PJ corporativo escolhe modelo, mas sonha com plano de saúde e Previdência Social

O estudo ouviu 306 profissionais PJ em todas as cinco regiões do Brasil em entrevistas online

PJ corporativo escolhe modelo, mas sonha com plano de saúde e Previdência Social
PJ corporativo escolhe modelo, mas sonha com plano de saúde e Previdência Social

Cristiane Gercina E Gabriela Cecchin-são Paulo, Sp (folhapress) - 20/05/2026 07:39:52 | Foto: © JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Sete em cada dez profissionais que trabalham em regime de PJ (Pessoa Jurídica) como prestadores de serviço a empresas na área corporativa escolheram ou negociaram o modelo segundo pesquisa da Hero Company realizada em parceria com a Opinion Box.

Conforme o levantamento, mesmo optando pela pejotização, a maioria gostaria de ter benefícios. Oito em cada dez (79%) desejam plano de saúde, mas apenas 6% do total têm convênio médico atrelado ao contrato. Já 60% gostariam do pagamento de contribuição à Previdência Social por parte do contratante.

O estudo ouviu 306 profissionais PJ em todas as cinco regiões do Brasil em entrevistas online. A margem de erro é de cinco pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

Miklos Grof, CEO e fundador da Company Hero, empresa de serviços que oferece soluções para quem tem contrato PJ ou trabalha como MEI (microempreendedor individual), diz que, nos últimos anos, houve uma mudança no perfil da contratação de funcionários no Brasil, com a ampliação da pejotização.

Grof avalia que esse número só não é maior porque o STF (Supremo Tribunal Federal) ainda deve decidir sobre o tema, já que em muitos tipos de contrato trata-se de uma substituição à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o que para a legislação brasileira seria uma fraude.

A tendência do crescimento do modelo PJ, no entanto, é mundial, diz ele. "Não é algo apenas no Brasil [o crescimento]. Vi isso na América do Norte, na América Latina. Há algumas pessoas trabalhando dessa forma, buscando maior competitividade entre empresas, buscando talentos e resultados. Estão procurando crescimento, entregar valor, ser valorizado e ganhar mais", afirma.

A pesquisa mostra que entre os principais motivos para a escolha do modelo na área corporativa está a remuneração maior. No entanto, a falta de um pacote de benefícios e, em alguns casos, exigências que só caberiam a quem tem contrato de trabalho formal são queixas de quem vive o modelo.

Os dados mostram que apenas 34% dos PJs recebem benefícios além da remuneração. Entre os que ganham algo, os mais comuns são vale-refeição (39%), participação em eventos e coworking (24%), treinamentos (23%) e descanso remunerado (24%). Plano de saúde aparece em apenas 18% dos que recebem benefício, sendo concedido para 6% do total de PJs.

Para Grof, as empresas precisam entender que o modelo de contratação entre pessoas jurídicas não depende de aval do STF porque não deve ser uma mera substituição da CLT. Os contratos devem respeitar a legislação brasileira, e a parte contratante poderia oferecer algum tipo de pacote de benefícios sem configurar vínculo.

"Um profissional bem tratado, que sente que tem menos risco na vida, vai poder ser um aliado que trabalha de forma mais harmônica", afirma. "Quando você dá proteção a alguém, ela consegue focar no que gosta de fazer, na sua arte."
Segundo a pesquisa, 87% dos PJs acreditam que oferecer remuneração e benefícios adequados reduz riscos trabalhistas para as empresas.

Há 32 anos atuando na área de comunicação, o jornalista Vanderlei Abreu, 49, diz que optou pelo regime de pessoa jurídica desde o início, quando atuava como freelancer e editor de revistas especializadas. Para ele, esse tipo de contrato está ligado ao formato de trabalho que escolheu seguir na carreira.

"Tenho cabeça de empreendedor", afirma. Há três anos, passou a trabalhar como escritor "fantasma" e abriu um CNPJ específico para sua editora, a VA Books, que se tornou sua principal atividade profissional. Segundo ele, o modelo permite manter diferentes contratos ao mesmo tempo, e evita a dependência de um único vínculo.

A autonomia, porém, vem acompanhada da instabilidade. Abreu afirma que a renda varia conforme a entrada de projetos. "Acabou um projeto, se não entrar outro, fico sem renda", diz. Em 2025, afirma ter lançado apenas um livro e precisou complementar a renda com outros trabalhos. Ele também cita os custos individuais com plano de saúde, transporte e contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Já a executiva de marketing Talita Peres, 43, migrou recentemente para o modelo PJ após anos trabalhando sob regime da CLT em empresas multinacionais do setor automotivo. Há seis meses, fundou a consultoria Marketing & Soul.

Segundo ela, planejou a mudança motivada pela busca por mais autonomia profissional. "Após muitos anos no mundo corporativo, comecei a perceber que minha contribuição podia ir além de uma cadeira específica em uma empresa", diz.

Talita afirma que o modelo oferece mais liberdade para escolher projetos e construir a própria atuação, mas exige organização financeira e administrativa. "Não dá para romantizar essa mudança."

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