Salão do Turismo debate como atrair turista muçulmano, que deve movimentar R$ 1,88 trilhão até 2028

Brasil, que já é o maior exportador de proteína animal halal do mundo, quer se tornar referência no assunto: workshops foram realizados no maior evento de turismo do país

Salão do Turismo debate como atrair turista muçulmano, que deve movimentar R$ 1,88 trilhão até 2028
Salão do Turismo debate como atrair turista muçulmano, que deve movimentar R$ 1,88 trilhão até 2028

Ministério Do Turismo - 10/05/2026 07:35:35 | Foto: Freepik

O Brasil está diante de uma oportunidade promissora e que vai muito além das commodities: o turismo halal. O país, que já é o maior exportador de proteína animal halal do mundo, está de olho, agora, em atrair turistas muçulmanos e quer se tornar referência para atender este importante mercado, que deve movimentar R$ 1,88 trilhão até 2028.

O turismo halal é um segmento de viagens voltado para o público muçulmano, oferecendo serviços adaptados aos princípios islâmicos.

Durante dois dias, o Salão do Turismo, organizado pelo Ministério do Turismo, debateu o tema no workshop “Turismo e Hospitalidade para o Mercado Halal”. O Salão, a maior vitrine do setor no país, está sendo realizado em Fortaleza (CE) e segue até este sábado (9). É a primeira vez que o evento acontece no Nordeste.

A valor da projeção do mercado de turismo halal até 2028 é da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

A entidade também revelou que turismo muçulmano tem crescimento estimado em 12% ao ano. Ainda de acordo com a Câmara Árabe o turismo voltado a esse público movimentou US$ 217 bilhões em 2023, com expectativa de expansão de 77% na próxima década.

"O Brasil tem a natureza e a cultura que encantam o mundo. Agora, precisamos oferecer o acolhimento técnico que este público exige. A certificação não é um custo, é um passaporte de acesso", destacou Fernanda Dantas, gerente de projetos de internacionalização da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

Para os gestores públicos, entender esse mercado significa diversificar a pauta de atração de divisas e reduzir a dependência de mercados tradicionais (como Europa e EUA).

Para profissionais, a certificação e o conhecimento em hospitalidade halal abrem portas em redes hoteleiras internacionais que operam no Brasil e buscam atender delegações de negócios e turistas de lazer do Oriente Médio, Norte da África e Sudeste Asiático.

A hospitalidade Muslim-friendly (ou amigável aos muçulmanos) exige conhecimento técnico sobre as necessidades rituais e culturais.

O Brasil já possui o "know-how" logístico da certificação halal em alimentos (exportando para 156 países), o que facilita a adaptação dos serviços de hospitalidade. As mudanças não requerem investimentos estruturais grandes, mas sim sensibilidade e gestão.

Confira algumas particularidades do turismo muslim-friendly:

- Alimentação Halal: Garantia de que alimentos (especialmente carnes) foram preparados conforme as normas islâmicas e a ausência de álcool em pratos específicos.

- Facilidades de Culto: Indicação da direção de Meca (Qibla) nos quartos e disponibilização de horários de oração.

- Privacidade e Lazer: Opções de horários ou espaços reservados em piscinas e spas para atender critérios de modéstia.

- Sustentabilidade: Há uma conexão crescente entre o "turismo halal" e o "turismo verde". O viajante muçulmano valoriza destinos que respeitam o meio ambiente e a ética social.

Capacitação

Os workshops reforçaram a importância de parcerias com entidades como a Câmara de Comércio Árabe Brasileira para a obtenção de selos de qualidade.

Com o aumento de conectividade aérea entre o Brasil e os países do Golfo, o setor de serviços tem o tempo a seu favor para transformar o país em um destino acolhedor para o viajante muçulmano.

Comentários para "Salão do Turismo debate como atrair turista muçulmano, que deve movimentar R$ 1,88 trilhão até 2028":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório