Sisu 2026 abre inscrições com 274,8 mil vagas; veja como se inscrever

Cursos de graduação em inteligência artificial no Sisu sextuplicam em um ano

Sisu 2026 abre inscrições com 274,8 mil vagas; veja como se inscrever
Sisu 2026 abre inscrições com 274,8 mil vagas; veja como se inscrever

Lucas Leite-são Paulo, Sp (folhapress) - 19/01/2026 16:26:57 | Foto: © MEC/DIVULGAÇÃO

As inscrições do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) 2026 estão abertas. O sistema do MEC (Ministério da Educação) seleciona vagas para instituições públicas a partir das notas alcançadas pelos estudantes no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Novidade deste ano, o Sisu também vai considerar as notas das três últimas edições do Enem -2025, 2024 e 2023. Isso significa que o sistema escolherá automaticamente a melhor média ponderada obtida pelo candidato em uma única edição do exame nacional entre as três mais recentes.

Se, por exemplo, a melhor média do estudante foi obtida no Enem 2024, todos os pontos dessa edição serão selecionados pelo sistema para concorrer à vaga desejada.

Para se inscrever, os participantes devem acessar o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. Para isso, o candidato precisará fazer o login a partir do perfil do Gov.br. Logo após, o estudante deverá selecionar a primeira e a segunda opção de curso desejado.

Nesta fase, o participante poderá visualizar a nota de corte temporária do curso na instituição desejada. Segundo o MEC, o candidato poderá consultar as notas da edição do exame nacional considerada mais favorável para a opção desejada, além dos pesos definidos pela instituição para o curso.

Além disso, o participante poderá consultar a classificação parcial da posição e das notas de cortes do curso que está concorrendo a partir do segundo dia de inscrições (terça-feira, dia 20).

O MEC ressalta que a classificação parcial é "temporária, ou seja, não corresponde ao resultado do processo seletivo, porque o resultado final pode variar conforme novos candidatos se inscrevem ou modificam suas opções de curso ou de modalidade de concorrência".

As inscrições do Sisu 2026 terminam no dia 23 de janeiro. A primeira chamada dos aprovados será divulgada no dia 29 de janeiro. Caso o estudante seja aprovado, a matrícula na instituição será em 2 de fevereiro.

Os candidatos não aprovados poderão participar da lista de espera. Para isso, os interessados devem se candidatar no site Portal Único de Acesso ao Ensino Superior a partir do dia 29 de janeiro até 2 de fevereiro.

CALENDÁRIO SISU 2026
- Período de inscrições: 19 a 23 de janeiro
- Resultado da chamada regular dos aprovados: 29 de janeiro
- Chamada regular de matrícula: 2 de fevereiro
- Prazo para participar da lista de espera: 29 de janeiro a 2 de fevereiro
- Convocação dos candidatos em lista de espera pelas instituições: 11 de fevereiro

Cursos de graduação em inteligência artificial no Sisu sextuplicam em um ano

GUSTAVO GONÇALVES-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A oferta de cursos de graduação em IA (inteligência artificial) no Sisu saltou de 4 para 24 nesta edição, um crescimento de seis vezes em um ano. Com nomes e formatos variados, os novos bacharelados foram lançados principalmente em um movimento associado a políticas do MEC (Ministério da Educação) voltadas à formação em áreas consideradas estratégicas.

A maioria das graduações foi aprovada entre novembro e dezembro de 2025. Atualmente, os cursos se dividem principalmente em três modelos principais: cursos exclusivos de inteligência artificial; cursos combinados de ciência de dados e inteligência artificial; e formações que unem inteligência artificial e engenharia de software.

O Sisu é um sistema unificado utilizado por instituições federais para selecionar estudantes com a nota do Enem. As inscrições deste ano começam nesta segunda (19).

Única universidade pública do estado de São Paulo a criar um bacharelado na área, a UFScar (Universidade Federal de São Carlos) aprovou o curso de ciência de dados e inteligência artificial em setembro de 2025, com conclusão do processo em dezembro. Segundo a universidade, a graduação foi estruturada para responder à demanda crescente por formação especializada.

Além de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram cursos da área no Sudeste. No Nordeste, Ceará, Piauí, Maranhão, Alagoas, Paraíba, Sergipe e Pernambuco passaram a ofertar a graduação. No Centro-Oeste, há cursos em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Já no Sul, Rio Grande do Sul e Paraná aparecem como opções.

Na região Norte, apenas uma universidade oferecerá o curso pelo Sisu. A UFT (Universidade Federal do Tocantins) é a única do país com um bacharelado interdisciplinar em inteligência artificial. Aprovada em dezembro de 2025, com início previsto para 2026, a graduação adota um modelo em ciclos, com formação básica nos cinco primeiros semestres e, a partir do sexto, itinerários voltados a áreas como agronegócio, bioeconomia, saúde digital, governança e turismo.

Segundo a pró-reitora de graduação da UFT, Valdirene de Jesus, a graduação foi desenhado a partir das especificidades da região e busca formar profissionais capazes de aplicar a IA a problemas socioambientais e econômicos do Tocantins, do entorno amazônico e do cerrado.

Minas concentra o maior número de cursos de graduação em inteligência artificial no país (8) e, em alguns casos, universidades do estado passaram a ofertar mais de um curso. O avanço, porém, não ocorreu apenas com novos bacharelados. No estado, a UFU (Universidade Federal de Uberlândia) reformulou um curso já existente para incorporar a inteligência artificial de forma estruturante.

Na instituição, o curso de engenharia de computação passou a se chamar engenharia de computação com inteligência artificial aplicada. De acordo com o pró-reitor de Graduação, Waldenor Barros Moraes Filho, a mudança acontece por uma transformação acadêmica e do mercado, com a IA deixando de ser um conteúdo pontual para se tornar transversal na formação. O termo "aplicada" indica o foco em problemas concretos, como cibersegurança e otimização de redes.

Questionadas sobre as diferenças em relação às graduações tradicionais da área de computação, as instituições afirmam que os novos cursos foram concebidos com desenho próprio, e não apenas como uma reorganização de disciplinas existentes. Em geral, dizem, a inteligência artificial aparece como eixo estruturante do currículo desde os primeiros semestres, com maior peso de estatística, ciência de dados e aprendizado de máquina.

A UnB (Universidade de Brasília), que voltou a ofertar vagas pelo Sisu neste ano, afirma que o diferencial do bacharelado em inteligência artificial, aprovado em novembro de 2025, está no foco aplicado da formação. Com duração de quatro anos, o curso tem três anos de núcleo comum e um último ano dedicado a ênfases como indústria e governo, robótica, visão computacional, hardware para IA.

Umas das principais iniciativas por trás da expansão é o PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial), que prevê ações de formação, capacitação e requalificação profissional em larga escala, visando reduzir a dependência do país de tecnologias e talentos estrangeiros.

A Folha ouviu 14 instituições que criaram cursos de IA em 2025 e vão ofertá-los pela primeira vez no Sisu. Dez afirmaram ter usado o PBIA como referência na elaboração dos projetos pedagógicos, ainda que com propostas distintas e diferentes níveis de apoio institucional.

Segundo o MEC, a expansão ocorre no âmbito do programa Universidades Inovadoras e Sustentáveis, lançado em outubro de 2025. A iniciativa apoia a criação de cursos, a ampliação de vagas em áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e o fortalecimento dos núcleos de inovação tecnológica.

O programa apoiou a criação de 133 cursos em universidades federais, com 7.987 vagas. Desse total, 45 são cursos de inteligência artificial ou com ênfase na área, somando 3.004 vagas. No Sisu, os 24 cursos de IA ofertaram 1.496 vagas nesta edição. O ministério diz avaliar de forma positiva o crescimento das graduações, mas diz acompanhar o movimento com foco na sustentabilidade acadêmica e na redução de desigualdades regionais.

A graduação em inteligência artificial completa seis anos no Brasil. Em 2020, a UFPB (Universidade Federal da Paraíba) lançou o primeiro curso público de ciência de dados e inteligência artificial. No mesmo ano, a UFG (Universidade Federal de Goiás) criou a primeira graduação com foco exclusivo em IA no país.

Para o professor do Instituto de Informática da UFG, Anderson Soares, a expansão acelerada traz riscos. Segundo ele, parte das graduações pode se tornar apenas uma reembalagem de cursos tradicionais de computação ou engenharia.

"A boa notícia é que a escassez de profissionais na área continua grande, e isso ajuda o país a enfrentar um gargalo histórico", diz. "A má notícia é que, sem infraestrutura adequada, a tecnologia vira uma formação excessivamente teórica, quando deveria ser aplicada."
Na UFG, o curso de inteligência artificial superou medicina e se tornou o mais concorrido da universidade. Soares afirma ter recebido comitivas de universidades interessadas em criar cursos semelhantes. Para ele, a dificuldade de formar docentes especializados e a falta de laboratórios e projetos aplicados podem comprometer a qualidade da formação. "É como abrir um curso de medicina sem hospital", afirma.

Uma das instituições que se inspiraram no modelo da UFG foi a também goiana UFJ (Universidade Federal de Jataí), que incorporou a residência acadêmica ao projeto do curso de inteligência artificial aprovado em setembro de 2025, alinhado às políticas federais para a área.

A diversidade de nomes -com cursos que repetem a mesma formação sob rótulos distintos reflete, segundo o professor, um momento de transição. Ele acredita que o MEC e o próprio mercado devem promover, nos próximos anos, uma consolidação do modelo. "Criar o curso não é o ponto de partida. É uma consequência de pesquisa, projetos e demanda real."
*
VEJA OS CURSOS DE IA OFERTADOS NO SISU 2026:
Curso - Instituição - É novo?
Computação e Inteligência Artificial - UFMA - Sim
Inteligência Artificial - UFC - Sim
Inteligência Artificial - UFPE - Sim
Ciência de Dados e Inteligência Artificial - UFPB - Não
Inteligência Artificial - UFS - Sim
Inteligência Artificial - UFDPar - Sim
Inteligência Artificial - UFAL - Sim
Inteligência Artificial - UnB - Sim
Inteligência Artificial - UFG - Não
Inteligência Artificial - UFMS - Sim
Inteligência Artificial - UFJ - Sim
Inteligência Artificial - UFR - Sim
Inteligência Artificial - UFCAT - Sim
Inteligência Artificial e Ciência de Dados - UFF - Sim
Ciência de Dados e Inteligência Artificial - UFSCar - Sim
Inteligência Artificial - Unimontes - Sim
Inteligência Artificial - Unifei - Sim
Inteligência Artificial - Ufop - Sim
Inteligência Artificial (Tecnológico) - UFLA - Sim
Inteligência Artificial - UFU - Sim
Engenharia de Computação com Inteligência Artificial Aplicada - UFU - Não (nome alterado)
Ciência de Dados e Inteligência Artificial - UFV - Sim
Engenharia da Computação e Inteligência Artificial - UFSJ - Sim
Ciência de Dados e Inteligência Artificial - UFSM - Sim
Ciência de Dados e Inteligência Artificial - UEL - Não
Inteligência Artificial e Engenharia de Software - UFPR - Não
Inteligência Artificial - UFFS - Sim
Interdisciplinar em Inteligência Artificial - UFT - Sim

Com nova regra e polêmica, inscrições para o Sisu 2026 começam nesta segunda

LUCAS LEITE-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após a divulgação das notas do Enem 2025, têm início nesta segunda-feira (19) as inscrições do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) 2026. Criado em 2009 pelo governo federal, o sistema utiliza a média do exame nacional como critério de seleção. A classificação dos participantes leva em conta o número de vagas disponíveis e as modalidades de concorrência de cada curso.

Em 2026, o Sisu terá 274,8 mil vagas ofertadas em 7.388 cursos de 136 universidades de todo o país. Entre as novidades desta edição está a possibilidade de o sistema considerar as notas das três últimas edições do Enem -2025, 2024 e 2023.

No entanto, o Sisu não permitirá a combinação de notas de diferentes edições do Enem para compor a pontuação. Por exemplo, não será possível usar a pontuação obtida em matemática no Enem 2024, com a nota de ciências humanas de 2025 e a de linguagens de 2023.

Na prática, o sistema considerará as pontuações da edição em que o participante alcançou as melhores notas. Por exemplo, a melhor média foi obtida no Enem 2023, todos os pontos dessa edição serão selecionados pelo sistema para concorrer à vaga desejada.

Porém, a mudança gerou reclamações entre estudantes concluintes do terceiro ano do ensino médio. O principal argumento é o possível prejuízo em relação aos candidatos que realizaram o Enem nos últimos anos.

Um dos motivos é que o sistema de seleção não considera as notas de candidatos inscritos como "treineiros" -estudantes que realizaram o Enem antes de concluir o terceiro ano do ensino médio. Na prática, esses alunos terão apenas uma nota válida, enquanto participantes que fizeram o exame nas três últimas edições poderão concorrer com três desempenhos diferentes.

Para Marcelo Pena, diretor de ensino do colégio Farias Brito, esse modelo tem vantagens e desvantagens. Segundo ele, há a percepção de um desequilíbrio.

"Na minha concepção, existe um 'fura a fila'. Há alunos muito bons que chegam ao terceiro ano e não podem utilizar a nota de treineiro, sem terem culpa disso, e acabam competindo com candidatos que podem escolher entre três resultados diferentes", explica.

O diretor de ensino ressalta que a lógica do MEC pode estar voltada a beneficiar quem tenta o acesso ao ensino superior há mais tempo.

"Talvez a intenção seja permitir que o estudante que está há mais tempo tentando consiga entrar logo, o que faz algum sentido. Mas, para quem está chegando agora, pela primeira vez, há uma clara desvantagem em relação a quem pode utilizar notas de edições anteriores", afirma.

ESCOLHA DAS OPÇÕES E USO DAS NOTAS
A partir desta segunda-feira até a próxima sexta-feira, dia 23, os candidatos poderão acessar o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior e realizar a inscrição. Após o login, o estudante deve escolher até duas opções de curso.

O momento de escolha dos cursos gera algumas dúvidas entre os estudantes. Segundo Marcos Raggazzi, diretor-executivo do colégio Bernoulli, é importante que o candidato pesquise o número de vagas disponíveis e a nota de corte do curso pretendido na universidade desejada.

De acordo com o MEC, os inscritos no Sisu poderão acompanhar a classificação temporária da posição e das notas de corte partir do segundo dia de inscrições, na terça-feira (20). Com essas informações, os estudantes poderão avaliar as possíveis mudanças das pontuações de corte.

A pasta chefiada por Camilo Santana ressalta que a classificação parcial é temporária. Ou seja, "não corresponde ao resultado do processo seletivo, porque o resultado final pode variar conforme novos candidatos se inscrevem ou modificam suas opções de curso ou de modalidade de concorrência".

A partir disso, Raggazzi recomenda que os estudantes tenham sempre mais opções, seja de curso ou de instituição.

"Se o candidato perceber que está muito distante da nota de corte em uma das opções, o ideal é trocar. O estudante deve trabalhar com três ou até quatro opções, porque pode acontecer de a primeira estar muito abaixo da nota de corte, enquanto a terceira ou a quarta estejam próximas ou acima", afirma Raggazzi.

O participante inscrito no Sisu poderá alterar as opções de curso quantas vezes quiser, mas somente até o prazo final de inscrição. Apenas a última inscrição registrada e confirmada ao final do prazo será considerada na seleção.

CALENDÁRIO SISU 2026
- Período de inscrições: 19 a 23 de janeiro
- Resultado da chamada regular dos aprovados: 29 de janeiro
- Chamada regular de matrícula: 2 de fevereiro
- Prazo para participar da lista de espera: 29 de janeiro a 2 de fevereiro
- Convocação dos candidatos em lista de espera pelas instituições: 11 de fevereiro

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