×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 04 de dezembro de 2021

Semanas de Inovação Suécia-Brasil discutirão ações para o clima

Semanas de Inovação Suécia-Brasil discutirão ações para o climaFoto: Ministério da Defesa - Divulgação

Evento busca integração de iniciativas sustentáveis entre países

Por Agência Brasil - Brasília - 24/10/2021 - 19:52:37

Começa nesta segunda-feira (25) e vai até 12 de novembro a 10ª edição do evento Semanas de Inovação Suécia-Brasil. Com foco em inovação e sustentabilidade, o evento será transmitido ao vivo e acontece de forma online devido à pandemia de covid-19.

O evento é organizado pela Embaixada da Suécia em parceria com o Business Sweden, a Câmara de Comércio Sueco-Brasileira (SwedCham), o Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB), o Instituto Sueco-Brasileiro de Economia Circular e Desenvolvimento Sustentável (ISBE) e os consulados gerais da Suécia no Rio de Janeiro e em São Paulo.

No decorrer do evento serão promovidos debates sobre temas estratégicos para ambos os países, como os impactos da chegada da tecnologia 5G, modelos de desenvolvimento sustentável e de bioeconomia, mobilidade urbana inteligente, mineração e aeronáutica - a Suécia é responsável pela tecnologia dos Caças Gripen, que equipam a Força Aérea Brasileira.

As Semanas de Inovação Suécia-Brasil contarão com a participação da vice-ministra de Indústria e Inovação da Suécia, Stina Billinger, do secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC), Sergio Freitas de Almeida, da embaixadora da Suécia no Brasil, Johanna Brismar Skoog e de representantes de negócios e empresas de ambos os países.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcos Pontes, também está na lista de expositores, e deverá debater com o professor e astronauta sueco Christer Fuglesang sobre o futuro da inovação aeroespacial na Suécia e no mundo.

A Agência Brasil entrevistou, com exclusividade, a embaixadora da Suécia no Brasil, Johanna Brismar Skoog, sobre os laços comerciais, diplomáticos e de cooperação em áreas estratégicas para ambos os países. Confira:

ABr - Existem ideias inovadoras vindas do Brasil que poderiam impactar na maneira como a Suécia lida com o clima? Quais modelos brasileiros estão sendo exportados?
Johanna Skoog - O Brasil tem muita experiência no campo de pesquisa climática e alguns mundialmente conhecidos pesquisadores de modelos climáticos. Só para mencionar alguns, os três irmãos Nobres e José Antonio Marengo Orsini, e instituições respeitadas como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Essa é a beleza da colaboração internacional para pesquisas: cientistas inspiram uns aos outros, trocam ideias e soluções, e adaptam ao contexto local. Brasil e Suécia tem muitas diferenças importantes, mas enfrentamos o mesmo desafio global de mudanças climáticas. O impacto será diferente para cada um, mas as consequências serão igualmente desastrosas.

ABr - O Brasil está prestes a implementar o mais novo padrão de dados móveis, o 5G. Quais são os planos da Suécia - que está à frente na tecnologia 5G - para trocar experiências com um país que ainda não está inserido nesta tecnologia?
Johanna Skoog - O Brasil não é um país tecnologicamente atrasado. Acredito que muitos setores e grupos aguardam ansiosamente pela introdução do 5G e seus benefícios. As oportunidades e experiências do 5G transformarão a indústria e experiências do dia-a-dia. Para o Brasil, vemos importantes avanços no agronegócio e na indústria.

Durante as Semanas de Inovação haverá várias atividades envolvendo a Ericsson, que terão como tema os benefícios do 5G no Brasil. Um exemplo é o painel que acontecerá no dia 26, chamado Caminho para a COP26 [Road to COP26, em tradução livre], que apresentará exemplos de como a indústria está apoiando a transição necessária para um futuro mais seguro e sustentável no mundo.

ABr - Existem planos no campo educativo para instigar a curiosidade científica na juventude brasileira?
Johanna Skoog - Ao longo dos anos investimos bastante tempo e esforços para que jovens brasileiros considerassem a Suécia como destino para suas futuras jornadas. Esse trabalho foi coordenado pela Embaixada da Suécia e outros órgãos, no nosso escritório de Ciência e Inovação. Tenho muito prazer em dizer que isso levou a resultados bastante concretos, é o que mostra um relatório recente da Fundação Sueca de Cooperação Internacional em Educação Superior (STINT, na sigla em inglês). O número de artigos de pesquisa colaborativos entre Suécia e Brasil aumentou de cerca de 100 ao ano na década de 1990 para 1200 ao ano em 2019. Estamos confiantes que esse número continuará a crescer.

Vale mencionar, ainda, que damos apoio de diferentes maneiras, e que os jovens brasileiros são classificados em um grupo-alvo especial: o Stockholm Junior Water Price e o Prêmio Queen Silvia Nursing. O primeiro é destinado a estudantes do ensino médio para estimular o pensamento inovador na preservação de água e tem uma edição brasileira exclusiva desde 2017. Em 2021, o jovem estudante Gabriel Fernandes, de Itajaí, foi o vencedor.

O segundo prêmio é novo no Brasil, mas visa estimular estudantes de enfermagem e enfermeiras em atividade a pensar em formas novas - mais humanas - para tratar pacientes e trazer conscientização sobre ideias mais progressistas, que ajudem a enfrentar o problemas de saúde mais urgentes, em especial de pessoas idosas com diagnóstico de demência.

ABr - Quais são as melhores práticas que o Brasil poderia trazer da Suécia para as áreas urbanas e serviços públicos?
Johanna Skoog - Há diversas áreas nas quais Brasil e Suécia podem se inspirar mutuamente. A Suécia lançou uma plataforma aberta que agrega informação sobre cidades sustentáveis para melhorar a disseminação de conhecimento e experiência, servindo como fonte de inspiração para mostrar exemplos concretos de projetos urbanos viáveis. O Cidades Inteligentes Suécia [Smart City Sweden, no original] recebe delegações de todo o mundo que tenham interesse nas soluções. Várias delegações brasileiras já participaram.

Quatro agências suecas trabalham em parceria com o governo brasileiro em áreas relacionadas à práticas sustentáveis e preocupações ambientais. Um exemplo interessante é a Agência Sueca de Proteção Ambiental [SEPA, na sigla em inglês], que lida com o gerenciamento de resíduos urbanos e fornece treinamentos para parceiros.

ABr - E quais são as melhores experiências brasileiras que podem ser levadas para esse intercâmbio cultural entre os países?
Johanna Skoog - Para a Suécia, é muito importante cooperar internacionalmente. Nosso país é pequeno, dependemos de interações com o resto do mundo. Empresas e instituições só podem progredir observando além de nossas fronteiras. A cooperação traz novos aprendizados, novas possibilidades de trabalho, novos mercados e novas soluções. Por exemplo, o Brasil tem centros extraordinários de pesquisa e inovação, como Senai, Embrapii, Embrapa, o laboratório Sirius, além de várias outras instituições e universidades que têm infraestrutura, capacidade técnica, condições de financiamento e vontade de contribuir com o mundo.

Comentários para "Semanas de Inovação Suécia-Brasil discutirão ações para o clima":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Furacões são mais frequentes no Atlântico Norte, diz estudo

Furacões são mais frequentes no Atlântico Norte, diz estudo

Motivo é o aquecimento global

Marcas de roupa mundiais estariam relacionadas ao desmatamento na Amazônia, segundo estudo

Marcas de roupa mundiais estariam relacionadas ao desmatamento na Amazônia, segundo estudo

Nos últimos anos o governo brasileiro vem sendo alvo constante de críticas de diversas organizações por conta do crescente desmatamento da floresta amazônica. Os dados da pesquisa da Stand.Earth mostram que a criação de gado é um dos principais responsáveis pela deflorestação, em grande parte feita pela empresa brasileira JBS.

Sai garimpo, fica o mercúrio: Saiba quais as consequências para o meio ambiente no Rio Madeira

Sai garimpo, fica o mercúrio: Saiba quais as consequências para o meio ambiente no Rio Madeira

Centenas de balsas e dragas bloqueiam trecho do Rio Madeira (AM) para garimpo ilegal

Aumento de pessoas no mar pode explicar mais ocorrências com tubarões

Aumento de pessoas no mar pode explicar mais ocorrências com tubarões

Se acidentes são ocasionais não é preciso fechar praias, diz professor

FAO lança ferramenta que ajuda a reverter perda florestal e combater mudanças climáticas

FAO lança ferramenta que ajuda a reverter perda florestal e combater mudanças climáticas

Mulher vende batatas no Peru.

Desmatamento na Amazônia passa de 13 mil km² entre agosto de 2020 e julho de 2021

Desmatamento na Amazônia passa de 13 mil km² entre agosto de 2020 e julho de 2021

Queimada na Amazônia durante última semana de julho, mesmo com moratória do fogo no bioma.

Petrobras e BNDES vão ampliar investimentos em restauração florestal

Petrobras e BNDES vão ampliar investimentos em restauração florestal

Anúncio foi feito durante a COP26, em Glasgow

1 bilhão vão sofrer calor extremo se temperatura aumentar 2°C

1 bilhão vão sofrer calor extremo se temperatura aumentar 2°C

Alerta é feito por especialistas que participam da conferência

Brasileiros apresentam na COP26 agenda com caminhos inovadores para a Amazônia

Brasileiros apresentam na COP26 agenda com caminhos inovadores para a Amazônia

Izabella Teixeira em frente à exposição sobre a Amazônia, de Sebastião Salgado, na COP26

Na COP26, Rio de Janeiro promete, cobertura de Mata Atlântica em 40% do estado em 2050

Na COP26, Rio de Janeiro promete, cobertura de Mata Atlântica em 40% do estado em 2050

Além de apresentar resultados e compromissos no combate às mudanças climáticas, o estado convidará participantes de todo o mundo para a Rio+30, evento que celebrará, em 2022, os 30 anos da realização da Eco92.

COP26: Brasil, Estados Unidos e China não assinam acordo para zerar energia à base de carvão

COP26: Brasil, Estados Unidos e China não assinam acordo para zerar energia à base de carvão

Lideranças indígenas, como a cacica Juma Xipaya, criticam hidrelétricas na Amazônia