente já registrada, cerca de 0,5°C acima da média de 1981-2010.

Outra métrica é o conteúdo de calor oceânico. Ele mede a energia térmica total armazenada nos oceanos, em zettajoules: um zettajoules equivale a 1.000.000.000.000.000.000.000 joules. Para medir o conteúdo de calor em 2025, os autores do estudo avaliaram dados observacionais dos 2.000 metros superiores do oceano, onde a maior parte do calor é absorvida.

Os oceanos do mundo absorvem mais de 90% do excesso de calor retido na atmosfera da Terra pelas emissões de gases de efeito estufa. À medida que o calor na atmosfera se acumula, o calor armazenado no oceano também aumenta, tornando o calor oceânico um indicador confiável das mudanças climáticas de longo prazo.

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