Quais países têm os melhores resultados em matemática no Pisa 2025?

O desempenho também revelou uma dificuldade para alcançar o nível mínimo de proficiência definido pelo exame

Quais países têm os melhores resultados em matemática no Pisa 2025?
Quais países têm os melhores resultados em matemática no Pisa 2025?

São Paulo, Sp (folhapress) - 09/09/2026 17:49:42 | Foto: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A matemática foi uma das três áreas avaliadas pelo Pisa 2025, exame internacional que mede o desempenho de estudantes de 15 anos. Mais de 760 mil alunos de 91 países e economias participaram da edição, que teve ciências como área principal.

Entre os participantes, os estudantes de B-S-J-Z, que reúne Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, na China, tiveram a maior média em matemática, com 612 pontos. Singapura aparece em seguida, com 563.

O resultado brasileiro ficou bem abaixo dos líderes. Os estudantes do país obtiveram média de 377 pontos, ante 463 na média dos países da OCDE. O Brasil ficou na 71ª posição entre os participantes.

Entre 2022, edição anterior da avaliação, e 2025, a pontuação média do país caiu dois pontos em matemática. A variação mantém o Brasil próximo dos resultados registrados nas últimas edições.

O desempenho também revelou uma dificuldade para alcançar o nível mínimo de proficiência definido pelo exame. Apenas 28% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 em matemática, contra 65% na média da OCDE. No topo da escala, quase nenhum aluno brasileiro chegou aos níveis 5 ou 6, enquanto a média da OCDE foi de 8%.

Veja abaixo os países e economias com os melhores resultados em matemática no Pisa 2025.

*
Desempenho em matemática no Pisa 2025 por país
Posição - País/Região - Pontuação
1º - China (B-S-J-Z)* - 612
2º - Singapura - 563
3º - Macau (China) - 549
4º - Taiwan** - 546
5º - Japão - 525
6º - Coreia do Sul - 522
6º - Hong Kong (China) - 522
8º - Estônia - 508
9º - Suíça - 499
10º - Reino Unido - 488
11º - Canadá - 485
12º - Polônia - 484
13º - Países Baixos - 483
14º - Nova Zelândia - 480
14º - Irlanda - 480
14º - Bélgica - 480
17º - Austrália - 478
18º - Áustria - 477
18º - República Tcheca - 477
20º - Dinamarca - 471
21º - Lituânia - 470
22º - Finlândia - 469
22º - Eslováquia - 469
24º - Itália - 468
25º - Alemanha - 464
25º - Suécia - 464
27º - Estados Unidos - 463
28º - Turquia - 462
29º - Eslovênea - 460
29º - Portugal - 460
29º - Letônia - 460
32º - Hungria - 459
33º - França - 458
33º - Luxemburgo - 458
35º - Espanha - 457
36º - Croácia - 455
37º - Emirados Árabes Unidos - 453
38º - Noruega - 452
39º - Islândia - 450
40º - Vietnã - 443
41º - Malta - 439
42º - Brunei - 435
43º - Israel - 433
43º - Albânia - 433
45º - Regiões da Ucrânia (17 de 27) - 431
46º - Grécia - 424
47º - Azerbaijão - 422
48º - Romênia - 419
48º - Mongólia - 419
50º - Sérvia - 417
51º - Catar - 416
51º - Geórgia - 416
53º - Cazaquistão - 414
54º - Chipre - 412
55º - Montenegro - 411
56º - Moldávia - 410
57º - Maurício - 407
57º - Tailândia - 407
59º - Uruguai - 405
59º - Bulgária - 405
61º - Chile - 403
62º - Malásia - 397
63º - Arábia Saudita - 390
64º - México - 388
64º - Jordânia - 388
66º - Costa Rica - 387
67º - Peru - 382
67º - Duchambe (Tadjiquistão) - 382
69º - Colômbia - 381
70º - Macedônia do Norte - 380
71º - Brasil - 377
71º - Líbano - 377
73º - Armênia - 376
74º - Filipinas - 371
75º - Argentina - 367
76º - Equador - 366
76º - Camboja - 366
78º - Indonésia - 364
78º - Quirguistão - 364
80º - Marrocos - 355
81º - Autoridade Palestina - 354
82º - Kosovo - 350
83º - El Salvador - 346
84º - República Dominicana - 339
84º - Região do Curdistão (Iraque) - 339
86º - Paraguai - 334
86º - Guatemala - 334
88º - Quênia - 326
89º - Zâmbia - 314
90º - Ruanda - 312
Média da OCDE = 463
Referente a Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang ; **Ilha que se declara independente da China | Fonte: Pisa 2025/OCDE

Quase metade dos alunos usa IA nas tarefas no Brasil, mas capacidade digital é baixa, mostra Pisa

BRUNO LUCCA-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil mais que dobrou, em três anos, a proporção de alunos que estudam em escolas com proibição do uso de celular -de 37% em 2022 para 81% em 2025. Ao mesmo tempo, a capacidade das unidades de ensino do país de integrar tecnologias digitais ao aprendizado permanece abaixo da média internacional.

Os dados são do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) de 2025, divulgado nesta terça-feira (8) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O que é o Pisa e o que a prova avalia? A política contra o celular em sala de aula no Brasil, iniciada em janeiro de 2025, teve efeito mais rápido que o observado na média dos países da OCDE, em que a proporção passou de 34% para 49% no período.

A OCDE reconhece o banimento do celular como uma das medidas mais eficazes contra a distração digital em sala. Segundo o Pisa 2025, estudantes de escolas que proíbem o uso do celular nas dependências têm cerca de 13% menos chances de relatar distração digital durante as aulas, na média dos países da organização.

O Pisa avalia estudantes de 15 anos matriculados em escolas dos países e economias participantes. A cada edição, o exame se aprofunda em uma das áreas avaliadas; em 2025, ciências foi a disciplina escolhida para essa análise mais detalhada.

Além do desempenho acadêmico, o estudo coleta informações sobre o ambiente escolar e o uso de tecnologias por meio de questionários respondidos por estudantes e diretores.

O avanço nessa política não veio acompanhado da inserção de tecnologias pedagógicas nas unidades de ensino do país. Isso é o que mostra o Indicador de Capacidade Digital das Escolas, também divulgado no Pisa.

Esse mecanismo não mede a quantidade de computadores ou outros equipamentos disponíveis. A OCDE constrói o índice a partir de cinco aspectos avaliados pelos diretores:
existência de uma plataforma de ensino online eficaz habilidade técnica e pedagógica dos professores para integrar dispositivos digitais às aulas disponibilidade de recursos para que eles aprendam a usar essas ferramentas incentivos para incorporar tecnologia ao ensino tempo disponível para preparar aulas que utilizem esses recursos A combinação das respostas produz um índice cuja média internacional é fixada em zero. Valores negativos indicam capacidade abaixo da média internacional e positivos, acima dela.

O Brasil registra -0,86 nesse indicador, ante -0,03 na média da OCDE. Nos extremos, os Emirados Árabes Unidos têm 0,98 e Singapura, 0,91, enquanto o Quênia registra -1,16. Na América Latina, o Chile apresenta o maior resultado, com -0,61, ainda abaixo da média da OCDE.

ALUNOS BRASILEIROS JÁ USAM IA ACIMA DA MÉDIA
Apesar da menor capacidade das escolas de integrar tecnologia ao ensino, o uso de ferramentas digitais pelos estudantes brasileiros supera a média da OCDE em um dos indicadores: 48% afirmam usar chatbots de inteligência artificial ao menos uma vez por semana para tarefas escolares, ante 46% na média da organização.

O tempo de uso de dispositivos digitais para atividades de aprendizagem, porém, é menor no Brasil. Os estudantes brasileiros passam, em média, 1,3 hora por dia usando esses equipamentos na escola para aprender, contra 1,7 hora na média da OCDE.

Para atividades de lazer, a diferença é menor: 1 hora por dia no Brasil e 1,1 hora na média dos países da organização.

O Pisa também avaliou os resultados do uso de equipamentos em sala. Nas aulas de ciências, por exemplo, 25% dos estudantes brasileiros relatam se distrair com dispositivos digitais, ante 28% na média da OCDE.

O ponto destacado no levantamento é que, entre os alunos brasileiros que relatam esse tipo de distração, o desempenho na disciplina é, em média, 19 pontos menor. Na média dos países observados, a diferença é de 11 pontos.

Entenda o Pisa 2025 e como funciona a avaliação internacional

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês) é uma avaliação internacional que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Os resultados permitem comparar o desempenho educacional entre diferentes países e economias.

Organizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o estudo é realizado a cada três anos e avalia se os estudantes conseguem aplicar conhecimentos e habilidades para resolver problemas e lidar com situações do mundo real. O Brasil participa desde a primeira avaliação, em 2000.

A cada edição, uma das três áreas recebe maior ênfase, e os estudantes respondem a um número maior de questões sobre ela. Em 2022, o foco principal foi matemática. No Pisa 2025, ciências voltou a ser a área prioritária, como já havia ocorrido em 2006 e 2015. O exame trouxe uma subescala específica de alfabetização ambiental ("environmental science").

Pela primeira vez, o exame também avaliou a competência de aprendizagem no mundo digital, que mede a capacidade dos estudantes de resolver problemas com o uso de ferramentas computacionais. A edição ainda trouxe um módulo opcional de proficiência em inglês como língua estrangeira, aplicado a uma amostra separada de estudantes em 22 países.

O Pisa 2025 é a maior aplicação da história do programa, com 91 países e economias participantes, ante 81 na edição anterior. Entraram no grupo, entre outros, Armênia, Equador, Quênia, Ruanda e a Região do Curdistão, no Iraque.

O estudo envolveu 760 mil estudantes. O Brasil participou da pesquisa com 30.140 alunos.

Cada país tem um responsável local pela aplicação. No Brasil, essa função cabe ao Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), ligado ao Ministério da Educação.

O QUE O PISA AVALIA?
O Pisa avalia um conjunto de habilidades e competências que a OCDE define como sendo as esperadas para estudantes ao fim do ensino fundamental. Assim, busca medir o quanto o jovem adquiriu de conhecimentos para uma participação plena na sociedade.

Em ciências, área prioritária do Pisa 2025, a prova coloca os estudantes diante de problemas e situações do mundo real. A partir deles, é preciso recorrer ao conhecimento científico para explicar fenômenos e avaliar possíveis respostas. As questões, por exemplo, exigem que o aluno examine como uma investigação foi realizada e interprete dados e evidências.

Em matemática, a prova não busca avaliar se o aluno aprendeu o uso de fórmulas ou conceitos, mas a capacidade de usar e interpretar a matemática para seu cotidiano.

Já em leitura, a prova avalia se os alunos adquiriram, por exemplo, a habilidade de compreender a informação principal de um texto ou fazer a análise crítica do que estão lendo.

QUEM SÃO OS ALUNOS AVALIADOS?
O Pisa avalia os estudantes de 15 anos dos diversos países analisados. A população avaliada tem como base sua idade, não uma série específica, porque os sistemas educacionais são diferentes –e alunos com a mesma idade estão em anos diferentes, dependendo da região.

A avaliação é feita aos 15 porque, nessa idade, em grande parte dos países, os alunos já concluíram o ensino fundamental. No Brasil, tipicamente eles estão no 1º ou no 2º ano do ensino médio. A amostra é feita para representar a população em termos socioeconômicos e participação da escola pública e privada.

Dos 30.140 estudantes brasileiros:
72,4% são de escolas da rede estadual 96,9% estudam em escolas em áreas urbanas 78,1% são de escolas localizadas no interior 84,7% estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do ensino médio na época das provas, aplicadas entre abril e maio de 2025
COMO É A AVALIAÇÃO?
Na grande maioria dos países participantes, a prova é realizada inteiramente por computador e dura duas horas. O Pisa utiliza uma metodologia de teste adaptativo multiestágio, em que as questões apresentadas ao estudante podem se tornar mais adequadas ao seu nível de habilidade a partir das respostas dadas nos blocos anteriores.

Além da prova cognitiva, os estudantes respondem a um questionário de contextualização de cerca de 35 minutos. Os diretores das escolas também respondem perguntas sobre a gestão e o ambiente escolar.

Esses dados permitem relacionar o desempenho dos estudantes a fatores como nível socioeconômico, suporte da família, aspectos socioemocionais e características do ambiente escolar, como indisciplina, distrações digitais e bullying.

Os dados são usados pelos sistemas educacionais para identificar desigualdades e orientar políticas públicas.

QUAIS SÃO AS LIMITAÇÕES NA INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS?
O Pisa permite comparar o desempenho de estudantes de diferentes países e economias, mas, segundo especialistas, seus resultados não devem ser lidos como uma medida direta da qualidade de cada sistema educacional. A avaliação não segue o currículo escolar de cada país. Em vez disso, aplica um conjunto próprio de habilidades e competências definido pela OCDE.

Isso significa que uma posição mais alta ou mais baixa no ranking não explica, por si só, as causas do desempenho dos estudantes. Os resultados precisam ser analisados levando em conta as diferenças sociais e econômicas entre os países.

Diferença de nota em ciências entre ricos e pobres chega a 96 pontos no Brasil, mostra Pisa

BRUNO LUCCA-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os 25% dos estudantes brasileiros de maior nível socioeconômico tiveram desempenho 96 pontos superior ao dos 25% de menor nível socioeconômico em ciências no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) de 2025. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (8).

Nos extremos, a média em ciências foi de 380 pontos entre os mais desfavorecidos e de cerca de 476 pontos entre os mais favorecidos, patamar próximo ao da média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), responsável pelo levantamento, de 482. A média do país foi de 409.

O Pisa avalia estudantes de 15 anos matriculados em escolas dos países e economias participantes. A cada edição, o exame se aprofunda em uma das áreas avaliadas. Em 2025, ciências foi a disciplina escolhida para essa análise mais detalhada.

A diferença média observada entre os países da OCDE é de 85 pontos.

Essa discrepância entre os grupos socioeconômicos varia bastante entre os países da organização. Olhando para os ricos, na Alemanha, chega a 125 pontos, a maior entre os países da OCDE com dados disponíveis; no Canadá, são 59 pontos.

O Pisa não classifica os estudantes pela renda familiar. A OCDE usa um índice de nível econômico, social e cultural (ESCS, na sigla em inglês), que considera a escolaridade e a ocupação dos pais ou responsáveis e recursos disponíveis em casa, como livros, espaço para estudar e acesso à internet.

Quando o relatório compara os 25% de maior e de menor nível socioeconômico, portanto, não está comparando diretamente os alunos mais ricos e mais pobres, mas estudantes posicionados nos extremos dessa escala socioeconômica.

Essa distribuição, porém, não é equilibrada no Brasil. Do total de estudantes brasileiros, 35% estão no quartil socioeconômico internacional mais baixo, a maior fatia entre as quatro faixas, enquanto apenas 14% estão no mais alto –29% e 23% ficam nos dois quartis intermediários.

BRASIL TEM MAIS DESIGUALDADE ENTRE PAÍSES DE DESEMPENHO SEMELHANTE
A diferença brasileira também se destaca quando a comparação é feita apenas com países que tiveram desempenho próximo ao do Brasil em ciências no Pisa 2025.

Entre os 12 países com notas entre 393 e 420 pontos -uma faixa de 27 pontos-, o Brasil apresenta a maior distância entre os grupos de maior e menor nível socioeconômico.

Colômbia (93 pontos), Equador (86) e Argentina (82) vêm na sequência. No outro extremo do grupo, Cazaquistão (41) e Jordânia (42) apresentam diferenças menores da metade da registrada no Brasil.

A origem socioeconômica responde por 16% da variação no desempenho em ciências dos estudantes brasileiros, segundo a OCDE. Entre os países da organização, essa parcela é de 12%.

A desigualdade também aparece na capacidade de estudantes de origem menos favorecida alcançarem os melhores resultados. Apenas 10% dos alunos brasileiros entre os 25% de menor nível socioeconômico conseguem atingir o grupo de melhor desempenho em ciências. Na média da OCDE, são 12%.

Entre 2022 e 2025, a diferença de desempenho entre os grupos socioeconômicos no Brasil aumentou 5 pontos em ciências. No mesmo período, a média de um grupo de referência de 35 países da OCDE diminuiu 13 pontos.

A variação negativa registrada no Brasil ocorreu em apenas outros dois países: Turquia (7) e Filipinas (26).

Países ricos têm pior desempenho da história no Pisa, e Brasil segue estagnado

ISABELA PALHARES-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O desempenho dos estudantes de países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) foi o menor já registrado na história nas três áreas do conhecimento avaliadas pelo Pisa 2025. Praticamente estagnado na última década, o Brasil segue ainda bastante longe da média desses países.

Uma das principais avaliações de qualidade da educação básica do mundo, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes divulgou seus dados na manhã desta terça-feira (8). Ele é um estudo comparativo internacional realizado a cada três anos para avaliar o desempenho de alunos de 15 anos em ciências, leitura e matemática.

A cada ciclo de avaliação, uma das três áreas de conhecimento recebe maior ênfase. Em 2025, a área destacada foi ciências.

Segundo a organização, depois de uma queda "sem precedentes" registrada após a pandemia em 2022, os novos resultados mostram que o desempenho dos estudantes continua caindo em muitos países, o que indica problemas estruturais na educação global.

"O Pisa 2025 registrou o pior desempenho médio dos países da OCDE observado até agora. O desempenho em leitura caiu depois de atingir seu pico por volta de 2012, enquanto o desempenho em ciências apresentou uma queda mais gradual ao longo da última década, e o desempenho em matemática caiu de forma especialmente acentuada após 2018", diz o relatório.

A média da OCDE usada nessa comparação é calculada a partir do resultado de 23 países que fazem parte da organização desde o primeiro ano da avaliação, no ano 2000 -em sua ampla maioria são nações mais desenvolvidas. O Brasil não faz parte do grupo.

Em ciências, a média desses países foi de 486 pontos na última avaliação -17 pontos a menos do que o registrado em 2006. Em leitura, a média foi de 466 pontos -29 a menos do que há duas décadas. A maior queda foi registrada em matemática, com perda de 32 pontos no período, alcançando média de 469 pontos.

Considerando todos os 38 países que hoje compõem a OCDE, as médias de 2025 foram de 482, 461 e 463, respectivamente, em ciência, leitura e matemática.

São quedas consideradas expressivas, já que uma variação de 20 pontos na média do Pisa representa a progressão de um ano inteiro de aprendizagem. Ou seja, na média, os estudantes estão aprendendo um ano e meio a menos de conteúdo em matemática e leitura do que os jovens da mesma idade aprendiam há 20 anos.

De modo geral, os resultados apontam que 29% dos jovens de 15 anos dos países membros da OCDE registraram desempenho abaixo do esperado para a idade nas três áreas avaliadas. Em 2022, eram 25% dos estudantes nessa situação.

Mais de 760 mil estudantes de 15 anos, em 91 países e regiões do mundo, realizaram a prova do Pisa em 2025 -só no Brasil, foram mais de 30 mil jovens. Além das três áreas de conhecimento tradicionalmente avaliadas, a última edição também avaliou a capacidade de resolver problemas por meio de ferramentas computacionais.

Na contramão dos países membros da OCDE, o Brasil não registrou oscilações significativas na última década. Em ciências, os estudantes brasileiros tiveram média de 409 pontos, resultado parecido ao de 2015, com 401 pontos. Em matemática, o resultado permanece exatamente o mesmo de dez anos atrás, com média de 377 pontos.

Ao analisar os últimos 20 anos, no entanto, o Pisa destaca que o Brasil conseguiu reduzir a distância das nações mais ricas mesmo tendo, incluindo mais crianças na escola. O diretor de Educação e Competências da OCDE, Andreas Schleicher, citou o país como um dos exemplos positivos da avaliação nesse período.

Em leitura, também praticamente não houve variação no período. Em 2025, a média foi de 408 pontos, um a mais do que o registrado em 2015.

"Essa estabilidade nos resultados se arrasta há mais de uma década em todas as áreas do conhecimento no Brasil", diz o relatório.

O documento também destaca como o Brasil estagnou em um ponto muito baixo. Enquanto menos de um terço dos estudantes (29%) dos países da OCDE tem desempenho abaixo do esperado nas três áreas avaliadas, entre os brasileiros essa proporção é de 43,8%.

A área em que o Brasil tem pior desempenho, assim como a tendência global, é matemática. O País ficou na 71ª colocação entre as nações e economias analisadas e representa o maior desafio para a educação brasileira.

Nessa área, 72% dos jovens brasileiros têm desempenho abaixo do esperado em matemática. Na OCDE, essa proporção é de 35%. Isso significa, por exemplo, que eles não conseguem interpretar ou reconhecer um problema matemático, como comparar a distância de duas rotas ou converter preços para uma moeda diferente.

Em ciências, 52% dos brasileiros não alcançaram o patamar esperado, enquanto na OCDE, a proporção é de 26%. Esses estudantes não conseguem distinguir uma explicação científica adequada de uma que não seja embasada em evidências científicas.

Além disso, 51% dos estudantes brasileiros estão abaixo do esperado em leitura, contra 31% da OCDE. Abaixo desse patamar, eles não conseguem, por exemplo, localizar informações explícitas em um texto simples.

O relatório chama atenção para o número expressivo de estudantes abaixo do desempenho esperado, por entender que eles terão dificuldade de fazer atividades cotidianas sem o domínio desses conhecimentos.

"Em leitura, terão dificuldade para compreender textos simples, enquanto, em matemática, poderão ter problemas para entender a relação entre quantidade e preço -o tipo de tarefa presente na vida cotidiana, desde fazer compras no supermercado até ler uma conta de serviços públicos", diz o relatório.

Também destaca que houve quedas acentuadas e significativas em quase todos os países nas taxas de acerto em tarefas que envolvem as habilidades mais essenciais para o atual mundo da inteligência artificial: avaliar informações, refletir criticamente e integrar diferentes evidências, capacidades que exigem leitura cuidadosa e atenção prolongada.

"Em contrapartida, aumentaram os casos de "leitura apressada", nos quais os estudantes dão respostas rápidas e incorretas", destaca o relatório.

Os responsáveis pela avaliação ainda afirmam que houve uma "erosão" no desempenho em leitura, o que é particularmente preocupante por impactar a aprendizagem em todas as outras áreas. Os dados mostram que sistemas educacionais com as maiores quedas em leitura também tiveram reduções acentuadas em matemática e ciências.

"Quer estejam resolvendo problemas de álgebra, analisando uma fonte histórica ou interpretando um experimento científico, os estudantes precisam primeiro compreender a linguagem. Quanto maior a capacidade de leitura de um estudante, mais fácil se torna desenvolver conhecimentos em todas as áreas", diz.

MELHORES DESEMPENHOS INTERNACIONAIS
Mesmo com uma pequena melhora na média em ciências, o Brasil não conseguiu avançar em sua posição no ranking em relação aos demais países. Nessa área, o país ficou em 67º lugar -seis posições abaixo do que havia alcançado em 2022. Assim, continua atrás de países como Arábia Saudita, Grécia, Costa Rica e Colômbia.

O ranking de ciências foi liderado pelas províncias chinesas Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, identificadas como B-S-J-Z) com média de 597 pontos, 37 pontos a frente de Singapura, que em 2022 ficou em primeiro lugar e agora ocupa a segunda posição. Em seguida aparece Macau, na China (541), Taipei, também na China (540), e Japão (538).

As províncias chinesas B-S-J-Z também lideram o ranking em matemática, com 612 pontos. Em leitura, a liderança é de Singapura, com 535 pontos.

Em leitura, o Brasil ocupa a 52ª posição e, em matemática, a 71ª posição.

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