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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 18 de agosto de 2022

Protestos. Mais estudantes relatam supostos casos de assédio em escola militarizada

Protestos. Mais estudantes relatam supostos casos de assédio em escola militarizada

Foto: Ana Rayssa-CB-D.A Press)

Sargento de 54 anos é afastado após denúncias de importunar estudante em escola militarizada. Ele teria mandado a mensagem ''beijos no cantinho da boca'' a celular de aluna de 17 anos. Outras relatam mais casos contra policiais que trabalham no colégio.

Por Alan Rios-correio Braziliense - 05/06/2019 - 13:56:26

Alunos exibem cartazes em protesto no interior do colégio público.


“Beijos no cantinho da boca”. A mensagem enviada por um sargento da Polícia Militar ao telefone celular de uma aluna de 17 anos do Centro Educacional 3 (CED 3), em Sobradinho, levou os alunos da instituição a se manifestarem contra um possível série de assédios sexuais. A unidade é uma das quatro escolas com gestão compartilhada entre as secretarias de Educação e de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF). Estudantes fizeram uma manifestação e cobraram medidas da direção. O caso, que veio à tona nesta terça-feira (4/6), é investigado pela Polícia Civil.


A receptora da mensagem que desencadeou a revolta é aluna do terceiro ano do ensino médio. Estuda no turno matutino, em seu primeiro ano no Centro Educacional 3. “Eu vim para cá quando fiquei sabendo que a escola iria ser militarizada. Mas esperava uma espécie de segurança aqui dentro, e não foi isso que aconteceu”, contou a menina ao Correio. Ela relatou o caso à direção do colégio na segunda-feira. No mesmo dia, o militar, de 54 anos, foi afastado da função. “Não vamos tolerar qualquer tipo de violência em nossas escolas, muito menos vinda de profissionais”, manifestou-se o secretário de Educação, Rafael Parente, no Twitter.

Também pela internet, outras alunas do CED 3 de Sobradinho divulgaram casos de assédio na escola. Apresentado-se como alunas do 6º e do 3º ano, três adolescentes afirmaram terem sido “assediadas por policiais”. “A militarização nas escolas públicas era para melhoria e até nossa segurança, até onde esperávamos. Porém, o que está acontecendo não é bem isso”, diz um dos relatos publicados. “Uma aluna foi assediada por um sargento, e a outra levou um tapa na bunda. O mesmo pegou seu número e o de sua irmã em arquivos escolares e, por meio do WhatsApp, incomodou-a com frases do tipo ‘Beijinhos no canto da boca’”, escreveu outra.

A vítima da mensagem disse que o texto não foi o primeiro ato de assédio do sargento. “Um dia, eu estava passando mal e ele disse que o único remédio que poderia me dar era uma respiração boca a boca. Depois disso, foi essa mensagem do beijo. Então, tudo isso me deixou indignada e com medo”, comentou a adolescente. Aos superiores da PM, o acusado tentou se defender alegando que queria escrever aquela frase para a esposa, mas cometeu um erro no celular.

A corporação informou que o afastamento é um procedimento padrão quando há abertura de inquérito de investigação de conduta. “O caso está sendo apurado pela Corregedoria e, até que se chegue a uma conclusão, o militar seguirá afastado”, comunicou a PM, por meio de nota. “Sempre que há algo a ser investigado, distanciamos o envolvido para não prejudicar a apuração. Vamos colher novas provas e depoimentos para verificar se houve mesmo o assédio”, explicou o responsável pela diretoria disciplinar da instituição, major Gislando Alves. A apuração deve durar 30 dias.

Protestos

Cópia da imagem da conversa entre a garota e o sargento foi divulgada por meio das redes sociais e provocou indignação entre os alunos. Os estudantes expuseram, dentro do colégio, cartazes com dizeres como “Basta!” e “Não ao assédio”. Para ouvir e orientar os alunos, representantes da Secretaria de Educação estiveram no CED 3 na manhã desta terça-feira (4/6). “A partir do momento em que ficamos sabendo que poderia ter tido um suposto assédio, começamos a verificar e tomar as providências”, afirmou Vanessa Garcez, secretária executiva de relações institucionais da pasta.

Um dos protestos foi marcado para o intervalo da aula, e a direção aproveitou o momento para dialogar com os estudantes. “Reunimos todas as turmas e deixamos claro que estamos abertos a receber qualquer tipo de reclamação. Em um primeiro momento, eles nos passaram que têm medo de realizar denúncias, mas dissemos que não devem se sentir coagidos ou amedrontados”, comentou a representante da educação.

Uma aluna do CED 3 relatou ao Correio ter presenciado mais de um assédio. “Eu mesma, a cada dia, fico mais desconfortável em ir para a escola. Uns policiais ficam olhando para a bunda (sic) das garotas e até fazem comentários machistas”, disse. Segundo ela, o problema acontece desde o começo do ano letivo. “A diretora falou que esse acusado que mandou as mensagens era um ótimo policial, só isso”, destacou a garota.

Responsável pela direção pedagógica da instituição, Andreia Martins garantiu ter feito todos os procedimentos necessários quando ouviu a denúncia da mensagem de assédio. “Falei à aluna envolvida que iríamos verificar tudo, conversar com as partes envolvidas e averiguar. Não consegui contato com os pais nem com a irmã responsável dela, então, pedi para ela aguardar. Até perguntei se poderia ser assim e ela concordou.” A garota afirmou que a direção só passou a dar importância ao depoimento após ver a proporção que o caso foi tomando nas redes sociais.

Mais uma manifestação está marcada para o intervalo de quarta-feira (5/6), no CED 3. “Estamos apoiando os manifestos deles, até pelo índice que temos no DF de violência contra a mulher. E também vamos trazer projetos para a escola para discutir o assédio”, disse Vanessa Garcez. O major Gislando Alves completou: “Eles deixaram claro que o protesto é contra o ato em si, não contra o modelo de gestão compartilhada.”

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