Produção mundial de alimentos de origem animal dispara em seis décadas, diz FAO

Relatório mostra que carne de aves cresceu cinco vezes desde 1961, enquanto ovos e carne suína dobraram; Brasil e Portugal figuram entre grandes produtores; países africanos lusófonos e Timor-Leste enfrentam consumo baixo, preços elevados e dependência de importações

Produção mundial de alimentos de origem animal dispara em seis décadas, diz FAO
Produção mundial de alimentos de origem animal dispara em seis décadas, diz FAO

Agência Onu News - 11/06/2026 09:20:42 | Foto: © FAO/Believe Nyakudjara

A produção mundial de alimentos de origem animal terrestres disparou nas últimas seis décadas, com destaque para ovos, aves e carne suína.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, a pecuária se consolidou como um dos setores agrícolas de maior crescimento, transformando padrões de consumo e levantando novos desafios ambientais e sociais.

Contrastes de consumo
O novo relatório da FAO aponta que o aumento da oferta per capita foi impulsionado principalmente por três produtos: ovos, carne de aves e carne suína.

Entre 1961 e 2022, a oferta global de alimentos de origem animal aumentou rapidamente. A carne de aves registrou o crescimento mais acentuado, já a carne bovina manteve-se estável ou em queda em várias regiões.

Em 2022, a produção mundial de carne chegou a 361 milhões de toneladas, contra 71 milhões em 1961. A produção de leite alcançou 930 milhões de toneladas e a de ovos, 94 milhões.

Nos países lusófonos, os contrastes são marcantes. Brasil e Portugal figuram entre os grandes produtores e consumidores globais, enquanto na África e em Timor-Leste o acesso a carne, leite e ovos é limitado, marcado por preços elevados e dependência de importações.

Mercado europeu
O Brasil se destaca como um dos principais exportadores de carne bovina e de frango, além de estar entre os maiores produtores de leite.

Essa posição reforça sua relevância global, mas expõe desafios ambientais, como desmatamento e emissões de gases de efeito estufa.

Portugal, inserido no mercado europeu altamente regulado, apresenta consumo per capita elevado e forte presença de produtos processados.

Já Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste enfrentam baixa oferta e consumo estagnado.

Grande parte da comercialização ocorre em mercados informais, sem cadeia de frio adequada, o que aumenta os riscos à segurança alimentar.

Nessas regiões, o preço elevado torna os alimentos de origem animal inacessíveis para muitas famílias, sobretudo rurais. A pequena produção doméstica de galinhas e cabras é essencial para complementar a dieta e gerar renda.

Desperdício de alimentos
O relatório destaca ainda que cerca de um terço de todos os alimentos produzidos globalmente é perdido ou desperdiçado. Dentre eles, 14% são de origem animal terrestres.

As perdas estão associadas à perecibilidade, à infraestrutura precária e ao controle de temperatura, tendo mais impacto em países de baixa e média renda.

Embora o comércio internacional tenha crescido, ele representa apenas cerca de 10% do consumo global de alimentos de origem animal.

Para a FAO, o setor pecuário enfrenta desafios urgentes: desmatamento, mudanças no uso da terra, emissões de gases de efeito estufa, uso insustentável da água e da terra.

Questões de saúde pública e bem-estar animal também preocupam, incluindo os riscos de doenças zoonóticas decorrentes da interação entre humanos e animais de criação.

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