×
ContextoExato
Responsive image

Quando a gente vai viajar de novo? “Infelizmente, ainda não dá para prever”

Quando a gente vai viajar de novo? “Infelizmente, ainda não dá para prever”Foto: Wikipedia

Hotéis em Paris contam apenas com serviço de quarto para alimentação.

Estadão Conteúdo - 19/05/2020 - 18:32:18

“Quando a gente vai poder viajar de novo?”. Desde março, não tem um dia que eu não receba essa pergunta de algum leitor ou seguidor de redes sociais. E não tem um dia em que a minha resposta não seja a mesma: “Infelizmente, ainda não dá para prever”.

E não dá mesmo; o cenário da pandemia muda toda semana e a chegada real de uma vacina contra a Covid-19 ainda parece um sonho bem distante deste maio de 2020. Muita gente me perguntando sobre as famigeradas “férias de julho”, mas o fato é que nem mesmo dentro do Brasil a gente consegue estimar, hoje, quando será seguro e possível viajar novamente – ainda não chegamos no “pico da curva” de contaminação e a maioria dos municípios e Estados estão em quarentena ou até mesmo entrando em lockdown para tentar conter os avanços do vírus.

Hotéis em Paris contam apenas com serviço de quarto para alimentação. Crédito: La Réserve Paris.

E, se por um lado algumas fronteiras internas da União Europeia já devem começar a reabrir agora no meio do ano, a abertura de fronteiras internacionais ainda não aparece nos planos a curto prazo da maioria dos países. A Itália divulgou esta semana que isentará da obrigatoriedade de quarentena os turistas oriundos de países do Espaço Schengen, e alguns outros países europeus também estudam tal reciprocidade. Mas, ao menos no que foi divulgado até agora, a maioria deve abrir suas fronteiras com obrigatoriedade de duas semanas de quarentena absoluta ao desembarcar no país antes que o turista possa começar a passear – além de inúmeras outras restrições, já que os processos de “reabertura” de todos os países do bloco são feitos em fases. Sejamos francos: qual a graça de (e quem é que de fato pode) ficar duas semanas trancado em quarentena ao chegar no destino das férias antes de poder passear e ver qualquer coisa dali?

No caso do turista brasileiro, o buraco é ainda mais embaixo: muitos países já sinalizaram nas últimas semanas que não pretendem abrir suas fronteiras para nós tão cedo, mesmo quando outras fronteiras internacionais forem reabertas, pela forma equivocada como a pandemia tem sido conduzida aqui. Um dos principais critérios adotados pela União Europeia, por exemplo, para reabertura de suas fronteiras durante a pandemia é que somente sejam recebidos turistas provenientes de “Estados com situação epidemiológica em evolução positiva e semelhante ao bloco”. A taxa de contágio (Rt) brasileira, que indica para quantas pessoas em média um infectado pode transmitir a Covid-19, é neste momento o dobro do considerado aceitável pela UE – e está entre as mais altas do mundo.

Novos protocolos de limpeza na hotelaria. Crédito: Vivenzo Savassi.

Novas medidas práticas para turismo e movimentação de pessoas – como adoção do tão falado passaporte biológico, testagem de passageiros antes do embarque, testagem de passageiros no desembarque etc – podem surgir e mudar esse cenário; mas a verdade é que, neste momento, enquanto escrevo esta coluna, estamos proibidos de cruzar a fronteira até do nosso vizinho Paraguai.

Além do importantíssimo quesito segurança, a verdade é que também não dá para saber quão agradável vai ser de fato viajar por aí enquanto a pandemia existir nestes termos atuais. Na semana passada, falei na minha coluna no Panrotas sobre como está sendo o dia-a-dia dos primeiros hóspedes dos hotéis que começam a reabrir em alguns destinos (majoritariamente europeus) nos quais o pico da primeira onda da pandemia já passou faz tempo, e que agora começam a relaxar as medidas de quarentena e lockdown. Mas nem lá o cenário é animador. Fazer check in e check out por email, recepções protegidas por vidros, ter suas malas desinfectadas tanto ao serem recolhidas do carro quanto ao serem entregues do lado de fora da porta do seu quarto, ser atendido por funcionários de máscaras nos (poucos) restaurantes eventualmente abertos, usar a academia somente com hora marcada e não poder sequer pisar nas áreas sociais são algumas das medidas em comum na maioria deles. Dá pra ler a coluna completa aqui.

A Qatar Airways é uma das companhias aéreas que passa a adotar traje PPE completo para sua tripulação. Crédito: Qatar Airways

Além disso, como tenho mostrado no meu Instagram, cada vez mais companhias aéreas estão mudando os uniformes de suas tripulações para o PPE completo (Personal Protective Equipement). Depois de várias outras companhias asiáticas, nesta semana foi a Qatar Airways que divulgou que a partir de agora toda sua tripulação de cabine vai sempre viajar com o equipamento de proteção pessoal completo, que prevê traje especial de proteção literalmente dos pés à cabeça em todos os funcionários, além de luvas, máscaras e goggles . Obrigatoriedade de uso de máscaras também para todos os passageiros já está em vigor em quase todas as companhias aéreas e é bem possível que outras exigências apareçam nas próximas semanas, quando mais voos começarem a ser retomados.

Em resumo: a gente vai viajar de novo, sim; é claro que vai! Mas não dá para saber exatamente neste momento quando isso será de fato seguro. Por enquanto, além da nossa indignação cotidiana por tantos motivos, no que tange nossas viagens o negócio é ter paciência e fazer a nossa parte nos esforços máximos de contenção dos avanços do novo coronavírus por aqui. E enquanto o dia D de cair na estrada novamente ainda não chega, nada impede que continuemos a sonhar com nossas futuras viagens (sim!) e vez ou outra viajar sem nem mesmo sair do sofá. A gente pode viajar por enquanto através dos livros, das revistas, dos blogs, dos guias de viagem, da comida, dos cafés, dos drinks… Além disso, algumas plataformas de tours e experiências de viagem estão lançando opções virtuais de alguns dos seus passeios mais famosos, pra gente fazer de casa mesmo. Tem desde tour virtual de Pompeia com historiador ou do Louvre com guia especializado em História da arte até aula de culinária com chef italiano – todas atividades com preços acessíveis e até algumas gratuitas! Dá pra ler mais sobre estes tours e experiências virtuais aqui.

Clique aqui para saber mais sobre o que já está e o que ainda deve mudar na hotelaria, nos cruzeiros e no nosso jeito de viajar em geral.

Comentários para "Quando a gente vai viajar de novo? “Infelizmente, ainda não dá para prever”":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório